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Tomorrowland Brasil: Festival nasceu da cena de raves ilegais de Amsterdã

As raízes da Tomorrowland, hoje uma das maiores festas de música eletrônica do mundo, cresceram no terreno fértil das raves ilegais de Amsterdã, na Holanda, no começo dos anos 1990. Foi nessa atmosfera aberta à diversidade cultural e de pensamento que brotaram as sementes daquele que se tornaria um império multinacional do entretenimento. A Tomorrowland ganha uma segunda edição brasileira no Parque Maeda, em Itu, no interior de São Paulo, a partir desta quinta-feira (21) e segue até sábado (23). Em 2015, ano de sua estreia brasileira, reuniu cerca de 180 mil pessoas nos três dias de evento, segundo os organizadores.

“Eu era pequeno para os padrões holandeses e não tinha dinheiro para comprar as roupas certas para as discotecas”, contou Irfan Van Ewijk, um dos três criadores da ID&T, empresa responsável também por festas como a Mysteryland e a Sensation, esta última que ganhou edições no Brasil. Irfan relembrou seus primeiros dias como empresário e clubber durante uma entrevista a um canal de notícias indiano. “Eu não me divertia muito [nas discotecas tradicionais] porque o foco estava mais sobre a parte social, e eu não era bom nisso. Eu tinha um gosto musical alternativo.”

Irfan foi apresentado, por um amigo, a um clube underground de Amsterdã, no final dos anos 1980. E, ali, ele entrou em contato com a cultura efervescente da música eletrônica. “Havia gays, transexuais, pessoas da moda, da cidade e de fora, e todos se divertiam por causa da música e da atmosfera.” Essas experiências fariam parte do caldo que culminaria na decisão do holandês de iniciar a empresa com mais dois amigos (a sigla ID&T faz referência aos primeiros nomes do trio: Irfan, Duncan e Theo).

Aos poucos, Irfan se aprofundou nesse universo, frequentando as primeiras raves ilegais de Amsterdã, realizadas em áreas industriais da cidade, região onde o pai do produtor, coincidentemente, tinha uma empresa. Os DJs tocavam house feitos por produtores de Chicago, Estados Unidos, que desembarcava na Europa junto a um movimento que propagava valores de união e liberdade.

“Ao voltar de uma dessas festas, encontrei meu pai pela manhã, descendo as escadas para tomar café, e falei para ele que eu sabia o que faria quando ficasse mais velho. Produziria esse tipo de evento. Ele me mandou dormir, falou que conversaríamos sobre aquilo no dia seguinte”, lembrou Irfan. “Nossa primeira festa aconteceu naquela virada de ano. Eu me diverti muito.” As festas da ID&T se expandiram rapidamente, focando-se em diversos gêneros da música eletrônica. Além do trance e da house, o trio também investiu nas vertentes mais pesadas e barulhentas, como o hardcore techno. 

O processo de consolidação do negócio continuou e, em 2013, 75% da empresa foi vendida para o grupo americano SFX por um valor estimado em US$ 97,5 milhões. Com o tempo e o crescimento, os valores originais de liberdade e união naturalmente se diluíram, mas sobrevivem até hoje nas campanhas de marketing de massa, utilizadas também para propagar um caráter mais “exclusivo” das festas.

Os ingressos para a Tomorrowland Brasil 2016, por exemplo, custam a partir de R$ 400 e chegam a R$ 1.900 no pacote VIP de três dias. Quando foi realizada no Brasil, a Sensation chegou a oferecer passeios de helicóptero aos pagantes. Mas, ainda que os tempos sejam outros, a música eletrônica ainda respira alguns dos ideais positivos do trio fundador. Talvez seja apenas mais difícil encontrá-los na estrutura de um megafestival. Esta próxima edição da Tomorrowland tem a chance de provar isso ao público.

Nesta quinta-feira, primeiro dia do festival, os destaques são David Guetta, Axwell / Ingrosso, Robin Schulz e os brasileiros Alok e Renato Ratier. Na sexta-feira as principais atrações são Infected Mushroom, Alesso, Armin van Buuren, Afrojack e Tropkillaz. No sábado, último dia, o encerramento fica por conta de Steve Angello, Nicky Romero, Dimitri Vegas & Like Mike, Gui Boratto, DJ Patife e DJ Marky, entre outros.

Fonte: Bol.com.br

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