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Delegação brasileira receberá tocha olímpica em Atenas

Atenas, 27 Abr 2016 (AFP) – A chama olímpica será entregue nesta quarta-feira, em Atenas, a uma delegação brasileira, no dia seguinte ao revezamento simbólico em um campo de imigrantes na região da capital grega.

Um refugiado sírio amputado por causa da guerra, Ibrahim al-Hussein, carregou na terça-feira a tocha dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 no campo de imigrantes, um símbolo de esperança em meio a uma das maiores tragédias humanas da atualidade.

Usando o uniforme oficial branco com mangas amarelas ‘Rio 2016’, o rapaz de 27 anos acendeu sua tocha com a chama do presidente do Comitê Olímpico grego, Spyros Kapralos, e foi muito aplaudido pelos demais refugiados do campo de Eleonas, que acolhe 1.620 pessoas numa zona industrial dos arredores de Atenas.

“É uma honra para mim, é maravilhoso, não apenas para mim, mas para todos os refugiados”, declarou al-Hussein, visivelmente emocionado.

Atrás dos dois homens, um bebê afegão foi carregado pelo pai, usando um chapéu com a menção “Open the borders” (abrem as fronteiras, em inglês).

Em janeiro, quando visitou o campo, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, prometeu que um dos revezadores será um refugiado.

Na ocasião, o dirigente também havia anunciado a criação de um time de refugiados, que participará dos Jogos do Rio sob a bandeira olímpica.

“Temos que enviar uma mensagem de esperança e confiança e chamar a atenção sobre o problemas de 60 milhões de refugiados ao redor do mundo”, tinha afirmado Bach.

– Eletricista e garçom -Ibrahim Al-Hussein foi escolhido para percorrer os 200 m com a tocha por ter o perfil ideal. “Os organizadores queriam um refugiado que, além ter obtido o asilo, seja um grande atleta”, ressaltou o Alto Comissariado dos refugiados da ONU (UNHCR) en Atenas, que foi responsável pela seleção do revezador.

Eletricista de formação, Ibrahim al-Hussein, que nasceu na zona de Dier Ezzor, uma das mais tumultuadas da Síria, perdeu o pé direito num bombardeio.

Mesmo assim, ele resolveu fugir do seu país em busca de uma vida melhor na Europa, deixando para trás sua família de 13 irmãos.

O refugiado chegou à Grécia há dois anos, em meio ao fluxo de um milhão de migrantes que chegou ao país, depois de uma travessia curta, mais muito perigosa, a bordo de um pequeno barco inflável, desde o litoral turco.

Ibrahim já participou de competições de natação na Síria e também foi judoca. Hoje, ele continua nadando e joga basquete em cadeira de rodas.

Trabalhando como garçom num restaurante, ele treina três vezes por semana com a associação beneficente ALMA, que auxilia atletas com deficiência, em um complexo construído para os Jogos Olímpicos de Atenas-2004.

Carregar a tocha olímpica “é uma honra, um sonho de mais de vinte anos que virou realidade”, comentou o refugiado, em entrevista publicada no site do UNHCR.

– Tocha rumo ao Brasil -Cerca de 54.000 migrantes estão hoje na Grécia, sendo que 8.000 que chegaram desde o dia 20 março devem voltar para Turquia, depois de um acordo controverso entre Ancara e a União Europeia.

Os demais estão presos na Grécia por causa do fechamento das fronteiras do norte, do país, principalmente com a Macedônia.

A chama olímpica foi acesa na última quinta-feira, na antiga cidade de Olímpia, e percorre desde então várias regiões da Grécia.

Depois do percurso no campo de Eleonas, a tocha passará a noite no museu da Acrópole, antes de ser entregue à delegação brasileira na quarta-feira, no estádio de Atenas que foi palco dos primeiros Jogos da era moderna, em 1896.

A tocha ainda passará pela Suíça, na sede do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne, antes de atravessar o Atlântico para chegar ao Brasil no dia 3 de maio, em Brasília.

O percurso de 20 mil quilômetros passará por mais de 300 cidades brasileiras, com 12.000 revezadores, até a cerimônia de abertura dos Jogos, marcada para o dia 5 de agosto, no Maracanã.

hec-od/es/lg

Fonte: Bol.com.br

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