Davutoglu assegura que nova Constituição da Turquia será laica

Ancara, 27 abr (EFE).- O laicismo do Estado estará consagrado na próxima Constituição da Turquia, declarou nesta quarta-feira o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, depois que o presidente do parlamento causou uma polêmica ao defender uma Carta Magna religiosa.

“As características do Estado não são um assunto para debate. O princípio do laicismo estará na nova Constituição”, declarou Davutoglu em reunião de seu grupo parlamentar na câmara.

O presidente do parlamento, Ismail Kahraman, suscitou a polêmica nesta semana ao defender que a Turquia, ao ser um país de maioria muçulmana, necessita de uma constituição religiosa, uma proposta que contradiz um dos princípios fundamentais sobre os quais foi criada a república turca.

“A nova Constituição não deveria conter uma definição do laicismo. Só França, Irlanda e Turquia têm constituições que definem o laicismo. Nossa Constituição não deveria escapar a religião. Somos um país muçulmano”, disse então Kahraman.

Davutoglu se distanciou hoje das palavras do presidente da câmara.

“Na nova Constituição que preparamos, o laicismo aparecerá para garantir a liberdade religiosa dos cidadãos e para que o Estado seja equidistante com todos os credos”, ressaltou o primeiro-ministro.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, já se distanciou ontem das declarações de Kahraman e defendeu que o país siga sendo um Estado laico.

Erdogan disse que o presidente do parlamento expressou pontos de vista pessoais e não os da formação no governo, o Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP).

Desde que chegou ao poder em 2002, o AKP, fundado por Erdogan, é acusado por seus críticos de querer islamizar a sociedade turca.

Kemal Kilicdaroglu, o líder da principal formação opositora, o laico CHP, sublinhou que “o secularismo é a garantia da liberdade de culto” na Turquia e solicitou a renúncia do presidente do parlamento, que é membro do AKP.

A Polícia antidistúrbios teve que dissolver ontem um protesto de vários centenas de pessoas a favor do laicismo contra o parlamento turco.

“Não queremos uma Constituição da ‘sharia’, mas secularismo” ou “O laicismo ganhará”, foram alguns dos cântico dos manifestantes, que foram dispersados pela polícia com gás lacrimogêneo e bolas de borracha.

Desde que o AKP alcançou em novembro uma maioria absoluta no parlamento, uma das prioridades do governo é redigir uma nova Constituição que substitua à atual, criada após o golpe militar de 1980.

O AKP necessita do apoio parlamentar da oposição para aprovar uma nova Lei Fundamental, mas esta rejeita a criação de um sistema presidencialista que ambiciona Erdogan e que ampliaria seus poderes. EFE

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Fonte: Bol.com.br

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