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Escola do NE com boa nota tem participação e foco em resultado, diz estudo

Uma pesquisa realizada pela Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), ligada ao Ministério da Educação, em escolas públicas do Nordeste com alto Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2011 mostra que o segredo é a união de dois elementos: gestão participativa e foco em resultados.

“Quando perguntamos aos professores qual era o segredo de terem conseguido um bom resultado, eles responderam que era a participação dos pais, o comprometimento da equipe, a construção de uma linguagem comum, a gestão democrática a partir de um objetivo claro e objetivo, e a questão da formação dos docentes”, diz Verônica Fernandes, coordenadora da pesquisa.

O estudo, qualitativo e quantitativo, ouviu diretores de 36 das escolas com mais alto Ideb 2011 em 36 municípios do Nordeste. Para chegar a esse número, os pesquisadores só consideraram as unidades em que o responsável estava na direção à época da prova. Além disso, nem todos puderam participar dos grupos focais presenciais realizados pelos pesquisadores.

O levantamento mostra que das 36 escolas 86% têm conselho escolar e 92% possuem projeto político pedagógico. “Para a pesquisa, consideramos gestão democrática a voltada para a valorização do pensamento crítico, com uma postura dialógica, um compromisso pela democracia, o respeito às diferenças, a construção de projetos de forma coletiva”, diz a pesquisadora.  

Foco em notas altas

Por outro lado, essas escolas mostraram que trabalham com o foco em obter boas notas.  Fazem simulados, treinam alunos e professores com provas anteriores e, em muitas redes, são também avaliados a partir de exames locais para medir o desempenho. “Muitos diretores disseram que fazem um monitoramento contínuo e um acompanhamento sistemático da evolução do aluno com foco nos elementos que vão ser cobrados nas provas”, afirma Fernandes.

Nesse item, a pesquisadora aponta o peso das bonificações dadas a escolas e a professores com bom desempenho em algumas redes de ensino. “Houve um debate muito grande em torno disso [entre os diretores que participaram dos encontros]. Alguns diretores disseram que separam alunos por nota. Acredito que é preciso ter cuidado, a escola tem que ser inclusiva, não pode simular uma competição entre os alunos para não perder o bônus”, diz a pesquisa.

Para Fernandes, os impactos do bônus e a pressão por resultados em algumas redes ainda precisam ser mais estudados. “Esse não era o objeto da pesquisa, apareceu em um grupo focal. Acho que essa questão exige uma avaliação”, afirma.

Uma região de desigualdades

A pesquisa da Fundaj também mostra as diferenças de desempenho entre escolas públicas no Nordeste. Isso porque em alguns Estados a nota máxima era 8, enquanto em outros a melhor escola tinha tirado 4 no Ideb 2011.

“O primeiro filtro da pesquisa foi buscar as 20 melhores escolas de cada Estado e encontramos realidades bem diferentes. Nos Estados com desempenho mais baixo, entre os problemas colocados pelos gestores, estavam a violência e o pouco apoio da secretaria de Educação. A gente viu que o esforço nesses casos era muito mais do gestor do que do município”, afirma.

No último Ideb, realizado em 2013, o Ceará foi o quarto Estado mais bem colocado do Brasil, com média 4,4 nos anos finais do ensino fundamental. Na outra ponta, Alagoas (3,1), Sergipe (3,2) e Bahia (3,4) ocupavam as últimas colocações na mesma etapa de ensino.

Fonte: Bol.com.br

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