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O cenário do zika na América Latina

Há casos de infecção em ao menos 33 países americanos, mas número total é controverso. OMS afirma haver forte consenso científico da relação entre o vírus e a microcefalia.

O vírus zika continua se espalhando de maneira preocupante pela América Latina e o Caribe. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 33 países e territórios dessa região já relataram a transmissão do vírus desde o início do surto, em maio de 2015.

Ainda de acordo com a OMS, em seu mais recente relatório divulgado nesta quinta-feira (31/03), 4.883 casos de infecção pelo zika foram confirmados na América, e há outros 194.618 casos suspeitos. Ao todo, nove mortes foram relacionadas ao vírus, afirma a OMS.

No Brasil, especificamente, a OMS estima haver 534 casos confirmados de zika e mais de 72 mil sendo investigados. Os números, porém, são controversos.

Em relatório divulgado em janeiro, o Ministério da Saúde afirmou que “a estimativa de casos de infecção pelo vírus zika no Brasil, para 2015, pode estar entre 497.593 a 1.482.701 casos”.

O órgão salientou, porém, que é “impossível” conhecer o número real de infecções. “Cerca de 80% dos casos infectados não irão manifestar sinais ou sintomas, e grande parte dos doentes não vai procurar serviços de saúde”, afirmou.

Zika na América

Entre os outros países da América Latina e do Caribe, a Colômbia enfrenta o cenário mais alarmante. Segundo a OMS, mais de 2 mil casos de contaminação pelo vírus já foram confirmados no país, e há outros 56 mil suspeitos. No entanto, dados recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) da Colômbia citam 58.838 pessoas infectadas.

Confira a situação em alguns países da América Latina e do Caribe, de acordo com a OMS:

Colômbia: 2.361 casos de contaminação confirmados e 56.477 suspeitos

Venezuela: 352 casos confirmados e 15.495 suspeitos

Porto Rico: 350 casos confirmados

Guatemala: 261 casos confirmados e 915 suspeitos

Guiana Francesa: 216 casos confirmados e 2.770 suspeitos

México: 185 casos confirmados

Guadalupe: 151 casos confirmados e 794 suspeitos

Panamá: 141 casos confirmados

Nicarágua: 129 casos confirmados

Equador: 63 casos confirmados

Apesar de os números atuais da OMS serem muito divergentes dos revelados pelos governos, o órgão das Nações Unidas divulgou, em janeiro, uma estimativa preocupante: em 2016, até 4 milhões de pessoas devem contrair o zika em todo o continente americano, sendo 1,5 milhão de casos no Brasil.

Relação com a microcefalia

No relatório desta quinta-feira, a OMS ainda enfatizou que está cada vez mais convencida de que o vírus zika pode ser o responsável pela má-formação em bebês conhecida como microcefalia.

“Com base em observações, estudos de grupo e controles de casos, há um forte consenso científico de que o vírus zika é uma causa da síndrome de Guillain-Barré, da microcefalia e de outros distúrbios neurológicos”, afirmou a organização.

Segundo a OMS, houve casos relatados de microcefalia e outras más-formações fetais em cinco países, além do Brasil: Colômbia, com 32 casos, Polinésia Francesa, com oito, Cabo Verde, dois, Martinica, um, e Panamá, com mais um caso.

O território brasileiro, sem dúvida, é o que apresenta a situação mais alarmante. O último boletim do Ministério da Saúde, divulgado nesta semana, afirma que 4.291 casos suspeitos de microcefalia estão sendo investigados, e outros 944 já foram confirmados. Desses total, 130 tiveram resultado positivo para o zika, afirma o órgão.

O combate ao zika

Para a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, o mundo ainda carece de um teste rápido que diagnostique o vírus com segurança – segundo o órgão, 30 companhias estão trabalhando na questão. O desenvolvimento de uma vacina também é urgente. Há 23 projetos de pesquisa em andamento em 14 localidades nos Estados Unidos, França, Brasil, Índia e Áustria.

A expectativa é de que os primeiros testes clínicos sejam realizados ainda no fim de 2016 – até lá, a onda explosiva da epidemia pode ter chegado ao fim. “Ainda assim, concordamos que o desenvolvimento da vacina é um imperativo. Mais da metade da população mundial vive em áreas onde o aedes aegypti está presente”, afirmou Chan em pronunciamento recente.

No Brasil, o Ministério da Saúde espera que os investimentos em ações para eliminar criadouros do mosquito comecem a dar resultado a partir de abril. De 2010 a 2015, o gasto para combater o mosquito cresceu 39%, passando para 1,2 bilhão de reais. Neste ano, o montante deve chegar a 1,8 bilhão de reais.

Estudo revelador

O temor de que o zika se alastre por países como os EUA e cause malformação em recém-nascidos faz com que pesquisadores locais se dediquem ao tema.

Um estudo da Universidade de Purdue foi capaz de revelar a estrutura do vírus, um avanço que os pesquisadores acreditam ser crucial para o desenvolvimento de tratamentos e de vacinas contra a doença.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira na revista Science, uma das mais importantes do mundo científico, concluiu que a estrutura do zika é muito semelhante a de outros flavivírus – família que inclui a dengue e a febre amarela, vírus com os quais a ciência está muito mais familiarizada.

Fonte: Bol.com.br

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