Ana Hickmann relata drama sob a mira de fã: ‘Ele veio para cima de mim e começou a me ofender’

Após viver momentos de terror quando um fã invadiu o quarto onde estava hospedada, na tarde de sábado, em Belo Horizonte (MG), e tentou matá-la, a apresentadora de TV Ana Hickmann declarou que tinha certeza de que ia morrer. Armado, Rodrigo Augusto de Pádua, de 30 anos, abordou o cunhado dela, Gustavo Corrêa, e o obrigou a levá-lo até o quarto em que Ana estava com a cunhada, Giovana Oliveira. Foram quase 20 minutos de ameaças até que o cunhado tomou a arma e atirou duas vezes na nuca do agressor, que morreu no local.

Antes do fim trágico, Rodrigo chegou a disparar duas vezes. Os tiros atingiram Giovana na barriga e no braço. Ela continua internada, mas seu quadro de saúde é estável.

Em entrevista à Rede Record, Ana contou que, ao entrar no quarto, o agressor disse: “Eu vim me acertar com você, sua vagabunda”.

“A primeira coisa que me passou pela cabeça é que era um assalto. Ele veio para cima de mim e começou a me ofender, me humilhar. Disse que eu tinha acabado com a vida dele”, contou Ana.

Segundo a apresentadora, ela perdeu o controle do corpo quando Rodrigo apontou a arma para a sua cabeça: “Caí em cima da cama bem na hora em que ele disparou duas vezes. Senti a minha cunhada se movimentando para me proteger, e o meu cunhado gritando ‘corre’. Se não fosse a coragem do Gustavo, meu marido não teria ido me buscar. Teria ido pegar três sacos no IML”.

Ontem, já em casa, a apresentadora reconheceu Rodrigo por uma foto na qual ele aparece com os braços para cima. Ela se lembrou de ter bloqueado o perfil dele alguns meses antes porque ele escrevia “coisas pesadas”.

“A primeira coisa que eu quero é ver a minha família de volta aqui em casa”, afirmou.

À “Veja São Paulo”, Gustavo disse que só pensou em salvar as duas mulheres ao pular em cima do agressor e que não tem remorsos.

“Foi tudo desesperador. Não tenho nenhum remorso de ter matado. Antes ele do que eu. Íamos todos morrer”, declarou.

Casos semelhantes já aconteceram com outros artistas. O mais emblemático é do beatle John Lennon, morto por um fã quando voltava para casa, em 1980. Em 2013, o cantor Elymar Santos prestou queixa na delegacia contra um fanático.

Cabeleireiro gravou as agressões

Julio Figueiredo, cabeleireiro contratado por Ana Hickmann, conseguiu gravar, com um celular, parte do diálogo entre a apresentadora e o agressor. Ele chegava ao quarto da ex-modelo, quando ouviu as ameaças e fez a gravação por trás da porta. Rodrigo manda os três se sentarem de costas, mas diz que não vai matar ninguém, pois não é um assassino. Ele acusa Ana de ter duvidado de seu amor e xinga: “Eu sou um ser humano, sua cretina”. Depois, o cabeleireiro interrompeu a gravação para pedir ajuda.

A apresentadora, o cunhado e o cabeleireiro já prestaram depoimentos. A polícia trabalha com a hipótese de crime premeditado. Para o delegado Flávio Grossi, do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa, o fanatismo de Rodrigo por Ana foi o motivo do atentado.

Grossi entendeu ainda que a ação de Gustavo foi em legítima defesa. A questão gerou dúvidas, já que o cunhado de Ana deu dois tiros na nuca do agressor. O advogado criminalista Paulo Freitas Ribeiro concorda com o delegado:

— Numa situação extrema como essa, não dá para controlar se a pessoa vai dar um tiro ou dois. É impossível exigir essa calma e frieza. Mas depende muito das provas.

O próximo passo da polícia é procurar gravações telefônicas e imagens do hotel que ajudem a solucionar o crime. Parentes de Rodrigo serão ouvidos.

Psiquiatra vê quadro obsessivo

Fã declarado de Ana Hickmann, Rodrigo tinha perfis em redes sociais dedicados à apresentadora. Há três dias, ele postou uma foto dela no Instagram com o texto: “Então meu amor, você acha possível eu deixar de te amar?”. Outras postagens têm teor erótico.

Para a psiquiatra Katia Mecler, autora do livro “Psicopatas do cotidiano”, o comportamento de Rodrigo mostra uma sintomatologia psicótica — quando uma pessoa vive fora da realidade e tem percepções de que só existem para ela.

— Não posso diagnosticá-lo, já que para isso é preciso fazer uma perícia retrospectiva. O que posso dizer é que esse tipo de ação lembra outras que encontramos em registros policiais, quando os fãs mostram um caráter obsessivo — explica Katia.

Segundo ela, pessoas com traços semelhantes a Rodrigo inventam tramas fantasiosas, que podem levá-las a atitudes extremas:

— No mundo dele, podia ser coerente cometer esse crime. Podia ser uma tentativa de se defender de algo ou por culpa de uma rejeição que ele imaginou.

Katia Mecler afirma que qualquer pessoa pode ser vítima dessa obsessão, não apenas artistas. Para se proteger, é preciso notificar pessoas próximas ou até a polícia, se houver intimidação:

— Com um artista, a história sai do anonimato. Mas não conheço estudos que mostrem que celebridades são mais vulneráveis.

Fonte: Jornal Extra (http://extra.globo.com)

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