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Combate entre armênios e azeris deixa mais de 30 mortos em Nagorno Karabakh

O Azerbaijão acusou neste sábado a vizinha Armênia de matar 12 soldados e derrubar um helicóptero de suas forças armadas, enquanto o presidente armênio falou de 18 soldados mortos nos combates na região de Nagorno Karabakh, que os dois países do Cáucaso disputam desde os anos 1990. Os combates foram particularmente intensos durante a madrugada deste sábado, o que levou a Rússia a pedir o cessar-fogo imediato entre essas duas ex-repúblicas soviéticas.

“Doze soldados azeris morreram em combate e um helicóptero foi abatido pelas forças armênias”, declarou em um comunicado o ministério azeri da Defesa, que assegurou que seu exército retomou duas colinas estratégicas e uma aldeia nesta região. “Do nosso lado, são 18 soldados mortos e 35 feridos”, anunciou o presidente armênio Serge Sarkissian em uma entrevista à tv local, sem especificar se os combatentes pertenciam ao exército regular ou à milícia Nagorno Karabaj, apoiada por Yerevan.

Nos combates, também foi destruído um tanque azeri na explosão de uma mina, de acordo com Bacu. Segundo o Azerbaijão, esses combates teriam resultado também na morte de cerca de cem soldados armênios, mas a Armênia negou essas informações.

Yerevab admitiu, no entanto, que depois de meses de combates esporádicos, “o Azerbaijão lançou na sexta-feira um ataque maciço na fronteira de Nagorno Karabakh, com tanques, artilharia e helicópteros”. Em Nagorno Karabakh, as forças separatistas apoiadas pela Armênia anunciaram ter abatido dois helicópteros e um drone e destruído três tanques, assegurando que os azeris mataram um menino de 12 anos e feriram outros dois.

Os armênio de Nagorno Karabakh se apoderaram a região depois de uma guerra 1988 e 1994 que cobrou a vida de 30.000 pessoas. Criaram uma república independente que não foi reconhecida internacionalmente. Desde 1994 está vigente um cessar-fogo, mas nunca foi assinado um acordo de paz definitivo.

Putin intervém 

Em Moscou, o presidente Vladimir Putin pediu “um cessar-fogo imediato e demonstração de moderação para evitar que haja novas vítimas”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov. Os ministros russos das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, e da Defesa, Serguei Shoigu, ligaram para seus respectivos colegas nos dois países para tentar reduzir a escalada da violência.

Em Yerevan, o primeiro-ministro Ovik Abrahamian convocou uma reunião de emergência do governo frente a “estas hostilidades do inimigo de uma escalada sem precedentes” e se declarou disposto a “tomar as medidas necessárias para estabilizar a situação”. Nagorno Karabakh é uma região situada no Azerbaião, povoada, nos tempos da União Soviética, por maioria armênia.

O Azerbaijão, rico em petróleo e cujo o orçamento de defesa é maior que o orçamento total da Armênia, ameaça regularmente com retomar à força a região separatista se as negociações não chegarem a um acordo. A Armênia, que conta com o apoio da Rússia, responde que pode fazer frente a qualquer ofensiva.

Neste fim de semana, quando se encontrava em Washington para a cúpula internacional sobre segurança nuclear organizada pelo presidente Barack Obama, o presidente azeri, Ilham Aliev, exigiu, diante do secretário de Estado americano John Kerry, que a Armênia retirasse imediatamente suas tropas de Nagorno Karabakh.

Recebido por Kerry em paralelo à cúpula, Aliev disse que agradece aos Estados Unidos “seus esforços para encontrar um meio que solucione o longo conflito entre Armênia e Azerbaijão”. Mas insistiu que o fato de que “o conflito deve ser resolvido com base em uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que exige uma retirada imediata e sem condições das tropas armênias dos territórios azeris”. O vice-presidente Joe Biden também recebeu os dois chefes de Estado e pediu para que se dialogo para alcançar um acordo.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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