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Mercosul tem força para superar a crise mundial, diz alto representante

Montevidéu, 21 abr (EFE).- O alto representante do Mercosul, Florisvaldo Fier, disse nesta quinta-feira à Agência Efe que esse bloco regional, por ser a quinta economia mundial, “tem força para superar a crise”.

Fier, que também é conhecido como Dr. Rosinha, destacou este desafio em uma conferência que ofereceu no 21º Encontro Nacional de Estudantes de Relações Internacionais (Eneri), que acontece em Foz do Iguaçu, e na qual repassou a história do Mercosul e analisou suas perspectivas para o futuro.

O alto representante explicou que o bloco “foi originado por uma crise” comercial e econômica em 1991, quando o Acordo de Assunção foi assinado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e criou o Mercosul, e que depois, no final dessa década, superou um segundo período de instabilidade econômica dos países-membros.

“Agora que vivemos uma nova crise na região, e no mundo, temos o desafio e a possibilidade de superá-la porque o Mercosul é o quinto bloco do mundo”, comentou Fier, que, no entanto, reconheceu que é necessário “muita vontade política” para isso.

O alto representante do bloco também revelou preocupação com as crises políticas vividas no Brasil e na Venezuela, que “causam grave impacto” no Mercosul e nas economias dos demais países da América do Sul.

“A instabilidade no Brasil, por ser a maior potência e o maior país da América do Sul e do bloco, repercute no Mercosul e em todos os países sul-americanos pela integração que temos hoje”, disse Rosinha.

Entre as conquistas e perspectivas mencionadas por Fier estão os avanços na integração econômica e entre os cidadãos dos países-membros.

“A declaração de Foz do Iguaçu (o primeiro acordo assinado entre Brasil e Argentina após o fim da ditadura nos dois países, em 1985) só continha aspectos econômicos, afirmou Rosinha, que acrescentou que quis mostrar na conferência como o bloco progrediu desde então.

Nesse sentido, o alto representante do bloco citou como exemplo o fato de que os cidadãos dos países que atualmente fazem parte do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela – têm o direito de viajar por esses Estados apenas com documentos nacionais, de residir em qualquer um deles e ao reconhecimento das contribuições de aposentadoria.

Sobre a integração econômica, Rosinha considerou o desenvolvimento das relações comerciais como uma das conquistas mais importantes do bloco.

“O Brasil é quem mais importa do Uruguai, e as relações comerciais entre Brasil e Argentina se aprofundaram, entre elas a produção compartilhada de carros”, comentou o alto representante.

No entanto, Fier considerou que ainda falta um longo caminho para ser percorrido em direção a uma integração maior, e estabeleceu como uma das metas possíveis para o 30º aniversário do bloco, em 2021, o avanço do processo de reconhecimento de títulos universitários.

Além disso, Rosinha propôs um acordo para a criação de fronteiras administrativas, “onde não há a necessidade de um controle” e o cidadão pode trabalhar, estudar e utilizar os serviços de saúde do país vizinho livremente, entre os membros do bloco.

O Eneri, que acontece pela primeira vez em Foz do Iguaçu, é um evento acadêmico realizado desde 1996 em diversas cidades do Brasil com o objetivo de reunir estudantes de todo o país para discutir temas relevantes para seu campo de estudo, o que, na opinião de Rosinha, é algo “extraordinário”.

“Fico feliz que haja muita gente jovem, porque eles são a esperança da formação de uma consciência integracionista, já que, até agora, os países vivem de costas uns para os outros. A juventude pode mudar isso com informação e consciência de integração”, defendeu Rosinha.

Sobre o evento, o alto representante do Mercosul também destacou os benefícios de se reunir estudantes de Relações Internacionais em uma cidade da “tríplice fronteira”, como Foz do Iguaçu, onde podem ver seus conhecimentos teóricos sendo aplicados.

Fonte: Bol.com.br

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