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Estreante no cinema, indiano que interpreta novo Mogli fez aulas de parkour

“Ele pode comer cookies e tomar leite enquanto dá a entrevista?”. Foi assim que o garoto Neel Sethi, hoje com 12 anos e fazendo sua estreia no cinema como o protagonista da nova versão de “Mogli, o Menino Lobo”, recebeu a reportagem do UOL durante o lançamento do filme, em Los Angeles.

Disperso como uma criança de sua idade, Sethi relata com adjetivos como “cool” e “awesome” (algo como “legal” e “incrível”) a experiência de viver o menino que foi criado por lobos e por uma pantera negra (Begheera, interpretada por Ben Kingsley). Para ele, que é indiano e vive em Mumbai, o processo também foi uma grande aventura.

E, mesmo sendo uma criança, participou ativamente das cenas de ação. Ele contou que teve de aprender o parkour, esporte em que pessoas escalam, pulam e escorregam por obstáculos urbanos. “Tive que aprender parkour porque eu passo muito tempo do filme correndo de um tigre. Mas eles acabaram percebendo que eu não precisava de aulas porque eu já vivo correndo e pulando a minha vida toda mesmo”, disse Sethi, que no futuro pretende ser “ator, dentista e jogador de futebol”.

Segundo o diretor Jon Favreau, Sethi foi escolhido entre os 2.000 meninos que fizeram teste para o papel por já ter vindo equipado com habilidades que não se ensina a atores. “Algumas dessas coisas que não se pode ensinar, Neil tem de sobra: carisma, empatia. Ele me fazia rir nas filmagens e me lembrou em muito o personagem do desenho. O jeito de se mover, de falar, cauteloso e confiante ao mesmo tempo. Como ele não era ator, para ele era tudo uma grande brincadeira, o que era para o Mogli também”.

A hiperatividade de Sethi não é o único aspecto marcante de sua personalidade. O garoto também faz análises impactantes para um garoto de sua idade, que mostrou ao ser questionado sobre se Shere Khan –o tigre vivido por Idris Elba e que persegue Mogli durante todo o filme– tinha seus motivos para odiar humanos.

“Acho que [Shere Khan] tem sim suas razões. Meu pai [no filme] o queimou e, se eu fosse queimado por algum animal da floresta, eu não gostaria de ter aquele animal ao meu redor. Mas, ao mesmo tempo, ele é muito insensível porque ele acha que a morte é a única maneira de não ter aquela pessoa por perto”, avalia o garoto, entre um mordida no cookie e um gole de leite. “Não acho que eles pudessem ser amigos. Mas acho que eles não precisavam ter essa rixa. Eles poderiam ser respeitosos um com o outro.”

“Siga sua natureza”

Jon Favreau, que tem no currículo a produção dos três volumes da série “Homem de Ferro”, afirmou que seu trabalho em “Mogli” tem como objetivo levar ideias específicas às crianças. “Um dos temas é ‘seja quem você é, siga sua natureza’. O outro é ‘como nos encaixamos na natureza’; também quero levar às crianças a ideia de que tudo que determinarmos hoje definirá como nosso planeta ficará no futuro e a mensagem de todo mundo trabalhando junto”, disse ele.

Para Favreau, mesmo que o filme se passe na Índia, tem algo muito americano nele. “O que faz este país grande é o fato de termos gente de todas as partes que se juntam e formam uma comunidade. Mas, no decorrer de nossa história tem gente que é contra isso e começa a fomentar o medo. A ideia de Mogli ser chutado para fora do mundo animal por não ser parte dele é um aspecto interessante a ser explorado agora”, afirmou o diretor.

Favreau também mudou algumas tramas da animação de 1967, por exemplo a forma como Mogli derrota seu inimigo. No filme original, o garoto usa o fogo para sobrepujar a fera. Mas o diretor não gosta da mensagem que isso passa.

“Eu queria que ele estivesse no filme fazendo algo que fosse humano e que o fizesse se manter como o estrangeiro dali. E, nesta linha, usar o fogo para vencer a luta sempre foi uma não opção. Porque isso apenas reforça esse ímpeto humano de vencer de forma destrutiva. Nossa relação com a natureza está mudando. Ao mesmo tempo, quis que ele pudesse agir como humano, construindo ferramentas elementares, que um menino que cresceu na mata pudesse ter aprendido a fazer com base em sua própria inteligência. Quando Balou [o urso, vivido por Bill Murray] o incentiva a fazer isso e diz ‘seja quem você é’, Mogi está vivendo sua própria natureza”, diz Favreau, que também alterou o final da história.

Nem parece animação

Um dos aspectos mais fascinantes desta nova versão do clássico da Disney é o hiper-realismo, que tem sido bastante explorado em outras produções da Disney/Pixar, como “Zootopia” e “O Bom Dinossauro”. Mas o diretor disse que há outras produções que foram usadas como base, como “Gravidade”, “Avatar”, “As Aventuras de Pi” e os clássicos “Branca de Neve”, “Bambi” e “O Rei Leão”.

Segundo ele, o maior elogio que pode receber sobre esse filme é o de que os efeitos são imperceptíveis. “A chave disso é a interação. Pegar uma criança de verdade, fazê-la enfiar os dedos nos pêlos de um lobo virtual e vê-los se tocando é algo que não se vê muito. A tecnologia desaparece porque eu não queria distrações da história que estava contando”, explicou o diretor.

Fonte: Bol.com.br

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