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Imigrantes a favor de Trump? Alguns em Nova York mostram seu apoio

  • Michelle V. Agins/The New York Times

    A.D. Amar, Anand Ahuja e Davendra Makkar, fundadores do grupo Indiano-Americanos por Trump 2016, no atrium do Trump Tower, em Nova York

    A.D. Amar, Anand Ahuja e Davendra Makkar, fundadores do grupo Indiano-Americanos por Trump 2016, no atrium do Trump Tower, em Nova York

Ao longo da rota de campanha, Donald Trump gosta de escolher pessoas que o apoiam na corrida para a nomeação presidencial republicana apesar de ele ter insultado seu grupo étnico. Elas realmente o amam.

E com Trump liderando as pesquisas para a primária presidencial em Nova York, em 19 de abril, pequenos grupos de imigrantes se apresentaram em seu apoio. Não importa que ele tenha dito que os mexicanos são estupradores e traficantes de drogas, sugerido uma proibição temporária à entrada de muçulmanos nos EUA e pedido a deportação dos mais de 11 milhões de imigrantes que não têm permissão para ficar no país.

Esses imigrantes o estão apoiando por motivos que são intensamente pessoais e, não é de surpreender, muitas vezes estão de acordo com sua política no país de origem.

Uma pesquisa informal recente realizada por uma estação de rádio de língua russa na cidade de Nova York mostrou que mais de 80% dos 5 mil ouvintes que ligaram preferiam Trump, o principal candidato republicano, a Hillary Clinton, a provável indicada pelo Partido Democrata.

Um grupo de latinos republicanos no condado de Rockland pretende apoiá-lo, e alguns profissionais indiano-americanos mais velhos e alguns jovens hindus já o fizeram.

Considere o caso de Anand Ahuja, um advogado na faixa dos 60 anos em Long Island, que foi um fundador dos Indiano-Americanos por Trump 2016, um comitê de ação política que estranhamente não capta dinheiro.

Ahuja visitou os EUA quando tinha 20 e poucos anos como turista e disse que amigos estavam se casando para obter a licença de residência no país. Eles ficaram e prosperaram, mas Ahuja voltou à Índia e esperou nove anos para imigrar legalmente.

Ahuja elogiou Trump por querer impedir a entrada ilegal de imigrantes no país. “Não se devem recompensar pessoas que burlam a lei”, disse ele. “Ou você segue a lei ou é punido. É por isso que eu gosto de Donald Trump quando ele diz: ‘Vamos construir um muro’.”

E acrescentou: “Acredito que qualquer pessoa que entrou neste país ilegalmente deve ser deportada”.

Ou, como disse Tony Mele, 55, presidente da Coalizão Nacional Republicana Latina de Rockland County e um consultor em segurança privada: “Quando você está em Nova York, parado na longa fila para comprar ingresso para um show, ou no supermercado, o que acontece quando uma pessoa fura a fila com um carrinho? As pessoas dizem: ‘Ah, não, não vai furar!’ Não me importa se é do México, do Equador, ou de que ilha você veio”.

Mele, que nasceu no Bronx, acrescentou: “Você tem um cara como o Trump dizendo: ‘Ei, volte para a fila como todo mundo'”.

Rene, 38, um empresário em Spring Valley, Nova York, e membro da coalizão de Rockland, veio do Equador para os EUA ilegalmente quando era adolescente, há 22 anos. Seu empregador lhe ofereceu uma licença de trabalho. Mais tarde ele pediu a residência permanente e se tornou um cidadão em 2006. Ele não quis dar seu sobrenome por temer reações contra seus filhos em idade escolar ou contra suas empresas.

Rene apoia Trump porque acredita que os democratas não ajudaram os imigrantes como ele. Disse que está cheio da corrupção e da resultante falta de recursos no distrito escolar de East Ramapo.

Seu conselho escolar, dominado por judeus ultraortodoxos, está enfrentando processos legais e uma investigação do FBI sobre seus gastos em escolas públicas e yeshivas.

“Nossa comunidade está cansada de lidar com a mesma coisa repetidamente”, disse Rene. “A única maneira de fazer nossa voz valer é começar a procurar nosso modo de entrar.”

Ninguém mais na coalizão latina quis comentar publicamente. Como Rene, eles temem uma retaliação, que outros imigrantes que apoiam Trump já enfrentaram.

“Você se torna alvo de zombaria e de críticas”, disse Ahuja. “No início as pessoas nos xingavam feio no meu Facebook. Elas escreviam: ‘É uma vergonha você ser indiano e apoiar Donald Trump’.”

Fred R. Conrad/The New York Times

Tony Mele, diretor da Coalizão Nacional Republicana Latina do Condado de Rockland, grupo que pretende apoiar Donald Trump, em seu escritório em Chestnut Ridge (NY)

Devesh Kapur, diretor do Centro de Estudos Avançados da Índia na Universidade da Pensilvânia, disse que o grupo de Ahuja foi um dissidente em uma diáspora indiana que votou majoritariamente nos democratas. Na corrida presidencial de 2008, 84% dos eleitores indiano-americanos escolheram Barack Obama, segundo uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew.

“Não tem reflexo na representatividade por uma longa margem”, disse Kapur, que é autor de um livro no prelo sobre o sucesso dos imigrantes indianos nos EUA. “Sejam Sikhs por Trump ou Hindus por Trump, em cada um deles você diria: ‘É mesmo? Como é possível?’ É realmente uma pequena fração. Eles representam a si mesmos, não a todos os sikhs.”

Em comparação, no Brooklyn e em Staten Island, os imigrantes russos –especialmente os mais velhos– votaram nos republicanos porque veem o Partido Democrata alinhado com a antiga União Soviética, disse Gregory Davidzon, dono de uma estação de rádio no Brooklyn e líder político. Sua estação conduziu uma pesquisa durante um dia inteiro na semana passada; ele disse que não apoia um candidato, apenas explica o fenômeno.

“Eles são a favor do Partido Republicano contra sua própria história, contra a União Soviética, essa é a minha percepção”, disse Davidzon. “Não é nada pessoal com Trump.”

Isaak Shikhman, 70, um republicano de Staten Island que veio como refugiado judeu da União Soviética em 1989 e se tornou cidadão em 1995, disse que apoia Trump por sua capacidade de lidar fortemente com o presidente Vladimir Putin, da Rússia, e por suas opiniões sobre imigração. “Viemos para este país legalmente”, disse ele. “É muito importante que os mexicanos façam o mesmo.”

Ele riu quando foi perguntado sobre o senador Bernie Sanders, de Vermont, um socialista que disputa com Hillary a nomeação democrata.

“Minha vida durante 43 anos foi em um país comunista”, disse Shikhman. “Não quero isso de novo.”

Adity Sharma, 30, uma estudante de direito e um dos 20 membros da Hindus por Trump, um grupo do Facebook que às vezes se reúne em cafés no Brooklyn, disse que sua família indiano-americana apoia Hillary. “Cada um com o seu”, disse ela, acrescentando sobre Trump: “Ele é um candidato forte, é diferente dos outros. Pelo fato de não ser muito politicamente correto, ele faz as pessoas o escutarem”.

Ela e os outros membros do grupo acreditam que a política americana é amistosa demais em relação ao Paquistão, e Trump poderá mudar isso em benefício da Índia. Eles também aprovam a proposta de Trump de banir os refugiados muçulmanos.

Raju Bathija, 56, outra afiliada ao grupo, disse que não confia mais em Hillary por causa de sua política externa para a Índia. Mas mais de 15 anos atrás ela disse que foi a um jantar para levantar fundos para a campanha de Hillary ao Senado, como membro do Partido Democrata indiano-americano. Foi em um apartamento na Quinta Avenida, que segundo ela Trump doou para a ocasião.

Agora ela e Trump são contrários a Hillary. Como explicar isso?

“Você vai aonde passam manteiga no seu pão”, disse Bathija.
 

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Fonte: Bol.com.br

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