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Relatório expõe violência relacionada à circulação do Uber no Recife

Publicitário responsável pelo documento diz não ter sido vítima de violência envolvendo taxistas e motoristas do Uber, mas se viu revoltado diante dos relatos recorrentes de agressão. Foto: Paulo Paiva/DP
Publicitário responsável pelo documento diz não ter sido vítima de violência envolvendo taxistas e motoristas do Uber, mas se viu revoltado diante dos relatos recorrentes de agressão. Foto: Paulo Paiva/DP

 

Agressões verbais, constrangimento e até violência física. Os episódios envolvendo taxistas e motoristas do Uber se repetem desde o início do funcionamento do aplicativo no Recife e espalham um clima de tensão na cidade. Um relatório independente divulgado nesta quarta-feira reúne relatos de ocorrências com taxistas e dá um panorama do campo de batalha em que se transformou o Recife, a exemplo de outras capitais brasileiras.

Segundo o documento, preparado a partir de 29 entrevistas, somente no último fim de semana, pelo menos nove ocorrências aconteceram na cidade. De acordo com o relatório, 70% dos casos aconteceram no Centro do Recife. O levantamento ainda indicou que em 60% dos episódios houve agressão verbal, 52% dos que responderam se sentiram impedidos no seu direito de ir e vir, e 17% foram agredidos fisicamente. Extorsão, colisão contra carro, perseguição e até roubo também foram citados nos depoimentos de quem respondeu ao formulário, divulgado no Facebook. Vinte e três placas de táxis são citadas nos relatos.

Realizado por um publicitário de 25 anos, que não quis se identificar por motivos de segurança, o levantamento foi protocolado nesta quarta-feira no Ministério Público de Pernambuco, polícias Civil e Militar e Prefeitura do Recife, que encaminhou o documento para a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). Além dos órgãos, os vereadores da cidade também receberam o relatório por e-mail, assim como as principais empresas, cooperativos e aplicativos de táxi que atuam na capital pernambucana.

O publicitário responsável pelo resumo explica não ter sido vítima de nenhum caso envolvendo taxistas e motoristas de Uber, mas se viu revoltado diante dos relatos recorrentes de violência. “Não tem nenhum taxista preso, como pode? A polícia quando chega não faz nada, mesmo nos casos de violência. O sindicato dos taxistas é forte, a prefeitura não quer levantar bandeira, aí não acontece nada?”, questiona o publicitário, que cita o caso de um estudante de direito que foi agredido por um taxista no último sábado depois de ser confundido com um motorista do Uber.

Para ele, é preciso separar as ocorrências da polêmica que envolve a regulamentação do Uber na cidade. “Não é sobre Uber ou táxi de jeito nenhum, é sobre violência. Não são incidentes isolados. Acho absurdo que tenham as placas daqueles que cometeram violência e eles não respondam por isso. Na minha visão não pode acontecer, precisam ser punidos de alguma forma”, pressiona.
 
Recomendação é notifica
r -O entendimento de que o cenário de violência instalado na cidade vai além da polêmica regulamentação do serviço é o mesmo para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A Promotoria de Transporte do órgão fez recomendações a CTTU e a Secretaria de Defesa Social (SDS), que devem ser oficialmente notificados nesta quinta-feira. As providencias de caráter emergencial cobram não só a prevenção de novos conflitos nas ruas, mas a responsabilização dos fatos já ocorridos.

O Ministério Público recomendou à CTTU a apuração das denúncias envolvendo taxistas e as eventuais punições, em forma de cassação do Termo de Permissão (TP) do profissional. Foto: Paulo Paiva/DP
O Ministério Público recomendou à CTTU a apuração das denúncias envolvendo taxistas e as eventuais punições, em forma de cassação do Termo de Permissão (TP) do profissional. Foto: Paulo Paiva/DP

À CTTU o Ministério Público recomenda a apuração de denúncias envolvendo taxistas e as eventuais punições, em forma de cassação do Termo de Permissão (TP) do profissional. “Os conflitos que estão acontecendo culminam com a prática de ilícitos penais, como constrangimento, ameaça, exercício arbitrário das próprias razões e até agressões físicas”, explica o promotor de Transporte do estado, Humberto Graça. “É inadmissível agir dessa forma. Se já entendemos que o taxista não pode sequer ser descortês, imagine agir de forma criminosa, com atos de selvageria”, avalia.

Para o promotor, é importante destacar que a essa conduta de alguns taxistas começa a “poluir o imaginário da sociedade” sobre o sistema de transporte, o que é difícil de reparar no futuro. “Esse tipo de profissional não interessa ao sistema. Por mais legitimo que ele acha que seja sua ação. O passageiro vai olhar e pensar ‘quem é o profissional que vai me atender?’ e trata-se de um serviço que exige confiança”, diz. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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