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Papa pede perdão aos refugiados e afirma que eles são 'dons'

CIDADE DO VATICANO, 19 ABR (ANSA) – Três dias após sua viagem à ilha grega de Lesbos, o papa Francisco pediu perdão aos imigrantes que chegam à Europa pela “indiferença” com que a sociedade os trata e ressaltou que eles são um “dom” para o continente.   

“Muitas vezes nós não os acolhemos! Perdoem-nos pelo fechamento e pela indiferença das nossas sociedades que temem uma mudança de vida e de mentalidade que a vossa presença nos pede. Vocês são tratados como um peso, um problema, um custo, mas ao invés disso, vocês são dons”, afirmou o Pontífice em uma mensagem em vídeo enviada ao Centro Astalli, que celebra seus 35 anos.   

A entidade tem unidades em Roma, Vicenza, Trento, Catânia e Palermo e conta com 450 voluntários, atendendo, ao todo, cerca de 34 mil imigrantes por ano, sendo que 21 mil deles são recebidos apenas na unidade da capital italiana.   

Para Jorge Mario Bergoglio, os refugiados são “testemunhas de como nosso Deus sabe transformar o mal e a injustiça que vocês sofrem em um bem para todos”. “Porque cada um de vocês pode ser uma ponte que une povos longínquos, que torna possível o encontro entre culturas e religiões diversas, um caminho para redescobrir a nossa humanidade em comum”, ressaltou.   

“A vossa experiência de dor e de esperança nos lembra que todos somos estrangeiros e peregrinos pela Terra, acolhidos com generosidade por alguns e sem nenhum mérito. Quem – como vocês – fugiu da própria terra por causa da opressão, da guerra, de uma natureza destruída pela poluição e pela desertificação ou pela injusta distribuição de recursos do planeta, é um irmão com o qual precisamos dividir o pão, a casa e a vida”, disse Francisco.   

Com o objetivo de “encorajar” os voluntários a continuar com o trabalho que promove a “beleza do encontro”, o líder católico pediu para que esses homens e mulheres “ajudem a sociedade a escutar a voz dos refugiados”.   

“Continuem a caminhar com coragem ao lado deles, acompanhem-os e deixem-se guiar por eles também. Os refugiados conhecem os caminhos que levam à paz porque conhecem o cheiro amargo das guerras”, finalizou.   

O tema imigração é muito caro ao Papa, sendo que, por diversas vezes, ele já fez homilias e enviou mensagens cobrando uma postura mais aberta da Europa sobre a atual crise de refugiados e pedindo o acolhimento dos necessitados.   

No último final de semana, ele viajou até Lesbos – considerada a maior porta de entrada de deslocados na Europa – para mostrar proximidade aos refugiados. Além disso, levou para o Vaticano 12 imigrantes que viviam na ilha como sinal de comprometimento com a questão.   

– Imigrantes: A Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgou um novo boletim sobre a situação dos estrangeiros que chegam através do Mar Mediterrâneo à Europa. Segundo a entidade, 178.882 pessoas já chegaram ao continente através do mar desde janeiro deste ano, sendo que mais de 153 mil desembarcaram na Grécia, cerca de 24,5 mil na Itália e os demais entre o Chipre e a Espanha.   

O número de pessoas que morreram ou desapareceram na travessia nesse período é de 737, sem incluir as possíveis vítimas de um naufrágio ocorrido ontem (18) entre o norte da África e da Itália, que ainda não foi confirmado. (ANSA)

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Fonte: Bol.com.br

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