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"Refugee Radio Network", a rádio criada por e para refugiados

Paula Gómez de Tejada Espinosa.

Berlim, 10 abr (EFE).- Histórias de vida, músicas, notícias e a promoção do respeito aos direitos humanos. O que antes era gravado com o celular e disponibilizado nas redes sociais agora funciona pelo sinal FM de várias cidades alemãs por meio da “Refugee Radio Network” (RRN), uma emissora criada por e para refugiados.

Esta rádio, escutada por cerca de 40 mil pessoas diariamente, surgiu no final de 2014 em Hamburgo, onde três refugiados nigerianos decidiram bancar o projeto com um objetivo: dar voz às vidas e histórias das pessoas que cruzam as fronteiras dia após dia.

Um dos criadores do projeto é Larry Maculay, engenheiro e ativista político nigeriano que abandonou seu país natal e seguiu rumo à Líbia para fugir da guerra.

Em 27 de maio de 2011, Maculay chegou à Europa junto a outros 1.355 refugiados que, divididos em três embarcações, tinham iniciado dias antes a viagem rumo à ilha italiana de Lampedusa, onde precisaram do auxílio de lanchas patrulheiras.

Maculay ficou dois anos na ilha, o tempo que necessitou para completar a burocracia da solicitação de asilo.

“As pessoas pensam que os refugiados são pobres, terroristas e que queremos tirar o trabalho (dos europeus), e não é assim. O povo só quer se salvar”, explicou à Agência Efe.

Já na Alemanha, o nigeriano se cansou de escutar nos veículos de imprensa tradicionais informações “negativas” e “tóxicas” sobre os solicitantes de asilo e, junto a dois amigos, viu “a necessidade de criar uma voz midiática alternativa que desse informações reais”.

Com essa premissa como bandeira e a intenção de ajudar e auxiliar à comunidade de deslocados, Maculay, Asuquo Udo e Sammies Bones decidiram criar “a primeira rádio para refugiados de grande alcance”, a “RRN”.

O projeto foi custeado com o que tinham economizado, utilizando materiais de gravação básicos e telefones celulares e recorrendo às redes sociais, como Facebook, Skype e YouTube, para divulgar seus programas em inglês.

A rádio cresceu com o tempo, e agora pode ser ouvida ao vivo de Hamburgo, Berlim, Marburg e Stuttgart. Ao longo da programação, os integrantes colaboram com deslocados de muitas partes do mundo, os “voluntários”, razão pela qual também transmitem reportagens gravadas em países como Itália, França, Líbano e Austrália.

Veículos de imprensa que em um primeiro momento tinham se negado a conceder ajuda agora os chamam para ceder espaço ou colaborar com a equipe, destacou Maculay.

A programação da rádio é variada e muitas vezes se adapta ao que os ouvintes pedem, desde músicas do mundo todo e entrevistas a programas infantis, passando por debates ou relatos pessoais de refugiados.

Hoje há inclusive a transmissão de um programa mensal de televisão na internet, no qual durante 60 minutos refugiados falam de suas vidas em seus países de origem e amparo.

Para ampliar seus círculos de ouvintes, os criadores da “RNN” se conectam com grupos de refugiados pelas redes sociais, utilizam o tradicional “boca a boca” e organizam eventos e palestras em universidades.

Um desses eventos foi o Taz.lab 16, uma feira realizada recentemente em Berlim sob o título “Amigos ou desconhecidos?”, que contou com palestras e oficinas sobre o tema dos refugiados.

“Não gostamos de trabalhar sentados em uma cadeira, é preciso se movimentar”, afirmou Maculay, em busca de novos ouvintes na feira.

Para ele e muitos de seus companheiros, a situação política atual tem dois claros responsáveis: os políticos e os eleitores.

“Os políticos não fazem nada, não querem mudar nada. É uma vergonha que os europeus deixem que isto aconteça. E todos se queixam dos políticos, mas quem colocou os políticos lá? As pessoas”, analisou.

A Alemanha registrou no ano passado a entrada de 1,1 milhão de solicitantes de asilo e, embora os números tenham caído de forma drástica, mais 173.707 chegaram ao país no primeiro trimestre de 2016.

Não há uma solução mágica, mas para Maculay é evidente que “a migração chegou para ficar, como sempre esteve e com mais pessoas vindo”, por isso a “RRN” continuará a assessorar e ajudar os refugiados.

Fonte: Bol.com.br

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