Morte de italiano no Cairo causa crise entre Itália e Egito

ROMA, 08 ABR (ANSA) – O ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni, convocou para consultas nesta sexta-feira (08) o embaixador do país no Cairo, Maurizio Massari, por causa dos resultados das análises sobre o assassinato do pesquisador Giulio Regeni.   

Desde ontem (07), equipes de investigadores de ambos os países estão reunidas em Roma para debater o caso do sequestro e morte do italiano no Egito.   

“Com base em tais desenvolvimentos, torna-se necessária uma análise urgente das iniciativas mais oportunas para retomar o empenho para encontrar a verdade sobre o bárbaro homicídio de Regeni”, emitiu a Farnesina em nota.   

Pelo Twitter, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, postou que “após o encontro das autoridades em Roma, a Itália decidiu formalmente convocar para consultar o embaixador.   

#verdadeporgiulioregeni”.   

Estava programada para hoje, após o encontro, uma coletiva de imprensa de ambos os representantes para falar sobre as conclusões do caso. Porém, segundo fontes que estão envolvidas no caso, a reunião entre as delegações “faliu” e pode-se considerar que a colaboração entre as autoridades está, de fato, interrompida.   

Fontes contaram à ANSA que o dossiê apresentado pelas autoridades do Egito possui “pouquíssimas páginas”, um pacote de documentos que, em parte, já eram de conhecimento dos italianos e nenhum ato judicial que poder satisfazer os “pedidos fundamentais” feitos pelas autoridades italianas.   

“Houve diferenças muito fortes. Chegamos com uma equipe de diversos tradutores para começarmos a trabalhar rapidamente sobre os documentos, mas não houve necessidade. No dossiê, haviam poucos papéis, muitos dados já conhecidos completavam as duas mil páginas”, contou uma fonte que participou da reunião.   

A Procuradoria de Roma, que lidera as investigações do lado italiano, informou em nota oficial que tudo que foi apresentado pelos egípcios não foi suficiente.   

“Foram dadas para as autoridades italianas os dados telefônicos de empresas egípcias em uso por dois amigos italianos de Giulio Regeni presentes no Cairo em janeiro deste ano, o relatório de pesquisa, as alegadas fotos do local de encontro do corpo de Giulio Regeni, uma nota com referência aos organizadores da reunião sindical ocorrida no Cairo no dia 11 de dezembro de 2015, da qual Giulio participou, e um comunicado de que não foram feitas imagens de vídeo oficial do encontro”, escreveu a Procuradoria em nota.   

Segundo os investigadores italianos, a equipe do Cairo voltou a falar sobre a tese de que um grupo de criminosos especializados em sequestros de estrangeiros (que foram mortos pela polícia) pode estar por trás da morte de Regeni. Porém, para a Itália, “não há elementos do envolvimento direto do grupo na tortura e na morte” do estudante.   

Inicialmente, a morte do pesquisador era tida como crime comum, mas aos poucos começou a ganhar contornos de assassinato político, colocando à prova as boas relações entre Itália e Egito. Regeni estava no Cairo para uma pesquisa acadêmica sobre a economia local e sindicatos independentes – que são proibidos no país -, mas também contribuía com o jornal comunista “Il Manifesto”. Ele desapareceu no dia 25 de fevereiro, após pegar um metrô na capital, e seu corpo foi encontrado em uma vala no dia 3 de fevereiro. Antes de sumir, ele chegou a enviar um artigo – publicado após sua morte -, pedindo para o diário usar um pseudônimo e com fortes críticas ao governo de Abdel Fattah al-Sisi. Vários jornais, especialmente os norte-americanos, acusam o governo de al-Sisi de usar agentes do serviço secreto para perseguir o italiano e de tê-lo matado por achar que Regeni era um espião.   

(ANSA)

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Fonte: Bol.com.br

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