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No Rio, Justiça ouve testemunhas de acusação do assassinato de cinco jovens por PMs

O juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da Capital, realizou nesta segunda-feira a primeira audiência de instrução e julgamento sobre a morte de cinco jovens na comunidade da Lagartixa, no Complexo da Pedreira, em Costa Barros, zona norte, ocorrida no dia 28 de novembro do ano passado. Foram ouvidas nove testemunhas de acusação – entre elas dois sobreviventes – , três policiais militares, além de parentes e amigos dos jovens mortos.

Os policiais militares Antonio Carlos Gonçalves Filho, Fabio Pizza Oliveira da Silva, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos, do 41º Batalhão da Polícia Militar (Irajá), são acusados de atirar mais de 100 vezes contra o carro onde os rapazes estavam, na Estrada João Paulo. De acordo com a investigação, os PMs envolvidos no assassinato dos cinco jovens teriam ido checar uma denúncia de roubo de carga na região. A maioria das testemunhas disse que a localidade de Costa Barros possui alto índice de roubo de cargas de caminhões, com envolvimento de traficantes.

Roberto de Souza Penha, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16 anos, Cleiton Correa de Souza, 18 anos, Wilton Esteves Domingos Junior, 20 anos e Wesley Castro Rodrigues, 25 anos eram amigos de infância e haviam saído para comemorar o primeiro salário de Roberto pelo programa Jovem Aprendiz. O carro onde eles estavam recebeu 111 tiros.

Indenização
Quase cinco meses depois do crime, as famílias ainda aguardam indenização. “Pagamos tudo do nosso bolso e o Estado não fez nada até agora. Está ainda em andamento”, disse Júlio César Pitangui, pai de Wesley. “Vamos ver se a Justiça tira a venda dos olhos e define o tempo de prisão, a expulsão deles [dos policiais]. Estamos esperando pela justiça dos nossos filhos. Quero a pena máxima e expulsão [da corporação], que é o que eles merecem.”

O pai de Carlos Eduardo, Carlos Henrique Souza, também não recebeu ajuda financeira do governo para fazer o enterro do filho, mas disse ter esperança de que o caso tenha desfecho diferente da maioria dos que envolvem policiais militares. “Peço muito pela expulsão deles e que respondam a júri popular. Foram 111 tiros, sendo 11 somente em meu filho”, disse, ao lembrar que Cleiton Correa foi enterrado com a face e o crânio desfigurados pelos tiros. “A cada dia, a saudade aumenta mais e está ainda mais complicado para a gente, agora que estamos colocando o pé no chão, pois antes não estávamos acreditando.”

Os policiais militares Thiago Resende Viana Barbosa, Márcio Darcy Alves dos Santos e Antônio Carlos Gonçalves Filho respondem judicialmente por cinco homicídios qualificados, duas tentativas de homicídio qualificado, fraude processual por modificar a cena do crime, e posse de arma com numeração adulterada. A versão dos policiais, posteriormente contestada pela perícia, foi que um dos rapazes atirou na direção da viatura e que houve troca de tiros.

A viatura dos policiais que atiraram no carro não tinha câmera, como determina a Lei 5.588/2009.

Após o depoimento das testemunhas, as defesas de Antonio Carlos Gonçalves Filho, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos pediram a revogação da prisão preventiva dos réus, alegando que a medida não é mais necessária para a garantia da instrução criminal. O juiz Daniel Werneck Cotta disse que vai analisar os autos para decidir sobre o pedido de liberdade.

O magistrado também solicitou ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli o laudo de reprodução simulada dos fatos, no prazo de 10 dias. Na próxima audiência do caso, ainda sem data definida, serão ouvidas as testemunhas de defesa.

O policial militar Fabio Pizza Oliveira da Silva está solto, beneficiado por uma decisão liminar da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu habeas corpus ao acusado na semana passada.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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