Saiba tudo sobre a novela Liberdade, Liberdade, da Globo

Cenografia e produção de arte

Para reconstruir o Brasil de 1792 e 1808, anos em que se desenrola a trama de Liberdade, Liberdade, as equipes de cenografia e produção de arte tiveram de embarcar em uma viagem por meio de livros, pinturas e filmes rumo aos tempos da colônia. Uma época na qual a sociedade vivia sem saneamento básico, com esgoto a céu aberto, hábitos higiênicos precários, pouco acesso às riquezas naturais da terra e pagamento de impostos exorbitantes. Um período no qual os negros eram tratados como propriedade e os brancos buscavam status, tentando se igualar aos europeus, adotando seus valores e hábitos.

“Ninguém sabe exatamente como era a vida privada no século XVIII no Brasil. Existem textos, algumas ilustrações, mas a história é contada por pessoas que normalmente têm interesses, que a editam ou estilizam. Portanto, nos baseamos na história, mas também damos a nossa opinião sobre ela, figuramos como essas pessoas viviam”, explica o diretor artístico Vinícius Coimbra.

A partir dessa pesquisa sobre o universo do Brasil Colônia, as equipes se reuniram para costurar os elementos que, juntos, dão cor e forma à novela em um trabalho minucioso, detalhado e repleto de recursos modernos.
 

Para reconstruir Vila Rica, onde se passam os principais acontecimentos, nos Estúdios Globo, as equipes de cenografia – assinada pelo diretor de arte Mário Monteiro e pelos cenógrafos Paulo Renato, Márcia Inoue e Kaka Monteiro – e produção de arte – a cargo de Marco Cortez – precisou resgatar a arquitetura mineira em cerca de 30 prédios que compõe o espaço de quatro mil metros quadrados. Paredes com acabamento primário, tons terrosos em todas as suas variações, madeira de demolição, telhas de cerâmica, esteiras de forração de teto feitas de palha de taquara e reproduções de pedra pé de moleque são algumas das características que remetem à época. Tudo para dar mais veracidade ao local e ao período: um Brasil sem indústrias, com pouco investimento de Portugal e depredado em seus recursos naturais mais valiosos.

O mesmo cuidado foi aplicado na chácara de Raposo, personagem vivido por Dalton Vigh, construída fora da cidade cenográfica em um espaço de 600 metros quadrados, já que o personagem, um nobre minerador, era um dos mais ricos da cidade. A casa principal segue a estrutura tradicional de Minas com cores brancas e detalhes em palha e cerâmica, e a senzala é feita de pau a pique e madeira de demolição.

Para móveis e peças do cenário, a busca em antiquários mineiros e o contato com colecionadores de antiguidades foi essencial. Com isso, a equipe de produção conseguiu garimpar artefatos como cadeiras, camas, carruagens, liteiras, entre outros, para compor o espaço.

Como as peças deste período são raras, nem todos os tipos de móveis foram encontrados, e os profissionais tiveram de reproduzir grandes peças como armários e mesas de acordo com a arquitetura da época. Até os colchões foram desenvolvidos, pois o tamanho e o material das camas eram diferentes dos usados atualmente. Papéis de parede, tecidos, maçanetas e peças aproveitadas do acervo da cenografia passaram por um processo de envelhecimento para reproduzir com mais fidelidade o período histórico.

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Fonte: OFuxico.com.br
Matéria Originalmente postada pelo site O Fuxico

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