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"Deus é mais uma pergunta que uma resposta", diz ator Morgan Freeman

Assim como Beatriz Segal odeia ser chamada de Odete Roitman, o ator Morgan Freeman também detesta quando as pessoas o chamam de Deus — papel que ele interpretou em “Todo-Poderoso” (2003) e em sua continuação “A Volta do Todo Poderoso”.

“Me irrita muitas vezes, dependendo do contexto”, disse ele durante entrevista de lançamento da série documental “A História de Deus”, no ar no Brasil pelo canal pago NatGeo a partir deste sábado (9), às 22h30.

Mesmo assim, a reportagem do UOL retomou seu histórico neste personagem e, agora, sua experiência neste documentário, para questionar se, após tanta pesquisa e investigação sobre o tema, Deus é mais uma pergunta ou mais uma resposta.

“Para mim ainda é ainda uma questão. Deus é uma resposta em muitas partes do mundo, especialmente entre as três religiões com que temos mais familiaridade. Deus é o verbo, ele é, ele faz… Em outras partes, as pessoas nem lidam com isso. Não há um deus. É você, somos nós. No hinduísmo, por exemplo, a criação não tem nada a ver com Deus. Primeiro veio a criação, depois o homem e só então veio Deus. Quando você pergunta aos monges budistas, eles dizem que o divino está em nós”, diz o ator.

Originário do Mississipi, Freeman foi criado entre as tradições e cânticos da igreja afro-americana. A mãe tocava piano.

“Quando vi pela primeira vez uma mulher falando em línguas, tomei um susto, mas gostava da música. Era entretenimento para mim. Mas minha primeira pergunta para Deus foi quando eu tinha 13 anos. Eu me lembro de ter entrado para esse clube chamado IAH (I Am His, que significa Eu sou Dele), onde comecei os estudos da Bíblia. A pergunta foi: ‘Quem é Deus?'”

E qual a resposta? “Se você pergunta a uma pessoa: ‘Quem é Deus?’ Um vai dizer: ‘Deus é amor’, ‘Deus é você’, ‘eu não sei’, ‘Deus está em mim’, ‘Deus é tudo’. E todas são respostas legítimas. Minha resposta é: Sim, Deus existe. Onde quer que exista vida, existe Deus. Tá bom pra você?”

O documentário, que passa por sete países e 20 cidades, no entanto, não se limita a apenas pesquisar a origem de Deus, mas também mostra questões científicas levadas a religiosos, como sua explicação para o Big Bang. Além disso, em um dos episódios, o ator investiga as possibilidade de vida eterna por meio do download da mente humana.

“Colocaram eletrodos na minha cabeça para procurar por Deus. Ela está lá!”, disse Freeman, invertendo o gênero que é comumente associado à divindade.

A parte mais incômoda, no entanto, é quando ele confronta assassinos para entender outra origem: a do mal.

O UOL perguntou a Morgan Freeman por que, em sua opinião, Deus é usado para praticar o mal e a intolerância. Ele respondeu que isso não é Deus.

“Um das principais deficiências no ser humano é a arrogância. A arrogância que eu tenho a resposta correta e que qualquer resposta que você tenha é errada. Então, trata-se de um erro humano.”

“É muito estranho como somos ignorantes sobre as outras religiões. Quando estávamos em uma mesquita, vimos uns afrescos que retratavam a vida de Jesus Cristo e eu perguntei ao nosso guia se, pelo fato de estarmos em uma mesquita, aquelas representações não deveriam estar cobertas. Ele disse que não. Jesus é vida, e embora ele seja apenas um profeta, faz parte de nossa tradição. E eu me senti muito ignorante”, completou a produtora Lori McCreary.

Fonte: Bol.com.br

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