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O tempo (a vida) passa e o relógio marca por Fernando Moura Peixoto

[Nota do autor: texto escrito em 1977, que recebeu o Prêmio de Edição em concurso da Litteris Editora em 1993, e foi publicado na antologia CONTOS E POEMAS DO BRASIL 1993, juntamente com 50 outros autores.]

 

O tempo não passa nunca; nós é que passamos.”

– PERRY SALLES (1939 – 2009)


 

Na sala da vida

(vazia)

Um relógio

Havia, havia


 

Na sala da vida

(vazia)

O relógio

Batia, batia


 

Na sala da vida

(vazia)

Um relógio

Havia e fazia


 

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque


 

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque

Tique-taque


 

Tiquetaqueando

Tiquetaqueando

O relógio batia

Na sala da vida

(vazia)


 

Mas foi se acabando

A corda que havia

E o tiquetaquear

Do relógio

Na sala vazia

Da vida vazia

Não mais existia.


 


 

Fernando Moura Peixoto


 

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