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Explosão em prédio no Rio era tragédia anunciada, dizem moradores

A estimativa é que morem 17 mil pessoas no conjunto. Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil.
A estimativa é que morem 17 mil pessoas no conjunto. Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil.

Moradores do conjunto habitacional Fazenda Botafogo, no Rio de Janeiro, onde uma forte explosão na manhã desta terça-feira deixou cinco mortos, dizem que há pelo menos um ano sentiam um forte cheiro de gás no local, que fica no bairro Coelho Neto, às margens da Avenida Brasil.

“Todo mundo que mora nessa rua e quem a frequenta já reclamava de um cheiro de gás forte. Era uma tragédia anunciada. Pena que eles não quiseram evitar”, disse Ari Nunes de Oliveira, tio de um dos moradores do conjunto que perdeu a filha de 13 anos e a esposa.

A explosão ocorreu por conta de um vazamento na tubulação de gás da CEG, a concessionária fornecedora de gás canalizado do Rio de Janeiro. “Ela [a CEG] não nos ouvia por descaso, apenas isso. Essa é a verdade, disse Oliveira.

“Eu ouvi um barulho muito forte, realmente assustador e meu neto me acordou dizendo que tinha explodido alguma coisa e que o prédio ia cair. Eu já percebo esse cheiro de gás escapando há um ano. Mas a CEG dizia que não tinha nada. Fazer o quê, não é? Isso já se anunciava faz tempo”, disse Maria José Soares, moradora há mais de 40 anos do 4° andar do conjunto habitacional.

Tatiane Reis, que mora com suas duas filhas e o marido disse que não pretende voltar. “Nem pensar! Agora eu quero sair daqui. Não terei mais segurança e tranquilidade para morar num local que acontece esse tipo de coisa. Graças a Deus não aconteceu nada comigo e com a minha família, mas não vou pagar pra ver”

De acordo com o subsecretário municipal de Defesa Civil, Marcio Motta, o prédio poderá voltar a ser habitado futuramente, já que a estrutura não foi abalada e não há risco de desabamento “Não existe essa possibilidade [de desabamento]. O que houve foi um rompimento do piso no pavilhão 1, que é o primeiro andar, e na laje do condomínio. Um dos pilares de sustentação também sofreu um leve abalo, mas nada que não possa ser restaurado e garantir a segurança das pessoas no futuro”, garantiu Marcio Motta.

A prefeitura do Rio informou que vai prestar todo o apoio necessário às famílias das vítimas da explosão no prédio número 38 do conjunto habitacional. Após reunião com os moradores, o prefeito Eduardo Paes anunciou que a prefeitura fará obras emergenciais no edifício e pagará uma ajuda de custo de R$ 1 mil por mês a cada família atingida.

Além disso, enquanto durarem as intervenções, o município vai arcar com a hospedagem em hotel para os que não tiverem acolhimento de familiares. “Nós pedimos que os moradores que possam ficar na casa dos parentes, assim o façam. Quem não pode, a Prefeitura se compromete a pagar a hospedagem em um hotel que tem aqui perto. De imediato, já trouxe uma empresa pra assumir a obra do prédio e vamos dar uma ajuda de custo para essas famílias no período que essa obra não estiver pronta”, disse Paes que criticou a demora da CEG em agir: “isso ocorre pela lentidão da companhia de gás em se posicionar. Não dá para deixar as pessoas aqui, sofrendo. Eles [CEG] terão que pagar pelos seus atos”, disse o prefeito.

O conjunto habitacional Fazenda Botafogo foi inaugurado no final da década de 70 e tem 86 prédios com 40 apartamentos cada. A estimativa é que morem 17 mil pessoas no conjunto.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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