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Google descentraliza negócio do Vale do Silício com escritório de engenharia no Brasil

Os quatro andares do novo endereço ocupado pelo Google no Brasil se dividem para o trabalho e lazer. Situado no centro de Belo Horizonte, Minas Gerais, os quatro mil metros quadrados do edifício Boulevard Corporate Tower, são ocupados por pouco mais de 100 funcionários. O local foi apresentado para a imprensa e parceiros na manhã desta segunda-feira e está com vagas abertas para engenheiros.

Único dedicado de forma exclusiva a projetos e desenvolvimento de buscas na América Latina, o foco do centro mineiro será melhorar serviços do motor de pesquisas. Ao todo o Google tem em sua “biblioteca” 60 trilhões de páginas da web que ocupam mais de 100 milhões de gigabytes. “Um dos dez resultados de buscas no Google, feitas em qualquer parte do mundo, tem contribuição de código escrito em Minas Gerais. Esse é o tamanho do impacto deste centro de engenharia e mostra que os talentos estão por toda parte e não só concentrados em um único estado ou cidade”, explica o diretor de engenharia do Google para América Latina, Berthier Ribeiro-Neto.

Além dos trabalhos em resultados de localização, a equipe de especialistas ainda vai atuar nas pesquisas sobre saúde, que atualmente representam 5% do tráfego global do Google. Para enviar as respostas de uma busca sobre determinada doença, por exemplo, o site passou a exibir uma espécie de etiqueta nos resultados que, identificadas por hospitais e órgãos oficiais, junto a uma combinação de algoritmos criam informações médicas licenciadas. “Dificilmente alguém que procura um sintoma ou doença vai ler um artigo científico sobre aquilo, que seria uma fonte mais confiável. Então essa opção permite uma informação validada e revisada por médicos que seja acessível e útil”, explica o engenheiro responsável pelo setor, Frederico Quintão.

Outro fruto do trabalho desses engenheiros foi a reformulação nos códigos que permitem melhores resultados quando a busca é feita por duas palavras com diferentes significados. O novo sistema proposto pelo cientista da computação Bruno Pôssas, que é o atual engenheiro-chefe do escritório do Google, permite que a busca por “Belo Horizonte”, por exemplo, exiba páginas e sites relacionadas a capital e não somente aos dois comandos separadamente, como fotos aleatórias de horizontes. “Com o novo código serão analisadas a localização do usuário, a relevância de um determinado termo e também as palavras coloquiais que podem ser usadas em uma busca por voz”, explica Pôssas.

Apesar de não divulgar número de investimentos locais, a companhia tem presença em Belo Horizonte desde 2000, quando adquiriu a empresa de tecnologia da informação, Akwan Information. “De lá para cá o cenário mudou bastante, mas podemos olhar para o futuro, continuar apostando na inclusão digital, emprego de bom nível e democratização do acesso”, diz o diretor de engenharia do Google para América Latina, Berthier Ribeiro-Neto.

Segundo Berthier, há vagas contínuas para engenheiros no novo escritório. “Nós temos um compromisso de investimento continuado. Nosso objetivo é dobrar o número de funcionários nos próximos anos. Acreditamos que neste momento do país podemos ter um ecossistema de inovação fortalecido, de alto nível que impacta no desenvolvimento como um todo, contribuindo com a comunidade local e universidades”, conta.

Com um ambiente similar ao que é a sede do Google nos Estados Unidos, o prédio do centro de engenharia tem ambientes coletivos, como salas de jogos, de videoconferência, restaurante e ainda sala para yoga e escritório, único ambiente restrito a fotografias. A decoração do espaço é inspirada na natureza e inclui projeto paisagístico com plantas do cerrado e temperos minerais que seguem o modelo de uma tabela periódica.

A engenheira Camila Matsubara, de 24 anos, está há três anos no Google e saiu de São Paulo para trabalhar no centro. “Eu não pretendia trabalhar no Google, sempre achei muito difícil entrar e realmente é. Mas em 2012 comecei e hoje trabalho tanto nos projetos de busca, como em ações de inclusão e grupos de diversidade, como o AfroGooglers e Women@, que servem de incentivos para que mais negros e mais mulheres, que ainda tem uma participação pequena, estejam integrados na tecnologia”, explica Matsubara.

Ainda presente no evento de apresentação, o secretário nacional de inovação e novos negócios do Ministério de Desenvolvimento e Comércio, Marcos Vinícius de Souza, afirmou que essa aposta do Google é uma forma de enxergar o país a longo prazo.

“O retorno vai ser maior que o risco, com certeza. Houve uma reestruturação, uma mudança de estratégia e agora a Secretaria vai atuar na área da economia digital e o Google será grande parceira”, afirmou o secretário.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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