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Diretor atribui sucesso de musicais biográficos ao inconsciente coletivo

Os musicais biográficos, especialmente sobre cantores, músicos e artistas brasileiros, estão na moda. Desde “Tim Maia – Vale Tudo”, que em 2011 lançou Tiago Abravanel ao estrelato, interpretando o “síndico”, já vieram Elis Regina, Cazuza, Cássia Eller, Wilson Simonal, Charlie Brown Jr., Claudia Raia e Charlie Chaplin. “Mamonas, o Musical” e “Rita Lee Mora ao Lado”, que está de volta em São Paulo com Mel Lisboa no papel-título, contam com sessões lotadas.

Para José Possi Neto, diretor do musical “Mamonas Assassinas”, a causa principal do sucesso dos musicais biográficos é a linguagem. “A causa principal desse sucesso é por se tratar de musicais brasileiros, linguagem brasileira, referências culturais brasileiras, música brasileira, enfim, um repertório presente no inconsciente coletivo do nosso público, portanto, de mais fácil identificação”.

O ator, cantor e dançarino Ruy Brissac, que há um mês encarna o vocalista Dinho, dos Mamonas Assassinas, diz que a febre dos biográficos serve para relembrar pessoas que foram ou ainda são importantes, que fizeram história, principalmente na nossa cultura, e merecem uma homenagem. “Montagens da Broadway não têm essa troca de sentimentos, não tocam tanto o público. A gente chega e troca muita energia”, analisa o artista de 27 anos. “Tem ido todo tipo de público, fãs, curiosos, quem não teve tanto contato com a banda, jovens, senhores. Muitos vão para ver se realmente sou tão parecido com o Dinho e ficam meio em choque”. 

“Vi todos os vídeos do YouTube”

Ruy já cantou em coral, participou de grupo de teatro e teve uma banda de rock na adolescência, mas nunca havia pensado em ser cover. De musicais, só tinha atuado em peça infantil, o “Palavra Cantada”, onde fez de tudo. “Fui swing, zangão, nabo. Até o nabo eu fiz”, diverte-se. Ele recorda que tinha 6 anos quando os Mamonas estouraram e que conheceu pouco deles. “Lembro muito da música do ‘Sabão Crá-Crá’, minha mãe não ligava muito que eu ouvisse, e também da morte deles. Parece que, quando aconteceu o acidente, o mundo parou. Foi bem forte, achei que fosse mentira. E agora nem precisei parar para decorar as músicas, já sabia praticamente todas, o processo foi todo muito rápido e gostoso”, conta Ruy.

O protagonista diz que ele e os quatro companheiros do musical se deram tão bem que parece que o grupo já se conhecia. “Nos entrosamos legal, já somos uma boy band”, brinca. Para viver Dinho no Teatro Raul Cortez, no bairro Bela Vista, Ruy comenta que ter visto vários vídeos dos Mamonas foi essencial. “Ensaiei oito horas por dia, de segunda a sábado, por dois meses. Ao chegar em casa, ainda assistia aos vídeos e a um documentário sobre eles para pegar os trejeitos e o comportamento do Dinho. Vi tudo o que existe no YouTube sobre eles, e os fãs também me ajudaram, enviando vídeos de como eles eram na vida real, fora dos personagens. Só que o Dinho era aquela pessoa sempre, em qualquer lugar, brincava o tempo todo, era muito elétrico”, define o ator.

“O Musical Mamonas” conta desde o início da banda, batizada primeiro de Utopia, e não menciona o acidente. “É um final sucinto, cada um sai com o sentimento de que acabou. Todo mundo já sabe o que aconteceu, como foi, não precisa relembrar a tragédia, apenas a alegria. E foi isso que as famílias elogiaram muito: a mãe do Dinho disse que tem mesmo é que mostrar a parte boa, e não sair chorando”, ressalta Ruy, que deve ficar em cartaz na capital paulista até o meio do ano, quando segue para o Rio e, depois, em turnê pelo país.

Estudo, mas sem imitação

Mel Lisboa conta que estudou Rita Lee por dois meses e meio antes da estreia. “Busco não imitá-la, deixei que meu corpo fosse absorvendo aquelas informações. E é incrível viver as dores e as delícias de tentar ser Rita Lee. No processo, passava os dias vendo vídeos, fotos, ouvindo músicas, lendo, pesquisando. Estive pessoalmente com ela só uma vez, quando fui ao lançamento do livro dela com Laerte. Minha preparação foi mais platônica, observando-a de longe, estudando-a, respirando-a”, resume Mel, que apresenta no palco diferentes momentos da vida e da carreira da cantora. “Procuramos mostrar a Rita menina, jovem, criadora incansável, mulher e, claro, a artista única que ela é.”

A atriz nunca havia feito um musical e teve que se preparar muito para soltar a voz ao vivo. “Fiz e ainda faço aulas para cantar parecido com ela. Em 2011, tive um calo nas cordas vocais e, em 2014, já estava curada, mas ainda tomo muito cuidado. Minha intenção é nunca decepcionar e, se possível, fazer o público acreditar, pelo menos por um instante, que é a Rita Lee quem está no palco do teatro, não eu”, diz Mel.

Rita Lee foi assistir ao musical duas vezes, há dois anos. “Foi sensacional, emocionante. Ter o aval dela, da nossa homenageada, foi o maior prêmio que pudemos ter. Na primeira vez, eu não sabia que ela estava na plateia, só me avisaram no final. E agradeço por isso, senão teria ficado muito nervosa. Mas, quando ela voltou e levou o marido, Roberto de Carvalho, foi o meu maior presente. A Rita disse, entre outras coisas: ‘Adorei! Mel, você me faz melhor que eu mesma. E eu ainda estou viva para ver'”, lembra a atriz.

Na opinião da atriz, os espetáculos biográficos trazem muito da história da nossa música, cultura, do país, e o público se vê refletido na história. A trajetória do artista se mistura a da plateia.

Fritz Nagib

Badi Assad será protagonista do musical sobre Inezita Barroso

Projeto ‘Inezita’

Ainda em fase de captação de recursos, o musical “Inezita” pretende contar a história da dama da música caipira Inezita Barroso, que morreu em março do ano passado, aos 90 anos. No fim de 2015, o projeto foi autorizado a captar quase R$ 3 milhões via Lei Rouanet, mas, segundo o produtor Deco Gedeon, que assinará a direção de produção ao lado de Edinho Rodrigues (também produtor de “Rita Lee”), as captações não estão acontecendo como o planejado. “A crise econômica no nosso ramo é muito palpável, mas vai passar. Estamos focando a captação em setores mais saudáveis, mas, lamentavelmente, hoje são poucos”, diz.

Badi Assad, cantora e violonista que vai protagonizar o espetáculo, acredita que os musicais biográficos servem para olhar para a vida das pessoas, deparar-se com suas dificuldades humanas e descobrir o que elas fizeram para superá-las. “E também para descobrir o que esses artistas fizeram longe dos palcos, no caminho pessoal. As pessoas estão carentes de ídolos relevantes, que tenham histórias inspiradoras e com conteúdo. Que nos tragam alento, esperança e motivação em um momento tão cheio de tecnologia, mas desprovido de alma”.

Fonte: Bol.com.br

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