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Painel publicitário também atrai e mata o mosquito da dengue

Um painel de publicidade instalado na frente da Assembleia Legislativa, no centro do Rio, faz mais do que propaganda: mata mosquitos. Para atrair o inseto, o equipamento expele no ar uma solução à base de ácido lático, que reproduz o odor do suor humano, e gás carbônico, para simular a respiração. Um mecanismo de captura instalado na base do painel suga os mosquitos. Desidratados, eles morrem ali. A peça publicitária foi criada pelas agências NBS e Postercope, com orientação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A ideia das agências é que as empresas contratem a publicidade e ajudem a espalhar painéis pela cidade, principalmente em regiões com focos de Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Desde o início do ano, quatro pessoas morreram por dengue e duas por chikungunya no Estado. As três viroses já atingiram 66.972 pessoas.

O Painel Mata Mosquito é capaz de atrair insetos a até 4 quilômetros de distância. Como o Aedes voa baixo, o mecanismo de sucção dos mosquitos foi instalado na base. “O desafio é amplificar o painel. O projeto está disponível, são esquemas fáceis de reprodução e não há cobrança de royalties”, disse o vice-presidente de Criação da NBS, André Lima. O projeto está em www.painelmatamosquito.com.br.

A podóloga Maria Isabel Celestino, de 64 anos, passa com frequência pelo painel e não tinha percebido que o equipamento tinha outra função. “Quero levar para o Complexo do Alemão (zona norte). Já tive dengue duas vezes. As UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e Clínicas de Saúde da Família estão lotadas de pacientes com zika e chikungunya.”

A agente de viagem Ivana Ferreira, de 50 anos, também elogiou a iniciativa. “Precisamos de todas as ferramentas para combater esse mosquito.”

Ecossistema

O painel não coloca o ecossistema em risco, afirmou Otto Frossard, diretor de estratégia da Postercope. “A tecnologia foi pensada no comportamento do Aedes. Se insetos maiores forem atraídos, são barrados por uma tela.”

A bióloga Denise Valle, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, se preocupa que o painel crie uma “falsa sensação de segurança”. Ela ressalta que as pessoas não devem deixar de lado medidas para controle de larvas e para eliminar criadouros. “Todo mundo quer achar a bala mágica, mas, se fosse fácil, não conviveríamos com o mosquito há tanto tempo”, disse.

Fonte: Bol.com.br

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