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Miriam Dutra diz à PF que dinheiro recebido de FHC foi usado para o filho

Jornalista prestou depoimento na sede da PF na quinta-feira. Em nota, advogado afirmou que Tomas é filho dela com Fernando Henrique.

 

A jornalista Miriam Dutra afirmou em depoimento à Polícia Federal que todo os recursos recebidos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram usados para custeio da educação do filho Tomas Dutra Schmidt, que ela disse ter tido com o político, de acordo com  nota divulgada nesta sexta-feira (8), pelos seus advogados.

Na quinta-feira (7), Miriam Dutra prestou depoimento na sede da PF em São Paulo no inquérito que apura eventuais ilícitos criminais supostamente cometidos pelo  ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na nota, os advogados da jornalista afirmam que "como se mudou para a Europa por vontade própria em 1992, aonde reside até o momento de forma ininterrupta, o custeio dos estudos do filho Tomas foi pago integralmente pelo pai desde o ingresso na escola até os presentes dias nos quais cursa mestrado em ciências econômicas".

Ainda na nota, Miriam afirma que Tomas é filho dela com Fernando Henrique Cardoso. A declaração contradiz exames de DNA que, segundo o ex presidente, não confirmaram a paternidade.

Segundo a nota, Miriam declarou também que o ex-presidente efetuou os pagamentos de forma distinta – inicialmente através de entrega de valores e depois através de depósito em conta bancária da mãe – e atualmente o faz diretamente na conta do filho.

"Mirian, por fim, esclareceu que foi funcionária da Rede Globo por mais de 30 anos em regime de exclusividade, cessando o vínculo em dezembro de 2015, vivendo de seu próprio salário, não tendo recebido do ex-presidente recursos outros se não os estritamente destinados à educação de Tomas", diz a nota.

A nota não esclarece os termos de entrevista que ela deu ao jornal “Folha de S. Paulo, em fevereiro, na qual ela dizia que recebia US$ 3 mil mensais de Fernando Henrique Cardoso através de repasses da empresa Brasif, de importação e exportação. Ao jornal, ela mostrou um contrato fictício de trabalho com a Brasif – pelo qual receberia os repasses.

Por telefone, o advogado José Diogo Neto, disse ao Jornal Hoje que no depoimento, Miriam não citou a empresa Brasif e disse que desconhece qualquer coisa relacionada a essa empresa.

Veja íntegra da nota do advogado de Miriam Dutra

"1. No dia 7 de abril de 2016, às 14:00 horas, a Sra. Mirian Dutra Schmidt compareceu à sede da Polícia Federal em São Paulo-SP para prestar esclarecimentos junto ao inquérito IPL n° 0131/2016-4-SR/DPF/DF, que visa apurar eventuais delitos atribuídos ao ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.

2. O depoimento durou mais de cinco horas e se resume nos seguintes tópicos:

2.1. Em razão de relacionamento pretérito, teve um filho de nome Tomas Dutra Schmidt com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, nascido em 1991.

2.2. Como se mudou para a Europa por vontade própria em 1992, aonde reside até o momento de forma ininterrupta, o custeio dos estudos do filho Tomas foi pago integralmente pelo pai desde o ingresso na escola até os presentes dias nos quais cursa mestrado em ciências econômicas.

2.3. Durante este período, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso efetuou os pagamentos de cunho educacional de formas distintas, sendo inicialmente através de entrega dos valores necessários, seguido de depósito em conta bancária titulada pela mãe, e, nos dias atuais o faz diretamente na conta do filho Tomas.

2.4. Mirian, por fim, esclareceu que foi funcionária da rede Globo por mais de trinta anos em regime de exclusividade, cessando o vínculo em dezembro de 2015, vivendo de seu próprio salário, não tendo recebido do ex-Presidente recursos outros se não os estritamente destinados à educação de Tomas.

São Paulo, 08 de abril de 2016.
José Diogo Bastos Neto e Maíra Beauchamp Salomi"

Depoimento

A jornalista Miriam Dutra chega ao prédio da PF, na Lapa, em São Paulo, para depoimento a respeito da remessa de dinheiro que afirmou ter recebido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no exterior. Ela chegou acompanhada do advogado José Diogo Bastos (Foto: Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo)A jornalista Miriam Dutra chega ao prédio da PF, na Lapa, em São Paulo, para depoimento a respeito da remessa de dinheiro que afirmou ter recebido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no exterior. Ela chegou acompanhada do advogado José Diogo Bastos (Foto: Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Miriam Dutra depôs durante cerca de cinco horas na sede da Polícia Federal em São Paulo nesta quinta-feira (7). Miriam chegou no início da tarde acompanhada de seu advogado e, por volta das 19h45, deixou o prédio na Lapa, na Zona Oeste. Ela não falou com a imprensa.

O advogado José Diogo Bastos, que defende Miriam, disse ao G1 que a jornalista estava muito cansada após o depoimento. “Ela foi depor apenas como testemunha e esclareceu os fatos que lhe foram perguntados de forma satisfatória”, afirmou. Questionado sobre o conteúdo do depoimento, o advogado disse: “As dúvidas do delegado foram todas dirimidas”.

Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", em fevereiro, a jornalista, que até 31 de dezembro do ano passado foi colaboradora da TV Globo por 35 anos, fez denúncias contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e comentou o relacionamento extraconjugal que manteve com ele entre os anos de 1985 e 1991.

O Ministério da Justiça informou no dia 26 de feveiro que a Polícia Federal determinou a abertura de um inquérito para investigar "eventuais ilícitos criminais" que tenham sido cometidos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Miriam disse ao jornal, a empresa Brasif Exportação e Importação, concessionária à época das lojas duty free nos aeroportos brasileiros, ajudou o ex-presidente a enviar dinheiro para ela entre 2002 e 2006. Em nota, a assessoria de Fernando Henrique Cardoso informou que todas as operações financeiras internacionais do ex-presidente foram feitas com recursos próprios e por meio de contas bancárias declaradas, sem o uso de empresas para isso.

Leia mais: Jornalista diz que FHC usou empresa para bancá-la no exterior

 

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