Avanço da moeda da Rússia perde impulso

(Bloomberg) — A moeda que até hoje estava encabeçando o rali mais forte dos mercados emergentes em cinco anos está perdendo impulso.

Segundo praticamente todos os indicadores, parece que o rublo vai ter dificuldades para estender o avanço de 11 por cento neste ano. Os analistas projetam que ele ceda quase metade desses ganhos por volta do fim do próximo mês. Os traders de opções estão mais pessimistas em relação à moeda russa do que a qualquer outra, à exceção do peso argentino. Até mesmo a história está contra o rublo: a moeda caiu em maio em nove dos últimos doze anos.

Gestores de recursos, como o UBS Wealth Management e a Veles Capital, de Moscou, estão reavaliando a moeda porque acreditam que a recuperação do petróleo, maior fonte de ganhos em moeda estrangeira do país, está atingindo um pico. O rublo sofreu a maior desvalorização em três meses nesta quarta-feira quando os mercados russos abriram depois de feriados.

“Não estamos particularmente confiantes de que a recuperação do petróleo seja sustentável no curto prazo, e grande parte da força do rublo se deveu à recuperação dos preços do petróleo”, disse Jorge Mariscal, diretor de investimentos para mercados emergentes da unidade de gestão de patrimônio do UBS Group, que administra US$ 2 trilhões. “Tomam-se lucros quando se sente que as avaliações já não justificam a operação”.

Recuperação notável

Além de ter tido o melhor desempenho entre as principais moedas de mercados emergentes neste ano depois do real brasileiro, o rublo também teve o terceiro maior ganho do mundo. Antes da queda de hoje, ele superava todas as moedas de países em desenvolvimento, exceto a kwacha zambiana.

O avanço do rublo é uma recuperação e tanto para uma moeda que afundou para o recorde de 85,999 por dólar no dia 21 de janeiro – um dia depois que o petróleo atingiu o valor mais baixo em doze anos.

A recuperação da commodity, em um momento em que diminui o temor quanto à desaceleração da economia chinesa, também está impulsionando o rublo. Mas agora os preços do petróleo estão ameaçados pela crescente especulação de que a produção de petróleo de xisto se recuperará e limitará o avanço do petróleo bruto.

“A correção do preço do petróleo está atrasada, e quando a maré mudar, o rublo vai cair na segunda quinzena de maio”, disse Evgeny Shilenkov, diretor de trading da Veles Capital em Moscou. “Nossos traders não estão se movimentando por enquanto”.

Apostas

Hedge funds e outros grandes especuladores reduziram em 47 por cento as apostas líquidas no fortalecimento do rublo desde que elas chegaram em março a 5.142, o maior número em um ano, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities em Washington.

Nem todos estão abandonando o barco. A Stone Harbor Investment Partners acumulou rublos para se beneficiar com o salto de 25 por cento que a moeda deu desde que atingiu o valor mínimo recorde e não vê motivos para fugir agora.

Contudo, a moeda russa é a segunda mais cara entre seus pares de proteger contra declínios nos próximos seis meses. O prêmio para as opções de venda em comparação com os contratos de compra é de 3,9 pontos percentuais, mostram dados compilados pela Bloomberg.

Especula-se que o Banco da Rússia intervirá para vender rublos no intuito de frear os ganhos e tirará proveito da força da moeda para reabastecer os cerca de US$ 90 bilhões em reservas de moeda estrangeira que consumiu em 2014, quando o petróleo caiu e as sanções impostas pela incursão na Ucrânia afetaram o país.

“O rublo tem três possíveis ameaças em maio: o petróleo, uma recuperação dos fluxos de capital e o risco de que o banco central volte a comprar moeda estrangeira para as reservas”, disse Alexander Losev, CEO da Sputnik Asset Management em Moscou. “As pessoas tentarão reduzir riscos”.

Título em inglês: Ruble Advance Catapulting Emerging-Market Charge Is Under Threat

Para entrar em contato com os repórteres: Ksenia Galouchko em Moscou, kgalouchko1@bloomberg.net, Elena Popina em N York, epopina@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

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Fonte: Bol.com.br

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