Robôs humanoides ajudam autistas

As luzes acesas e a fala programada do robô prendem a atenção do pequeno Emerson Henrique, 6 anos. Concentrado nas reações mecânicas da máquina laranja e branca, o menino se aproxima e toca a peça, como quem faz um carinho. A reação surpreende a mãe, a dona de casa Vanessa Santana, 26. Emerson é autista e tem síndrome de Down, diagnóstico que interfere nos comportamentos sociais. Sua interação com outros colegas de classe é restrita, mas está abrindo uma forma diferente de diálogo com o amigo mecânico.

A robótica nas salas de aula das escolas públicas do Recife vai além dos programas competitivos. Está sendo utilizada para o desenvolvimento cognitivo de estudantes diagnosticados dentro do Transtornos do Espectro Autista (TEA).

No mundo, mais de dois milhões de pessoas têm esse diagnóstico. Apesar disso, o acesso aos tratamentos terapêuticos para melhorar a qualidade de vida é quase nulo. Somente 10% dos pacientes brasileiros participam desse tipo de atividade, considerada elementar para o desenvolvimento. A rede municipal de ensino tem 276 alunos com autismo, de 5 a 15 anos. Eles são menos de 1% do total, 87 mil, mas incorporam às salas regulares um desafio educacional diário.

Desde abril de 2015, robôs humanoides são usados para estimular a comunicação e a concentração. São 30 equipamentos preparados para interagir com as crianças e fazer a ponte com o conteúdo. “Eles são programados para trabalhar a tentativa de diálogo, partes do corpo humano e vocabulário, através de música e a interação”, explica a coordenadora de Robótica, Fernanda Barreto.
A ação é baseada em estudos teóricos e experiências realizadas em países como Estados Unidos, Portugal, Inglaterra e México.

Para o espectro autista, ela atua também na aquisição da linguagem e na diminuição do comportamento estereotipado (balançar, movimentos rotativos, bater mãos). “Sabemos que o autista tem dificuldade em olhar para o ser humano”, diz Fernanda Barreto. “O autista tem dificuldade em lidar e compreender as emoções, como a raiva, o carinho. Com o humanoide, a troca é na base da observação, da curiosidade”, acrescenta a professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) Cristiane Paes, que atua na Escola Municipal Rozemar de Macedo Lima, em Casa Amarela.

No ano passado, 27 professores passaram por uma capacitação para usar as tecnologias assistivas, o que inclui os robôs humanóides. Cada um deles preparou um projeto de como utilizar a robótica com os alunos e envia, após cada encontro, relatos sobre as evoluções observadas nos estudantes.

Os equipamentos de robótica disponíveis fazem um circuito de visita de duas escolas por semana. Em 2015, foram realizadas quatro visitas em cada uma das 22 escolas onde estão matriculados os alunos do espectro. Neste ano, a Secretaria de Educação afirmou que pretende capacitar mais professores para expendir o projeto, cujas atividades serão retomadas no início de abril.

Os robôs humanoides, conhecidos como NAO, são produzidos por uma empresa francesa. De alto custo, chegam sempre às salas ao lado de guardas municipais. Por isso, a depender da disponibilidade de carros para o translado, nem sempre cumprem a agenda da semana.
Quando chegou na escola, Emerson era uma criança bem retraída. Não mantinha contato visual, era avesso a toques. Por isso, a interação com a máquina chamou a atenção da mãe Vanessa. “Percebo que ele está interagindo mais com as outras crianças”, afirmou a mãe.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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