Presidente da Colômbia pedirá na ONU mudanças na luta antidrogas

Jaime Ortega.

Bogotá, 18 abr (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta segunda-feira que o mundo deve repensar a guerra contra as drogas porque a estratégia atual não teve resultados e que a cúpula sobre o tema que começa amanhã na ONU é a oportunidade de iniciar a mudança.

“Dissemos que o mundo está há 40 anos ou mais em uma guerra que se declarou oficialmente, é uma guerra que não se ganhou e, consequentemente, é preciso repensar como travar esta guerra com mais efetividade, e a ONU tem uma oportunidade de avançar nessa direção”, disse Santos em entrevista à Agência Efe.

O presidente colombiano viajará na próxima quarta-feira a Nova York para participar da Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre Drogas (UNGASS, na sigla em inglês), na qual defenderá uma mudança de estratégia na luta contra este flagelo.

Santos lembrou que desde 2011 seu governo insiste na necessidade de que a ONU “por um lado dê mais flexibilidade aos países” para que adaptem a luta a suas próprias circunstâncias e que a Convenção de Direitos Humanos da ONU seja também o eixo de uma nova guerra contra as drogas na qual este problema tenha um enfoque de saúde pública.

“Se a ONU adotou a Convenção de Direitos Humanos como o pilar de sua política, como a coluna vertebral, deve ser para que as demais convenções, como por exemplo a das drogas, tenham como prioridade também a defesa dos direitos humanos “, ressaltou.

Na opinião do chefe de Estado colombiano, “isso se choca com o que está acontecendo atualmente”, pois há países nos quais o narcotráfico é castigado com pena de morte ou não se permite que se dê um tratamento de saúde pública aos usuários.

“Então estamos propondo que se adote uma política muito mais conforme com o que a ONU veio defendendo nos últimos tempos”, acrescentou Santos, que considera que a cúpula desta semana será o ponto de partida dessa mudança.

O presidente disse, além disso, que é necessário “concentrar os esforços nos elos mais perigosos da cadeia (do narcotráfico) e dar alternativas diferentes aos mais frágeis”, ou seja os produtores.

Como exemplo, Santos declarou que não há argumentos para dizer a um camponês colombiano que planta maconha “que ele vai para a prisão, mas um consumidor no estado do Colorado (Estados Unidos) pode fumá-la e é totalmente legal”.

Com base nesse princípio de responsabilidade compartilhada, Santos defendeu que a luta contra as drogas ponha mais ênfase no consumo, e não só na produção, pois há economistas que sustentam a tese que o esforço “concentrado em lutar pelo lado da demanda é muito mais efetivo, eficiente, que no lado da oferta”.

Santos destacou também que o narcotráfico não só alimentou os cartéis das drogas, mas também guerrilhas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que aumentaram seu poder nos anos 80 e 90 graças ao dinheiro obtido com os cultivos ilícitos e à produção de cocaína.

Por isso, ao ser perguntado se acredita que as Farc teriam resistido tanto tempo se a cocaína tivesse sido legalizada, o presidente colombiano opinou que não.

“Essa é uma pergunta muito capciosa que me faz pensar muitíssimo, porque, de repente, a resposta é não, as Farc não teriam resistido”, opinou.

Quanto à legalização das drogas em médio e longo prazo, Santos considerou que pode ser viável se fizer parte de uma política global e não de um só país ou de uns poucos.

“Sim, desde que seja uma decisão coletiva. Não considero possível que os países façam isso individualmente”, respondeu ao ser perguntado pela Efe sobre este assunto.

Apesar de vários ex-presidentes, principalmente latino-americanos, se mostrarem favoráveis à legalização das drogas como uma alternativa para combater este flagelo, Santos é um dos poucos no exercício do cargo que não teme falar desta possibilidade.

“Eu quero que sejamos mais efetivos porque estou lutando contra este flagelo há dez anos, e eu acho que pouca gente no mundo foi tão efetiva nesta luta. No entanto, eu digo que às vezes parece que estamos em uma bicicleta estática, na qual pedalamos e pedalamos, fazemos muitos esforços (…) e o negócio (do narcotráfico) segue”, comentou.

Nesse sentido, acrescentou que a Colômbia, apesar de ter sido “o país que mais sacrifícios fez, que mais custos pagou no mundo inteiro nesta guerra contra as drogas, continua sendo o primeiro produtor e exportador de cocaína do mundo, nunca deixamos de sê-lo”. EFE

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(foto)(vídeo)

Fonte: Bol.com.br

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