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Esquema usado por Bumlai e mensalão ocorreram ao mesmo tempo, diz Lava Jato

O esquema de corrupção investigado pela nova fase da Lava Jato aconteceu ao mesmo tempo que o mensalão, segundo integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

A afirmação foi feita durante entrevista coletiva nessa sexta-feira (1) em Curitiba para contar mais detalhes sobre a 27ª. fase da Lava Jato, chamada de Carbono 14.

A nova operação da Lava Jato aprofunda investigações de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Schahin, o PT, a Petrobras e o empresário paulista. Duas pessoas foram presas nessa sexta (1): o ex-secretário do PT Silvio Pereira, o Silvinho do PT, e o empresário paulista Ronan Maria Pinto, dono do jornal “Diário do Grande ABC”.

Mensalão era o esquema de pagamento de propina a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo. Foi o principal escândalo no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deflagrado em 2005.

“Há realmente, do meu ponto de vista, alguma ligação. Não é o mesmo esquema, mas são esquemas relacionados. Se você observar a época dos fatos, esse esquema do mensalão consistia em empréstimos fraudulentos junto ao banco rural e ao Banco BMG em troca de favores do governo”, afirmou afirmou o procurador da República, Diogo Castor de Matos. “Posteriormente, as instituições financeiras eram agraciadas com algum favor do governo federal. O Banco Schahin era uma situação parecida. Estamos analisando fatos de outubro de 2004, o mensalão veio à tona em maio de 2005. Esse esquema ocorreu concomitantemente ao mensalão, então por isso você vai ter alguma recorrência de alguns personagens, como o Marcos Valério. Segundo o Marcos Valério, o Silvio Pereira (ex-secretário do PT) teria o procurado em 2004 para operacionalizar mais o esquema de capitais”, completou o procurador da República.

A nova operação, intitulada Carbono 14 em referência a procedimentos utilizados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos. Como os casos ocorreram em datas próximas, o próprio Ministério Público Federal reconhece que alguns nomes – como José Dirceu, Marcos Valério e Sílvio Pereira – aparecem nas duas investigações.

Segundo a investigação da 27ª. fase da Lava Jato, o Banco Schahin teria concedido um empréstimo de R$ 12 milhões para a quitação de dívidas do PT. Neste momento, segundo depoimentos, José Dirceu conversou com Salim Schahin para viabilizar o empréstimo.

“O senhor José Dirceu teria telefonado ao senhor Salim Schahin na época em que estava sendo tratado do empréstimo para falar de banalidades. Ele não teria falado do empréstimo, mas segundo o senhor Salim Schahin, não haveria razão plausível para receber essa ligação do então ministro-chefe da Casa Civil”, afirmou Diogo Castor de Matos. “Ele (Dirceu) é mencionado por alguns como uma pessoa que teve uma participação na obtenção do empréstimo junto ao Banco Schahin. Mas, por enquanto, não há nada conclusivo”, completou o procurador.

Celso Daniel

Os promotores disseram que essa fase da operação visa apenas o crime federal de lavagem de dinheiro, sem qualquer relação com o assassinato do prefeito Celso Daniel.

“Basicamente o objeto de nossa investigação é o crime federal de lavagem de dinheiro. Nosso objeto é mais restrito que poderia ser da Justiça Estadual de São Paulo, investigamos aqui o crime de gestão fraudulenta do Banco Schahin. Os demais desdobramentos referentes a Santo André, cabe ao MP estadual. Em princípio, nosso objetivo é esclarecer a lavagem de dinheiro”.

Celso Daniel foi sequestrado no dia 18 de janeiro, uma sexta-feira, ao sair de um restaurante na zona sul de São Paulo. Seu corpo foi encontrado dois dias depois em uma estrada de Juquitiba, na região metropolitana.

Fonte: Bol.com.br

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