Mensagem lacônica abre caminho para escândalo Panama Papers

Rodrigo Zuleta.

Berlim, 7 abr (EFE).- A história dos chamados Panama Papers, um gigantesco escândalo de ocultação de dinheiro que envolve políticos, empresários, celebridades e empresas offshore, começou com uma lacônica e misteriosa mensagem ao jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”.

“Olá, aqui fala John Doe. Vocês têm interesse em dados? Posso mandá-los com gosto”, dizia a mensagem enviada por uma fonte anônima ao jornal há mais de um ano.

Posteriormente foram enviados outros e-mails e, em várias partes, os dados anunciados, que no final abrangiam 2,6 terabytes.

O jornal, em artigo no qual revelou alguns detalhes da história de investigação, garante que se trata do maior vazamento de dados que já chegou a um veículo de imprensa.

O “Süddeutsche Zeitung” destinou uma equipe especial para conferir a autenticidade dos dados e decidiu integrar ao caso o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), com o propósito de verificar o maior número de histórias possíveis em nível mundial.

O ICIJ, fundado em 1997, é uma associação internacional de jornalistas de investigação ao qual pertencem quatro repórteres do jornal alemão.

Somaram-se à investigação dos Panama Papers (“papéis do Panamá”) – voltados às offshores criadas pela empresa panamenha de advocacia e gestão de patrimônio Mossack Fonseca – 400 repórteres de mais de dez países.

Os resultados estão sendo divulgados atualmente em 20 idiomas e envolvem tanto políticos como atletas e dirigentes esportivos.Entre as pessoas que aparecem na lista da revista “Forbes” com as 500 maiores fortunas do mundo, 29 foram citadas até agora no escândalo.

Os Panama Papers contêm dados de mais de 200 mil offshores criadas entre 1977 e 2015.

Há dois anos, um informante tinha vendido às autoridades alemãs dados internos sobre a empresa panamenha, mas que afetavam poucas centenas de companhias.

Esse primeiro vazamento levou a operações de busca e apreensão nas residências de mais de cem pessoas na Alemanha. Vários bancos também foram alvo dessas buscas, entre eles o Commerzbank, segundo maior do país, e se declararam dispostos a pagar multas milionárias em relação aos negócios realizados com a Mossack Fonseca.

Mas o escândalo de agora tem dimensões maiores, e ninguém sabe quando terminarão de ser contadas todas as histórias que revelam os papéis, nem o que farão as autoridades dos países de pessoas afetadas por elas.

Há histórias quase despercebidas como a de Leticia Montoya, uma mulher que vive em um bairro modesto da Cidade do Panamá e que aparece nos documentos vazados como diretora de cerca de 3 mil offshores.

O jornal recebeu o número de telefone celular de Leticia de seu marido, que aparentemente não tinha a menor ideia de que sua mulher era uma espécie de rainha das offshores.

O nome de Jürgen Mossack, um dos sócios da Mossack Fonseca, passou de desconhecido na Alemanha a reconhecido por todo o mundo. O jornal também reconstruiu sua história.

Mossack nasceu em Fürth, no sul do país, mas no início dos anos 60 sua família emigrou para o Panamá.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o pai de Mossack foi membro da Schutzstaffel (SS) e, após a derrota alemã, foi feito prisioneiro pelos aliados. No entanto, posteriormente ele se tornou informante da CIA e, provavelmente, também dos serviços secretos alemães.

Fonte: Bol.com.br

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