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Para caracterizar as origens do H1N1

A gripe provocada pelo vírus H1N1 voltou a assombrar os brasileiros. O surto em estados como São Paulo e a alta do número de mortes associadas à doença no país neste ano levou à busca desenfreada por vacinação. Preocupação que chegou também a Pernambuco. Apesar da pandemia em humanos em 2009, causada pelo vírus da influenza de origem suína, ainda são escassas no Brasil pesquisas sobre a circulação do vírus entre essa população animal. Um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CpqAM/Fiocruz) iniciou neste ano um estudo com objetivo de caracterizar, pela primeira vez, as cepas do vírus da influenza suína circulantes em Pernambuco.

Cerca de 70% das doenças que infectaram os humanos nas últimas décadas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), têm origem nos animais. O vírus da influenza A é capaz de infectar vários animais, como aves, mamíferos aquáticos, terrestres e voadores. Dentre eles, os suínos estão classificados como um importante reservatório de novos vírus da influenza com maior capacidade de levar ao adoecimento e transmissão entre humanos. Entre 2009 e 2010, a estimativa é de que a pandemia tenha levado à morte mais de 500 mil pessoas em todo o mundo. E, desde essa época, a comunidade científica internacional alerta para a possibilidade da geração, em suínos, de novos vírus com maior agressividade.

A situação é ainda mais relevante no Nordeste brasileiro, onde a criação de suínos costuma ocorrer fora das normas de biossegurança, aumentando as chances de haver essa transmissão. “A pesquisa sobre influenza no Brasil é negligenciada, sabemos muito pouco sobre a influenza que circula no país, especialmente em animais. E o vírus tem essa capacidade de transmitir de animais para humanos e vice-versa”, explica o pesquisador do Aggeu Magalhães Lindomar Pena.

Com a experiência de quem estudou, nos Estados Unidos, o vírus da influenza em plena pandemia, Lindomar Pena coordenará a pesquisa em Pernambuco, aprovada e já com recursos assegurados. O estudo Vigilância Molecular do Vírus da Influenza Suína e Desenvolvimento de Novas Vacinas Recombinantes terá uma duração de 36 meses. Com o diagnóstico das características moleculares e antigênicas (capazes de produzir anticorpos) de várias cepas do vírus da influenza suína circulante em Pernambuco, o grupo poderá indicar o potencial patogênico, ou seja, de causar doença, dessas cepas e a ameaça que elas representam à saúde pública.

Outro objetivo é desenvolver uma plataforma vacinal inovadora para a prevenção e controle da doença em suínos, em todo o território nacional, e evitar assim a disseminação da influenza. Além de contribuir para a detecção precoce e a prevenção da gripe suína. “Dessa forma, conseguiremos ativar o sistema de vigilância e prevenir surtos, epidemias e até pandemias”, acrescenta Pena. A pesquisa tem a colaboração da Fiocruz de Minas Gerais, da Universidade de Georgia (EUA) e da Associação Pernambucana dos Criadores de Suínos (APECS).

Neste ano, o vírus H1N1 já causou 153 mortes no Brasil, quatro vezes mais do que em 2015. O último boletim do Ministério da Saúde apontou 1012 casos da doença. Em Pernambuco, são 34 confirmações de H1N1. Uma criança do estado morreu em São Paulo, depois de contrair a doença em um hospital paulista. Nesta segunda-feira, Pernambuco iniciará a campanha de vacinação para os grupos de risco. A expectativa é de que até o dia 20 de maio sejam imunizadas cerca de 2 milhões de pessoas. A vacinação contra a influenza pode reduzir entre 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade global.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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