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Hora do vovô: pelada de velhinhos proíbe jovens "chatos" modernos

As rugas marcadas no rosto denunciam o passar dos anos. Mas se não fossem esses pequenos detalhes chamados linhas de expressão nem daria para perceber que esses velhinhos já passaram da casa dos 60, alguns até dos 70 ou 80. Basta olhar para o campo. Lá estão eles aguentando firmes dois tempos de 90 minutos debaixo de um sol forte. De fazer inveja a muito moleque.

Aliás, moleque ali só para olhar mesmo porque menores de 50 anos não entram na Hora do Vovô, um time de várzea da melhor idade que se reúne toda quarta-feira de manhã em Guarulhos.

A ideia é inverter a lógica da sociedade. Se as portas se fecham, eles as abrem sem cerimônia. O time foi criado em 2001, justamente porque os atletas não tinham mais espaço nas peladas dos clubes tradicionais e queriam continuar praticando esportes. Na verdade, queriam continuar vivendo.

“A idade limita no esporte, infelizmente. Hoje um profissional de 30 anos não serve para grandes times, imagina eu com 70, tenho jogador de 80, jogador de 79, tudo correndo ainda. Isso é um prazer que eu tenho. Quantos estão internados no asilo, quantos estão, neste momento, querendo estar conosco, mas não tiveram a sorte que nós temos”, conta José Benedito dos Santos, mais conhecido como Paulista, o fundador do time que já tentou a vida como atleta na juventude.

Agora, eles continuam abrindo mais e mais portas. Na última quarta-feira, quando a reportagem do UOL Esporte acompanhou um jogo da equipe, lá chegou um senhor vestindo roupas esportivas e com um recorte de jornal na mão. Tinha lido uma matéria sobre o time e queria jogar. Foi muito bem-vindo. Antes mesmo de entrar em quadra, o papo rendeu com alguns integrantes e deu para perceber um clima de nova amizade.

No campo, eles esbanjam disposição até para brigar. O juiz é um dos mais xingados. Mas as críticas mais ferrenhas que eles fazem é à juventude de hoje em dia, esses jovens modernos que só querem saber de computador e celular. Viciados em internet.

“O futuro dessas crianças… você vê criança jogando bola na várzea, na rua? Não tem mais, só tem televisão. Eles vão com os pais no clube, em vez de se deliciarem na piscina, ficam no celular, estão todos viciados. Esse é o mundo que vamos viver? Inverteram os valores, infelizmente. Está faltando amor, amor, amor”, brada Paulista.

O zagueiro Mairiporã, de 65 anos, concorda com o amigo. “Você vê a juventude de hoje, tudo gordo, né? Só no computador. Tudo o que fazem agora é computador e celular. Na nossa idade está tudo beleza, ninguém mexe com esse negócio de computador. Toma uma cervejinha e pronto”.

Cervejinha, aliás, que é obrigatória depois dos jogos, acompanhada de um bom churrasquinho que vai invadir a tarde afora. Nessas horas, o jogo se torna apenas um pretexto para amigos estarem juntos e fazer o bem.

As causas sociais são uma das bandeiras do vovô. A cada dois meses, eles fazem campanhas de doações para os mais necessitados, como leite para crianças e fraldas geriátricas para velhinhos. Até as regras do jogo os obrigam a ajudar o próximo. Quem for punido com cartão amarelo durante um jogo, tem que levar uma cesta básica para ser doada no jogo seguinte. Se for expulso, tem que levar três! E se não leva, não adianta brigar que não joga. Nada mais apropriado para o espírito desse time.

Fonte: Bol.com.br

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