Morre o artista plástico Ismael Caldas

De Garanhuns, o artista se mudou para o Recife em 1963. Juliana Leitao/DP/D.A Press
De Garanhuns, o artista se mudou para o Recife em 1963. Juliana Leitao/DP/D.A Press

Um dos principais representantes do expressionismo em Pernambuco, Ismael Caldas morreu, nesta quarta-feira (13), aos 72 anos. O artista plástico estava internado no Hospital dos Servidores, no Espinheiro, devido a complicações de um câncer. O velório será realizado no Morada da Paz, em Paulista, às 8h, desta sexta-feira (15). O corpo será cremado por volta das 10h.

Recluso, nas poucas entrevistas que concedeu, o pernambucano costumava dizer que começou a pintar como mania.  A paixão pela arte, no entanto, fez com que montasse um ateliê na casa onde vivia, em Olinda. O espaço de trabalho para ele era tão sagrado quanto o lar.

Ismael Caldas Gouveia nasceu em Garanhus, em 1944. Aos 20 anos, ingressou na escola de artes da Universidade Federal de Pernambuco. A estreia nas exposições foi em coletivas organizadas pelo Diretório Acadêmico. A primeira grande chance veio ainda em 1966, quando participou do 25º Salão do Museu do Estado de Pernambuco.

No ano seguinte, a arte de Ismael cruza as fronteiras de Pernambuco e ele é convidado a expor na 9ª Bienal Internacional de São Paulo. Nos cinquenta anos de carreira, foram diversas coletivas, em palcos como o Salão de Arte Global (1974); Salão de Verão, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1975); Recife Porto na Arte, Porto, Portugal (1994); e Museu do Estado de Pernambuco (1994).

Ismael também protagonizou exposições individuais de destaque, como: Galeria 86, Recife (1972); Instituto Goethe, Salvador (1974); Galeria Vernissage, Rio de Janeiro (1975); Artespaço, Recife (1984/1990/1994); e Galeria Bonino, Rio de Janeiro (1986).

As obras do pintor são reconhecidas pela crítica internacional. Foto: Ismael Caldas/Reprodução
As obras do pintor são reconhecidas pela crítica internacional. Foto: Ismael Caldas/Reprodução

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 2013, Francisco Brennand elogiou o pintor expressionista: “Aqui [em Pernambuco] tem Ismael Caldas, tem João Câmara. São pintores de verdade e deveriam, sim, estar em Nova Iorque”. Assim como destacou o artista plástico, Caldas tinha uma obra reconhecida internacionalmente.

Ismael falou sobre a própria inspiração em entrevista para a revista Continente, em 2003. “Inspiração existe à medida em que você tem dias de sintonia consigo mesmo. Deprimido não se faz coisa alguma. Estar em sintonia consigo mesmo talvez seja a chave da inspiração”.

Na mesma entrevista, o pintor, que não tinha papas na língua, criticou a composição Leãozinho, de Caetano Veloso. Ismael Caldas deixa dois filhos artistas: uma bailarina profissional e um pianista clássico.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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