O que veio antes não interfere, diz Djavan sobre processo de composição

Djavan resgata no álbum as lembranças da infância e juventude vividas em Maceió e no Recife. Foto: Murillo Meirelles/Divulgação
Djavan resgata no álbum as lembranças da infância e juventude vividas em Maceió e no Recife. Foto: Murillo Meirelles/Divulgação

Sexta-feira, 20 de novembro, 1998. Djavan lançava o décimo terceiro disco da carreira, Bicho solto, quando falou sobre o novo trabalho ao Diario de Pernambuco. Na época, fazia pouco mais de vinte anos desde que ele tinha deixado o Nordeste para se arriscar no mercado musical carioca. Ao longo da conversa, as lembranças de Maceió e do Recife revelaram o saudosismo do cantor e compositor. “Sinto muita saudade [do Nordeste]. De Maceió, especialmente, e do Recife também. Foi muito bom o tempo em que dividi uma casa com meu primo Severino, no Alto José do Pinho”, disse. Quase duas décadas depois, o artista retoma o sentimento exaltado na entrevista com o projeto Vidas pra contar. A turnê chega ao Classic Hall nesta sexta-feira (29), às 22h. A abertura será comandada por Alex Cohen.

No repertório, as músicas de teor quase autobiográfico do vigésimo terceiro título da discografia de Djavan. “A vida não é de festa/ Para o povo do sertão/ Mas até quem não tem empresta/ Dá a mão/ A vida é mais dolorida/ Pra esse povo sofredor/ Mesmo assim só se vê perdida/ De amor“, diz a letra de Vida nordestina, referência à origem do cantor. “A música é um tributo ao Nordeste e ao povo nordestino. Procurei fazer uma canção em que eu pudesse falar das festas, da religiosidade, do sofrimento e dos costumes”, destaca o músico. No show de lançamento que chega ao Recife, a atmosfera nostálgica será rematada pelos sucessos Eu te devoro, Flor de lis e Fato consumado.

Com quatro décadas de carreira e muitos clássicos no currículo, Djavan tem um processo de composição próprio. “Quando se compõe uma música, aquela inspiração fica naquele momento, não considero o que veio antes ou o que vem depois. Gosto de compor para criar uma reflexão sobre o momento. O que veio antes não interfere”, conta o compositor. Em entrevista ao Viver, ele falou sobre planos, trabalhos e relação com o Recife, onde morou durante um ano e meio.

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Entrevista// Djavan, cantor e compositor

“Sinto a mesma impetuosidade para compor de quando eu tinha 30 anos de idade”

Seu novo álbum, assim como você fez em trabalhos anteriores, é totalmente autoral. Depois de 40 anos de carreira, seu processo de composição mudou?
Continuo priorizando a diversidade em cada trabalho que faço. O que mais me alegra é usar novas palavras, novos entrocamentos melódicos, novos ritmos. Fiz isso no disco Vidas pra contar. Gosto de buscar sempre coisas novas.

Ter no currículo músicas marcantes e de muito sucesso traz alguma cobrança na hora de compor novas músicas?
Quando se compõe uma música, aquela inspiração fica naquele momento, não considero o que veio antes ou o que vem depois. Gosto de compor para criar uma reflexão sobre o momento. O que veio antes não interfere.

Um dos seus trabalhos mais recentes foi o disco Ária, com releituras de outros compositores. Que tipo de projeto mais te inspira: autoral ou versões?
O Ária foi o único trabalho de releituras. Na época, meu objetivo era fazer um projeto com músicas que não fossem minhas. Foi o disco que me deu mais trabalho, justamente por isso. A produção foi bem intensa. É possível que eu faça outro na mesma linha, mas ele [Ária] foi bem trabalhoso.

A música de abertura de Vidas pra contar é um xote sobre a vida no Nordeste, assim como tanto fez Luiz Gonzaga. A canção é um tributo a ele?

Não é um tributo a Luiz Gonzaga, mas um tributo ao Nordeste e ao povo nordestino. Procurei fazer uma canção em que eu pudesse falar das festas, da religiosidade, do sofrimento e dos costumes no Sertão.

Você chegou a morar no Recife antes de ir para o Rio de Janeiro. Como é voltar para cá?
Adoro Recife, é uma das cidades mais bonitas do Brasil e uma das que sempre me recebem bem. O povo recifense é muito cultural. Rola muita empatia entre mim e os recifenses.

O que gosta de fazer quando está na cidade?
Quando vou para aí, gosto de pegar o carro e passear pela cidade. Gosto muito da cultura e da culinária daí. Como você disse, eu morei aí por um tempo e, por isso, gosto de voltar para passear.

A música estará sempre nos seus planos, ou pensa em diminuir o ritmo dos trabalhos algum dia?

Nunca pensei nisso. Não creio que eu vá pensar nisso tão cedo. Sinto a mesma impetuosidade para compor de quando eu tinha 30 anos de idade.

O que mais gosta na música daqui?
Eu amo frevo. Tenho paixão por Capiba, Nelson Ferreira, Lenine e Claudionor Germano. Além dos clássicos, como Luiz Gonzaga, que era do Exu, um grande mestre.

O que os pernambucanos podem esperar do seu show?
A julgar pelos shows realizados nas outras cidade, vai ser uma festa.

Serviço

Vidas pra contar,
show de Djavan
Quando: sexta-feira, dia 29, às 21h
Onde: Classic Hal (Olinda)
Ingressos: R$ 100/50 (pista inteira/ meia-entrada), R$ 800 a 1000 (mesa para 4 pessoas) e de R$ 1000 a 1600 (camarote para 10 pessoas).

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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