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Tribuna SBTpedia: Silvio Santos, sucesso também no rádio, por Rafael Fialho

Silvio Santos, sucesso também no rádio

Por Rafael Fialho* (rafaelbfialho@gmail.com)

O trabalho de Silvio Santos como animador de televisão dispensa apresentações. Há muitos anos ele é reconhecido por seu sucesso e seu estilo próprio, que o alçou ao título de “rei da TV”. Mas o que poucos sabem é que, antes de ingressar na TV Paulista, emissora na qual fez Vamos Brincar de Forca, seu primeiro programa, Silvio aventurou-se no rádio. Nos próximos dois textos tentarei resgatar esse capítulo da história de Silvio, que embora seja pouco rememorada, tem grande importância.

Trecho de uma antiga reportagem na revista Melodias. Reprodução.


Em seus tempos de camelô, o jovem Senor Abravanel sempre era pego pelos fiscais da prefeitura. Numa dessas ocasiões, teria ocorrido o improvável: o diretor da Fiscalização da Prefeitura, ao invés de prendê-lo, o encaminhou para uma rádio, como Silvio mesmo conta:

Mas quando ele me viu trabalhando, viu que eu tinha muito pouca idade, viu que eu falava regularmente, viu que eu era estudante, modificou seu pensamento a meu respeito. Ao invés de me levar para o Juizado de Menores deu-me um cartão para que eu fosse procurar um amigo dele na Rádio Guanabara, Jorge de Matos, dono do Café Globo. Eu fui à Rádio Guanabara e, por coincidência, lá estava se realizando um concurso de locutores, do qual participavam, naquele tempo, uns 300 candidatos. Nesse concurso estavam inscritos rapazes, que, depois, tornaram-se famosas figuras do mundo artístico, no rádio ou na televisão, como Chico Anísio, José Vasconcellos, Celso Teixeira. Fui o primeiro colocado nesse concurso e assim fui admitido como locutor (SILVA, 1972, p. 28-9).


O trabalho com as vendas era muito mais rentável, o que fez com que a estadia de Silvio na Guanabara durasse apenas um mês. O então adolescente de 14 anos voltou para as ruas, e no tempo livre, participava de programas de auditório como os de Heber de Boscoli com Yara Salles e Lamartine Babo, além de acompanhar as emissões de Cesar de Alencar.


Em determinado momento, Silvio foi servir ao exército como paraquedista, e para evitar problemas com os militares, largou o serviço de camelô. Foi o ponto de partida para que ele voltasse de vez para o meio radiofônico, agora na Rádio Mauá, onde trabalhava com Silveira Lima aos domingos, sem receber nada em troca, como ele lembra:

Não ganhava nada, mas fazia uma coisa que me agradava e que, em última instância, me realizava. Era uma atividade condigna com a minha condição de para-quedista do Exército. Com a vivência que mantive, então, com locutores, artistas, animadores, diretores da Rádio Mauá, passei a encarar a profissão de radialista sob outro aspecto, o da seriedade e o da nobreza. Assim, quando saí do Exército, já não podia mais voltar para a avenida Rio Branco para vender quinquilharias. Já estava bem encaminhado dentro do rádio. Fora estimulado por vários colegas e senti que tinha jeito para isso (SILVA, 1972, p. 34).


Quando Silveira Lima mudou-se para a rádio Tupi, Silvio o acompanhou e passou a conciliar os trabalhos de locutor, figurante de televisão e vendedor em escritórios, obras e repartições. Concomitante a isso, foi convidado para ter um programa próprio na rádio Continental em Niterói; investiu também em um sistema de alto falantes na barca que o conduzia até o Rio todas as noites. O negócio prosperou tanto que, pouco depois de um ano na rádio, ele pediu demissão e dedicou-se exclusivamente aos serviços da barca, comercializando bebidas, fazendo anúncios comerciais, folhetos de jogos e sorteios de brindes. 


A barca precisou ser consertada, e enquanto isso, Silvio foi a São Paulo conhecer a cidade, onde fez um teste de locutor para a Rádio Nacional de São Paulo e foi selecionado, participando dos programas Cadeira de Barbeiro e Praça da Alegria, ambos comandados por Manoel de Nóbrega. Por algum tempo, além do trabalho no rádio, Silvio ainda fez locução em comícios e viajou com a “Caravana do Peru que Fala”, com artistas populares. Em 1964, para promover o Baú da Felicidade – à época já estabelecido –, lançou na Rádio Nacional o programa Vamos Brincar de Forca, cuja versão televisiva foi lançada em 1960, no canal 5. Três anos depois, entrava no ar o Programa Silvio Santos, que permanece na televisão até hoje.


A revista Melodias, tradicional publicação sobre rádio e televisão, ressaltou o talento do apresentador em uma edição de 1969:

Silvio Santos é o animador mais claro e objetivo da tevê e rádio brasileiros. Ele mesmo diz: “A minha meta fundamental é conquistar o maior número possível de ouvintes, por isso falo o vocabulário do povo, faço os programas que ele quer”. Desta forma, tornou-se o animador mais ouvido e comentado do Brasil. Somente Chacrinha, na Guanabara, tem o mesmo público. Há dois anos ele lidera as audiências, com o número de ouvintes crescendo sempre. É hoje, com 34 anos, um homem praticamente realizado (CAMINHA, 1969, p. 23-4). 


Silvio permaneceu na Rádio Nacional de São Paulo até 1976, e em 1977 adquiriu 50% das ações da Rede Record (que abrangia a TV, Rádio Record e FM Record). Na nova emissora, o apresentador passou a adaptar versões de quadros que já faziam sucesso na televisão, como Viva o Samba, Qual é a música? e Quem sabe mais, o homem ou a mulher? Em 1989 a Rede Record foi vendida para Edir Macedo. 


Mas como era o Programa Silvio Santos no rádio? Essa pergunta, como quase tudo que envolve a trajetória de Silvio no rádio, é difícil de ser respondida devido à falta de registros da época. O que existe são alguns fragmentos de áudios disponíveis no Youtube, fotos de revistas da época e textos de alguns sites. Na próxima semana, mostrarei alguns detalhes da fase de Silvio Santos na Rádio Record, em 1980.


Referências 


CAMINHA, P. Silvio Santos, o sorriso que vale milhões. Sétimo Céu, nº 161, p. 23-4, ago. 1969.
MORGADO, F. Silvio Santos no rádio. Site do Fernando Morgado. 2011. Disponível em http://fernandomorgado.com.br/artigo/silvio-santos-no-radio. Acessado em 2 mar. 2016.
SILVA, A. A Fantástica História de Silvio Santos. São Paulo: Editora do Brasil, 2000.
___. A vida espetacular de Silvio Santos. Rio de Janeiro: L’Oren, 1972.

*Jornalista, Rafael Fialho é doutorando em Comunicação Social pela UFMG e fez do SBT seu objeto de estudo: pesquisa o canal há tempo, tendo se dedicado a pesquisas sobre os SBTistas, Silvio Santos e sobre a interação da emissora com seu público a partir das vinhetas. Atualmente pesquisa a tematização da violência contra a mulher no programa Casos de Família. Escreve artigos de opinião às quartas-feiras no SBTpedia. Para conhecer seus trabalhos sobre o SBT, mandar críticas, sugestões ou trocar ideias, escreva para rafaelbfialho@gmail.com    

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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