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Exposição no Museu Murillo La Greca expõe os significados da palavra Cariri

Esta é a primeira exposição de Carlos Mélo na cidade após quatro anos. Crédito: Maíra Martions/Divulgação
Esta é a primeira exposição de Carlos Mélo na cidade após quatro anos. Crédito: Maíra Martions/Divulgação

Cariri significa calado, silencioso, taciturno. Germinada do tupi-guarani kiri’ri, a palavra designa a principal família de línguas indígenas do Sertão do Nordeste do Brasil, cuja ascendência é reivindicada por tribos contemporâneas como as pernambucanas truká, atikum e pankará. Cariri remete, ainda, à região marcada pela presença do povo cariri e pela Guerra dos Bárbaros (série de confrontos entre colonizadores portugueses e etnias indígenas nas capitanias do Nordeste brasileiro no século 17), imortalizada em canções como Pau-de-arara (Luiz Gonzaga e Guio de Morais), Cariri (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e Meu cariri (Dilú Mello e Rosil Cavalcanti)

Os sentidos do vocábulo são ponto de partida – e desfecho – da mostra Cariri: A palavra vista por dentro, cuja abertura ocorre hoje, das 19h às 21h30, no Museu Murillo La Greca, no Parnamirim. Entre fotografias, performance e vídeo, o artista plástico Carlos Melo investiga as definições de cariri e as oferta ao público, esmiuçadas, até o dia 8 de maio. Construída a partir de expedição do artista aos rincões de Pernambuco, da Paraíba e do Ceará, a exposição resulta, nas palavras dele, da “coleta de gestos, imagens e documentos”, a fim de nutrir conceitos em torno do vocábulo que dá nome ao projeto – sendo “língua”, “tribo” e “lugar” os três principais.

A palavra e suas manifestações na paisagem e na identidade do povo que a verbaliza são alguns pontos observados por Melo, cujas pesquisas e jornada foram contempladas pelo Edital de Artes Visuais da Prefeitura do Recife. Momentos da passagem dele pelos três estados são materializados em fotografias, enquanto o artista dubla texto do crítico de arte francês Pierre Restany (Manifesto do Rio Negro) em único vídeo de 11 minutos de duração, narrado pela atriz Renata Sorrah. O texto lança olhar sobre questões ambientais relacionadas à Amazônia. o artista protagoniza, ainda, performance inspirada na quebra dos sentidos do termo cariri.

“É difícil repassar a mensagem da mostra, seus conceitos, em palavras. É preciso vê-la, ouvi-la, senti-la. Ela marca o retorno das atividades do museu [Murillo La Greca], e também o meu retorno ao calendário de exposições do estado, onde não organizo mostra há cerca de quatro anos. Nesse momento tão importante da nossa vida política e econômica, é imprescindível que esses conceitos sejam vistos com os próprios olhos”, convida Carlos Melo.

Duas intervenções e um retrato, desenvolvidos durante a residência e expedição do artista, foram propostos por ele e encarregados de sintetizar a polissemia, alma da mostra: na imagem, o conceito de “memória” se revela, enquanto as intervenções ressignificam a selvageria e a ancestralidade, além de acomodar “verborragia” (Melo “vomita” objetos de barro, porcelana, vidro e cerâmica, lançados de plataforma elevada sobre piso demarcado, a fim de questionar se língua é poder). Os vários significados do vocábulo são esmiuçados, bem como o vínculo entre homem e natureza, cercado pelas definições de cariri e pelos resquícios dos vários significados reverberados há séculos. A entrada é gratuita.

Cariri como…

Língua: principal família de línguas indígenas do Sertão do Nordeste do Brasil. Cariri vem da língua tupi-guarani e significa silencioso, calado. A língua foi falada até meados do século 20.

Tribo: subdividida em grupos de diversas denominações, de acordo com o dialeto falado. Os índios cariris eram originários da Ásia e chegaram ao Novo Mundo pelos rios Amazonas e Tocantins. A nação cariri chegou ao sul do Ceará nos séculos 9 e 10.

Lugar: toda a região marcada pela presença dos cariri e pela Guerra dos Bárbaro. Isso está assinalado no extenso do cariri oriental e cariri ocidental, respectivamente nas divisas entre Paraíba e Pernambuco e entre Paraíba e Ceará.

SERVIÇO

Quando: Abertura hoje, das 19h às 21h30. Visitação: até 8 de maio, de terça a sexta (9h às 12h e 14h às 17h), sábado e domingo (14h às 17h)
Onde: Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366, Parnamirim)
Quanto: Entrada gratuita
Informações: 3355-3126

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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