Hospital Santa Joana Recife realiza primeira cirurgia com novos equipamentos de robótica

Prostatectomia (retirada total da próstata) realizada pelo robô-cirurgião Da Vinci foi considerada um sucesso pelo HSJR. Foto: Juliana Ângela/Divulgação
Prostatectomia (retirada total da próstata) realizada pelo robô-cirurgião Da Vinci foi considerada um sucesso pelo HSJR. Foto: Juliana Ângela/Divulgação

O Hospital Santa Joana Recife (HSJR) realizou, neste sábado, a primeira cirurgia após a implantação do robô-cirurgião Da Vinci, modelo S-HD, um dos mais modernos do mundo em tecnologia 3D. A intervenção foi uma prostatectomia (retirada total da próstata), em um caso indicado de câncer de próstata, de um paciente de 48 anos. A cirurgia durou 1h30 e o homem, que não teve a identidade revelada, passa bem e se encontra em recuperação para deixar o a unidade de saúde amanhã.

De acordo com o médico Gilberto Pagnossin, responsável pelo centro de robótica do HSJR, todo o procedimento cirúrgico realizado hoje foi considerado um sucesso. “Tudo ocorreu diante do que planejamos e o paciente está bem, estável, se recuperando. Nosso cronograma era realizar mais uma ou duas cirurgias hoje, mas os pacientes dessas intervenções não apresentaram condições de internação. A operação, na verdade, é a última fase do programa com o robô-cirurgião”, explicou o Dr. Pagnossin.

Segundo o médico, o programa com o Da Vinci é realizado durante três meses e envolve, além de médicos, enfermeiros, anestesistas, instrumentadores, toda uma equipe técnica de suporte na realização das intervenções cirúrgicas. “Este treinamento começa na internet, com a visualização de arquivos gerais sobre o equipamento. Depois, na segunda fase, vem a parte de áudio e vídeo. Na terceira etapa, a equipe treina através de simuladores eletrônicos e realiza cirurgias em animais. Por último, as intervenções são feitas em pacientes humanos. O robô-cirurgião não opera sozinho, ele é coordenado por médicos treinados especificamente para os procedimentos”, pontuou Dr. Pagnossin.

O coordenador do centro de robótica do HSJR também destacou que na última etapa do programa, nas cirurgias, é implantada toda uma experiência agendada com proctos (médicos especializados), através de parcerias do hospital com os profissionais de saúde mais conceituados do mundo em várias áreas da medicina, como urologia e oncologia, entre outras. Gilberto Pagnossin informou que a partir de agora o HSJR se adequará à agenda desses proctos para dar continuidade ao calendário de operações.

“A meta é que a cada 15 dias tenhamos uma média de quatro cirurgias com a articulação desses proctos. Após o treinamento total, a equipe médica assume a coordenação do cronograma”, ressaltou Pagnossin. “O procedimento através do robô-cirurgião estabelece que o paciente, neste caso específico de prostatectomia, volta para casa em 24h. A atuação do Da Vinci é muito precisa e moderna, tanto que na cirurgia não há sangramento. Aquele pós-operatório que os pacientes se submetiam antes, de alguns dias de recuperação no hospital e dores, não existe mais”, reforçou.

Adaptação e investimentos
Para receber o robô-cirurgião Da Vinci modelo S HD, o HSJR reformou e modernizou todo o bloco cirúrgico. A reforma ocorreu após a aquisição, pelo grupo norte-americano Esho, gigante no setor de saúde, do Hospital Santa Joana, comandado pelo Grupo Fernandes Vieira (GFV). A inovação com a chegada do equipamento foi uma das primeiras ações da nova operação do HSJR com a gigante da saúde privada UnitedHealth (Esho), empresa norte-americana que se associou ao GFV. Com a chegada da robótica nos procedimentos cirúrgicos, o novo grupo vai implantar na capital pernambucana o programa de treinamento e capacitação de médicos para dominar a nova técnica cirúrgica.

Segundo a direção do HSJR, a ideia é transformar o hospital pernambucano numa instituição referência em capacitação e treinamento em cirurgia robótica nas regiões Norte e Nordeste. O robô-cirurgião foi adquirido através da Strattner, empresa que comercializa produtos com tecnologia desenvolvida pela multinacional Intuitive Surgical. No Brasil, existem três protótipos do Da Vinci em operação, um deles no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O diretor-médico da Empresa de Serviços Hospitalares (Esho) do grupo UnitedHealth, Charles Souleyman Al Odeh, disse que o programa de cirurgia robótica que será implantado no Recife é o terceiro da empresa no Brasil. Segundo ele, o objetivo da implantação da nova tecnologia é consolidar o Hospital Santa Joana como uma das melhores unidades hospitalares do país. Ele explicou que o centro de cirurgia robótica é uma sala preparada dentro do bloco cirúrgico com uma dinâmica diferente, onde o cirurgião, ao invés de ficar ao lado do paciente, fica no console comandando o robô.

De acordo com o diretor-médico da Esho, após a chegada dos equipamentos no Recife será iniciado o programa de treinamento e capacitação dos médicos cirurgiões. Médicos brasileiros e norte-americanos com expertise em cirurgia robótica vão treinar os profissionais e acompanhar as cirurgias. A princípio, serão treinados seis cirurgiões das especialidades de urologia, cirurgia geral, proctologia e bariátrica. O diretor da Esho disse que a política de privacidade da empresa não permite revelar o valor do investimento. “É um investimento expressivo. O custo de treinamento corresponde a 50% do valor do investimento”.

Dentro dos projetos de expansão das atividades no Polo Médico, o Hospital Santa Joana adquiriu uma área de 4.500 metros quadrados para ampliar o complexo hospitalar. Segundo Marcelo Vieira, os projetos estão sendo desenhados para ampliar o mix de serviços e o número de leitos. O complexo hospitalar terá três acessos (Rua Joaquim Nabuco, Rua das Creoulas e Rua Correia de Araújo) e um estacionamento com 300 vagas.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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