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Putin rebate Panama Papers com declarações modestas de imposto de renda

Ignacio Ortega.

Moscou, 20 abr (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que se viu indiretamente citado no escândalo de vazamento de documentos Panama Papers, rebateu as acusações de corrupção ao divulgar uma modesta declaração de imposto de renda.

Putin, que foi acusado pela imprensa internacional de ser o homem mais rico da Europa e possuir ações nas principais estatais russas, ganhou no ano passado 8,9 milhões de rublos (cerca de R$ 482 mil), segundo a declaração divulgada pelo Kremlin.

Além disso, tem em sua propriedade um apartamento de 77 metros quadrados em sua cidade natal, São Petersburgo, na ilha Vasilievki, no coração da antiga capital czarista.

O líder russo também declarou um solar de 1,5 mil metros quadrados, uma garagem de 18 metros quadrados, dois carros antigos de fabricação soviética Volga (1960 e 1965), um moderno, um Niva 4×4 e um trailer Skif.

Putin, que reduziu voluntariamente o próprio salário em 10% para dar exemplo a outros funcionários de alta patente em tempos de crise, aumentou a quantia que recebe em mais que o dobro desde 2013, o que o Kremlin considerou normal.

Esses aumentos estão muito longe dos de alguns colegas, como seu porta-voz, Dmitry Peskov, que ganhou quatro vezes mais (o equivalente a R$ 1,9 milhão).

Putin foi acusado nos últimos anos de enriquecer, e teria contado com a colaboração de amigos como o oligarca russo Gennady Timchenko, presidente do Grupo Gunvor, um dos maiores operadores mundiais de hidrocarbonetos.

Palácios no Mar Negro, mansões no litoral mediterrâneo espanhol e luxuosos iates são algumas das propriedades que a imprensa e a oposição atribuíram ao presidente russo. No entanto, o chefe do Kremlin negou todas as acusações e defendeu os amigos, alguns multimilionários, dos quais se mostrou “orgulhoso”.

Esse foi o caso do padrinho de uma de suas filhas, o violoncelista Sergey Rolduguin, acusado de criar empresas offshore no Panamá com a ajuda de estatais russas.

“Sergey comprou, se não me equivoco, dois violinos e dois violoncelos, instrumentos únicos. O último que adquiriu teve um custo de quase US$ 12 mil. Mas já não tem dinheiro. Na compra de instrumentos gastou mais dinheiro do que tinha”, alegou.

Na opinião de Putin, os recentes vazamentos dos Panama Papers não são mais que um “produto informativo” destinado a castigar a crescente independência política da Rússia, especialmente na Ucrânia e na Síria.

“Vosso humilde servidor não aparece lá. Não há nada do que falar”, comentou Putin, que acusou os Estados Unidos de estarem por trás dos vazamentos.

No começo do ano, o subsecretário americano do Tesouro para questões de Terrorismo, Adam Szubin, acusou Putin de ser um dirigente corrupto e afirmou que o governo americano sabe disso há “muitos anos”.

“Vimos Putin enriquecer com ativos estatais seus amigos, seus aliados próximos, e afastar os que não vê como amigos. Para mim, isso é um panorama de corrupção”, afirmou.

Dias depois, Putin defendeu publicamente o combate à corrupção e depois aprovou um plano estatal voltado a combater o desvio de recursos públicos de olho na Copa do Mundo de 2018.

Putin já tinha tachado como “lixo” em 2008 as informações de que era o homem mais rico da Europa, com uma fortuna estimada em mais de US$ 40 bilhões.

O mesmo ocorreu quando o Wikileaks divulgou documentos diplomáticos americanos que assinalavam que Putin, na época de primeiro-ministro, era multimilionário e coproprietário da empresa Gunvor.

Outro momento de dúvidas sobre o presidente russo foi quando surgiram diversas acusações sobre uma de suas filhas, Ekaterina, que supostamente dirige o projeto Innopraktika, que administra contratos multimilionários de seu cargo na Universidade Estatal de Moscou.

“Independentemente do sobrenome de quem executa, essa é uma iniciativa do reitor e é uma boa iniciativa. O quão bem-sucedido será esse projeto, ainda é cedo para dizer. Pergunte ao reitor e àqueles que se dedicam a isto”, argumentou Putin, que disse que suas filhas “não se dedicam nem aos negócios e nem à política”.

O colunista russo Anton Orej ironizou o presidente russo ao negar as acusações de corrupção contra “o czar Putin”, alegando que seria como “chamar de corruptos, por exemplo, (os ex-imperadores) Pedro I da Rússia, Nicolau II ou Alexandre III”.

“Ele é dono da Rússia. Ele não precisa de dinheiro. Nem rublos nem dólares. Pode conseguir o que deseja e em qualquer quantidade. E o fato de todo mundo ter se tornado amigo de Putin foi esclarecido depois na lista de (multimilionários) da (revista) ‘Forbes’. Isso não é corrupção, é amizade”, disse em seu blog na emissora de rádio “Eco de Moscou”.

Fonte: Bol.com.br

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