Testamos o HoloLens, os óculos do futuro da Microsoft

A Microsoft mostrou as novidades de seus produtos para os desenvolvedores na semana passada durante a conferência Build, realizada em San Francisco, nos EUA. Windows 10, Xbox One e Office ganharam retoques, mas quem roubou a cena foi o HoloLens, os óculos de realidade aumentada da empresa. Nós tivemos a oportunidade de testá-los e vamos relatar a experiência com a maior fidelidade possível.

Se você acompanha o Olhar Digital, já conferiu vídeos que mostram o potencial revolucionário deste dispositivo apresentado no ano passado (quem não se lembra das projeções de Minecraft durante a feira E3?). Se está por fora do assunto, entenda do que estamos falando: trata-se de um conceito novo e promissor, capaz de mudar radicalmente a forma como consumimos entretenimento virtual.

O HoloLens projeta holografias no ambiente real onde é utilizado. As imagens 3D, exibidas em uma pequena tela transparente à frente dos olhos, se espalham ao redor do usuário permitindo experiências incrivelmente imersivas e interativas. Diferente dos modelos de realidade virtual, como os óculos do Facebook, o Hololens não transporta as pessoas para um universo paralelo – tudo acontece no mundo real. Além disso, ele acessa à internet, tira fotos e grava vídeos, atendendo aos comandos por gestos e voz.

Considerado pela Microsoft mais potente que um notebook médio, o dispositivo tem 2GB de memória RAM, 64GB de armazenamento flash, conectividade via Bluetooth e Wi-Fi e câmera HD de 2 megapixels. A vida útil da bateria não supera três horas, e o carregamento é feito com um cabo Micro USB. Independente, o aparelho não precisa de PC ou smartphone para funcionar porque, por si só, ele é um computador rodando Windows 10, com uma unidade de processamento holográfico customizada pela Microsoft, além de um processador Intel de 32 bits. No papel, as características agradam. Será que é tudo isso mesmo? Veremos a seguir.

Reprodução 

Preparação
O HoloLens tem suas particularidades e não é tão intuitivo quanto um celular ou qualquer outro aparelho com o qual já estamos acostumados. Para utilizá-lo é necessário fazer um treinamento prévio oferecido pela Microsoft, que disponibilizou monitores para orientar os jornalistas convidados a participar do teste.

A primeira etapa é ajustar os óculos à cabeça. Eles são pesados – 579 gramas – e causam ainda mais desconforto em quem usa óculos de grau (como eu). É uma sensação incômoda, acredite. Mesmo assim, a recomendação é encaixá-los da melhor forma possível, para garantir uma experiência mais proveitosa. Do contrário, o campo de visão fica muito limitado, carecendo de ajustes constantes.

Ao ligar o aparelho, é preciso fazer uma breve autenticação da visão – um olho por vez. As instruções são dadas por comandos de voz, em inglês, pela assistente virtual Cortana, que é profundamente integrada à plataforma. Isto é necessário para medir a distância entre a íris e a tela, de forma a calibrar as projeções adequadamente. Segundo a Microsoft, o sistema é inteligente e aprende rápido: quando mais se usa, melhor ele desempenha.

Cumprida esta etapa, surgem os primeiros esboços holográficos. Ao olhar para os lados, os óculos disparam imagens aleatórias para “radiografar” os objetos à volta do usuário. Mesas, cadeiras e até pessoas são cobertas por teias rosas brilhantes e quadriculadas. A Microsoft explica que esta é a fase de reconhecimento do ambiente, feito por meio de sensores, com base nas informações captadas na análise ocular.

Valendo!
Um computador à nossa frente, conectado ao HoloLens, dá vida às holografias exibidas no dispositivo – no futuro, a ideia é que aplicativos façam esta função no próprio aparelho. Na demonstração, o programa Visual Studio é a plataforma escolhida para armazenar os projetos pré-montados e transportá-los para os óculos. O passo a passo é simples e rápido, e em questão de minutos nasce a primeira construção: uma bola de cristal azul flutuante sustentada por uma estrutura branca.

O modo de funcionamento do HoloLens lembra o do computador: há um cursor que representa o mouse e um menu de opções. Assim que a imagem aparece na tela, é hora de pegá-la! Para movê-la, é necessário “clicar” nela com um movimento de pinça feito com as mãos no ar (a melhor analogia é o gesto do Chaves em ‘isso’, ‘isso’, ‘isso’). Os olhos devem sempre acompanhar o processo, indicando a direção desejada. Então, basta colocar a imagem onde quiser dentro do alcance da tecnologia, que é num raio de dois metros. Pronto! A transição é fluída, sem engasgos, e reproduzida com boa qualidade de resolução.

Na primeira parte do experimento, a holografia é meramente estática. Mas é possível explorá-la de diferentes maneiras, conforme o ângulo escolhido. De baixo, de cima, de perto ou de longe. Cada lado mostra uma perspectiva nova! Dá ainda para literalmente entrar na imagem, ‘quebrando-a’ para ver a sua parte interna. Tudo isso mantendo absoluto controle do que está acontecendo ao redor, sem desvio de atenção ou tropeços ao caminhar.

Reprodução 

Um passo além
Uma das principais críticas à realidade virtual é o fato de ela contribuir para o afastamento das pessoas, minando a vida social. Atenta a isso, a Microsoft permite interagir com outras pessoas que também estejam utilizando o HoloLens. É verdade que a interação não acontece de forma natural como mostrada nos comerciais da empresa, mas se dá a partir de uma temática divertida e infantil com a ajuda de avatares.

Na atividade promovida pela empresa, cada um dos presentes escolheu um avatar que o representasse. Os bichinhos coloridos pairavam sobre as cabeças das pessoas e as acompanhavam por todos os lados. Como eles podiam atingir uns aos outros com munição, não demorou para o início de uma “guerra holográfica”. Em meio a tiros e explosões, um buraco ‘se abriu no chão’, com profundidade aparente de cerca de um metro. O vídeo abaixo captura exatamente este momento, embora não faça muito sentido para quem não estava lá (vale pela curiosidade):

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As projeções mostram o incontestável poder imersivo do HoloLens, mas ainda têm pouca utilidade no dia-a-dia além da pura diversão. Atualmente, a principal função do dispositivo talvez esteja relacionada ao uso da internet: com os óculos, é possível arrastar janelas do navegador Microsoft Edge e do Skype para qualquer lugar dentro do alcance da tecnologia. Mais do que isso: dá para redimensionar o tamanho da janela e deixá-la parada onde você quiser, grande ou pequena, na parede, no sofá, na mesa ou até mesmo no corpo de alguém. Imagine só poder projetar o filme da Netflix ou uma conversa online em qualquer canto da casa…

Para que serve?
Não faltam ideias envolvendo o HoloLens. Em entrevista ao Olhar Digital, Scott Erickson, gerente de novos dispositivos da Microsoft, disse que que o programa destinado aos desenvolvedores reuniu mais de 5 mil sugestões de aplicações voltadas para games, medicina, educação, mercado corporativo, entre outras áreas. “Há muitas coisas que os desenvolvedores podem fazer para criar experiências holográficas. Se você puder ver dados e informações na sua frente, esta pode ser uma nova forma de interação e aprendizado”, analisa Erickson.

Conclusão
Sim, o HoloLens é tão mágico quanto parece ser, abre um leque inimaginável de possibilidades e tem cara de coisa do futuro. No entanto, ainda está cru para ser disponibilizado em larga escala ao público, principalmente porque falta conteúdo. Lançá-lo hoje seria repetir o erro do Google com o Glass, antecipando um conceito que ainda não está pronto. Sem falar no preço salgado do HoloLens: a edição dedicada aos desenvolvedores, que começou a ser entregue na semana passada, custa US$ 3 mil, cerca de R$ 12 mil.

Enquanto o projeto ainda está na fase experimental, algumas melhorias são bem-vindas: a construção de um sistema amigável para rodar as aplicações; uma versão mais leve que se adapte melhor à cabeça e incomode menos; e uma tela maior (a atual, que mais parece uma faixa horizontal, tem menos de 10 centímetros), o que limita o campo de visão. Vale ressaltar também que o usuário está sujeito a tontura depois de um certo tempo de uso – meia hora parece ser o limite para evitar desconfortos.

A Microsoft não arrisca uma data de lançamento do HoloLens. Isso significa que o futuro dos óculos de realidade aumentada está mais nas mãos dos desenvolvedores do que nas da própria fabricante, que até aqui cumpriu bem a função de criar um hardware poderoso, consistente e inovador. Resta saber a partir de quando nós vamos poder utilizá-lo pra valer e para quais finalidades.

Fonte: Olhar Digital
Matéria originalmente postada no site olhardigital.uol.com.br

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