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Para Bandai, tempo é principal inimigo de dublagem para jogos de anime

Em 2015, a Bandai Namco realizou o grande sonho fãs brasileiros ao trazer o jogo “Cavaleiros do Zodíaco: Alma dos Soldados” totalmente traduzido em português, com direito a quase todos os dubladores do icônico anime, reprisando as vozes de seus personagens.

Além de “Cavaleiros”, “Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4”, lançado em fevereiro, também conta com os talentos da dublagem brasileira e em espanhol do anime. De acordo com a empresa, isto ajudou a publisher japonesa a ter um aumento de 20% nos lucros da América Latina em seu último ano fiscal, mesmo durante a crise econômica que assola a região.

Para Jason Enos, diretor de marcas e marketing da América Latina da Bandai Namco, isso é um bom sinal, embora não garanta, necessariamente, que outras franquias da empresa venham a receber uma dublagem similar.

“Sempre funcionará de caso em caso”, disse o executivo. “Talvez para este jogo não faça sentido, mas outra franquia em particular é super popular neste país, então vale o investimento”.

Neste ano, por exemplo, nenhum dos títulos anunciados oficalmente pela Bandai Namco terão vozes em português, incluindo o novo jogo de luta de “One Piece” – que, embora seu trabalho de tradução esteja longe de ser unanimidade entre fãs, inclui grandes talentos como Vagner Fagundes, Marcelo Campos e Wendel Bezerra na versão brasileira.

Segundo Enos, isto deve-se pelo fato de “Alma dos Soldados” e “Ultimate Ninja Storm 4” serem os dois grandes investimentos iniciais da empresa nesta área, e os resultados ainda não haviam sido considerados conclusivos durante a produção de “One Piece: Burning Blood”.

“Isso foi mais uma questão de como estas agendas se misturam”, declarou. “Já que ‘Naruto’ foi lançado em fevereiro, só tínhamos as métricas de ‘Cavaleiros’ para mostrar a performance da dublagem, e é claro que neste meio tempo ‘One Piece’ já estava em produção”.

“Mesmo agora ‘Naruto’ está nas lojas há apenas um mês e meio, então ele vai continuar a vender por algum tempo”, continuou.


Luta contra o tempo

Enos explicou que o fator mais importante na hora da localização de um game, em especial ao implementar diferentes dublagens por todo o mundo, é o tempo de desenvolvimento do projeto.

“A não ser que fiquemos atrasando o jogo, há um cronograma, e a fase de gravação de falas acontece deste período até este período. E se não completarmos isso até lá, o game vai sofrer” disse.

“Se estivermos falando de um jogo qualquer, e não importa qual voz seja, não há muitos problemas. Mas se for o caso de ‘Dragon Ball’, ‘Naruto’ ou ‘Cavaleiros’, os personagens tem vozes específicas”, continuou. “E se, por exemplo, o dublador do Naruto estiver de férias por duas semanas, não podemos esperar. Então é complicado coordenar tudo isso”.

Mesmo com estes desafios, Enos se mostra orgulhoso com o trabalho feito em “Almas dos Soldados” e “Ultimate Ninja Storm 4”, e espera que outros jogos recebam tratamento semelhante.

“Nós queríamos investir com ‘Cavaleiros’, que tem presença enorme na região, para mostrar o nosso compromisso com o público”, declarou. “E a onda de comentários e apoio que recebemos foi significativamente maior do que quando apenas legendamos o outro game”.

“Seguindo em frente, nosso plano é de trazer mais jogos dublados, mas pretendemos, no mínimo, levar o máximo possível de games legendados para o mercado latino americano”.

Enos até chegou a dizer que, caso os números de “Cavaleiros” e “Naruto” sejam bem recebidos pela Bandai, seria possível até traduzir games de outras franquias da empresa, nos moldes de “Dark Souls” ou “God Eater”.

“É possível até argumentar que isso é mais fácil que jogos de anime”, opinou. “Logicamente não vamos pegar qualquer pessoa na rua e falar ‘ei, você fala português do Brasil? Vem aqui pro estúdio!’, mas no caso de jogos não-licenciados há mais flexibilidade em encontrar bons dubladores, sem precisar especificamente da voz do Sasuke ou do Luffy”.

*O jornalista viajou a convite da Bandai Namco

Fonte: Bol.com.br

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