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A herança do doping

Imagine o Engenhão cheio. Torcedores gritando e aplaudindo, empurrando os atletas. Os heróis surgindo, a festa a cada nova medalha. A volta olímpica com a bandeira dos ombros, o hino do alto do pódio.

Agora imagine descobrir, oito anos depois, que era tudo mentira. Que aquele corredor que cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, que chorou e agradeceu a todos que o ajudaram durante tantos anos de sacrifício e dedicação, na verdade, não era o campeão. Nem ele nem muitos outros que você viu ganhar. Eles haviam trapaceado.

É assim que estão se sentindo muitas pessoas que assistiram aos Jogos de Pequim-2008. E é assim que devem se sentir aquelas que acompanharão a Olimpíada do Rio.

O doping chega com força para se juntar à nuvem escura que paira sobre a competição brasileira, já carregada com zika, poluição, violência e crises econômica e política.

A novidade agora são os testes refeitos em 454 amostras guardadas desde o evento chinês. Como o desenvolvimento de novas tecnologias, hoje é possível testar substâncias que não eram detectadas no passado. O resultado foram 31 atletas de 12 países com resultados positivos para substâncias proibidas.

Os exames tinham como alvo esportistas que poderiam disputar os Jogos do Rio. Se as análises das amostras B confirmarem o resultado, eles não entrarão no Brasil em agosto.

Entre os flagrados estão 14 atletas russos —11 do atletismo, dois do levantamento de peso e um do remo—, segundo uma TV do país. O time do revezamento 4 x 100 m feminino, que conquistou a medalha de ouro, faria parte do grupo.

O caso só faz crescer o escândalo que envolve o controle de doping na Rússia. O atletismo do país está suspenso de todas as competições internacionais após a descoberta de um esquema de dopagem e acobertamento de casos que tinha apoio do governo.

O ex-diretor do laboratório antidoping do país revelou que amostras de urina eram trocadas antes dos testes e que desenvolveu um coquetel com três tipos de drogas que ajudavam na recuperação dos atletas. A fórmula teria sido usada por esportistas que foram a Pequim, a Londres-2012 e aos Jogos de Inverno de Sochi-2014.

Por conta disso, a equipe russa de atletismo corre sério risco de ser proibida de disputar a Olimpíada no Brasil.


Fonte: Folha.com.br

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