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Nada original

Por Alexandre Jatobá (*)

Alexandre Jatobá é Economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Alexandre Jatobá é Economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação

Se há um setor que a crise não tem afetado, até o momento, é o setor bancário. Segundo artigo da revista The Economist, apenas 25 das 180 instituições bancárias reguladas pelo Banco Central tiveram prejuízo em 2015 (a maior parte pequenas instituições). Os bancos acumularam R$ 85 bilhões em lucros.

Desde o ano passado, o Brasil vem passando por uma crise política sem precedentes e ao mesmo tempo, encontra-se na maior crise econômica vivida desde 1930. O PIB afundou 3,8% em 2015 e a dose há de se repetir em 2016. Esta situação tem levado a aprovação do governo federal a um nível deprimente e, até nas camadas mais pobres da população, que antes defendiam governo, a insatisfação parece ser geral.  Apenas parece…

Um artigo publicado pela Revista The Economist na semana passada destacou o desempenho impressionante do recém fundado Banco Original. O lucro deste banco aumentou nada estratosféricos 50% em 2015 e o volume de operações de crédito cresceu mais de 2/3 em comparação a 2014. Há de se reconhecer que parte desse desempenho deve-se também a proposta moderna do banco (abre-se a conta online, todos os serviços são realizados no celular, computador, etc), e ao fato de a instituição ter como idealizador e um dos garotos propaganda, uma das figuras de maior credibilidade do mercado financeiro do país, Henrique Meirelles, o que certamente atrai clientes.

No entanto, o desempenho do Banco Original não se deve apenas aos fatores acima citados. Se há um setor que a crise não tem afetado, até o momento, é o setor bancário. Segundo o artigo, apenas 25 das 180 instituições bancárias reguladas pelo Banco Central tiveram prejuízo em 2015 (a maior parte pequenas instituições). Os bancos acumularam R$ 85 bilhões em lucros.

O excelente desempenho do setor está baseado em alguns fatores: inicialmente, a queda significativa na demanda por crédito tem sido mais do que compensada pelo crescimento do famoso spread bancário (diferença entre a taxa de juros que os bancos remuneram as aplicações dos clientes e a taxa que eles cobram ao realizarem operações de crédito). Ou seja, os bancos estão emprestando cada vez menos e ganhando cada vez mais. Eles também estão sendo beneficiados fortemente pelo crescimento da taxa SELIC nos últimos dois anos – 25% dos ativos bancários são compostos por títulos públicos. Há de se reconhecer também que os bancos têm investido fortemente em tecnologia provocando uma drástica redução nos seus custos operacionais (destaca-se novamente o caso do Original – um banco quase “sem agências”). Por fim, especialmente os bancos privados, têm direcionado esforços cada vez mais para operações mais estáveis (mercado de seguros) e para operações mais rentáveis tais (cartões de crédito).

Como visto, a situação dos bancos no Brasil não é nada original ou inédita, eles sempre estão bem, seja em tempos de crise seja em tempos de bonança. Está mais do que na hora incluir na agenda de ações e políticas econômicas, a criação de mecanismos para fomentar a concorrência entre os bancos e para limitar o gigantesco spread bancário presente no nosso sistema financeiro.  Certamente, com um sistema bancário mais competitivo e com taxas de juros mais racionais todos vão ganhar.

Se há um setor que a crise não tem afetado, até o momento, é o setor bancário. Segundo artigo da revista The Economist, apenas 25 das 180 instituições bancárias reguladas pelo Banco Central tiveram prejuízo em 2015 (a maior parte pequenas instituições). Os bancos acumularam R$ 85 bilhões em lucros.

(*) Economista e diretor da Datamétrica.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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