Bolsa de Nova York suspende Eletrobras

Em meio a imbróglio do rombo fiscal para este ano, o governo de tem de encarar mais um problema: o alto endividamento da Eletrobras. Um dia após o ministro do Planejamento, Romero Jucá, admitir que o governo pode ter de arcar com R$ 40 bilhões para pagar investidores que colocaram dinheiro na estatal, a Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) suspendeu a negociação dos papéis da empresa brasileira por falta das informações financeiras de 2014. A situação se repete em relação também aos resultados de 2015, mas os prazos ainda estão vigentes.

O impasse ocorre porque a KPMG, empresa de auditoria que tem de aprovar o balanço financeiro da estatal antes de ele ser enviado, se recusa a assinar o documento, porque ele não mensura o dano causado à estatal por irregularidades investigadas pela Operação Lava-Jato. “Entregamos todo o material de investigação interna ao auditor, mas foi bem em cima da hora e provavelmente o auditor contratado vai reprovar e pedir mais tempo”, disse uma fonte da empresa. “Isso porque, a cada apuração feita, se encontram possíveis novos indícios de irregularidades que estimulam novas investigações”, acrescentou. “Deixar de ter os ADRs negociados sem dúvida não é positivo para a imagem da empresa, mas queremos ir a fundo nos malfeitos”, disse a fonte da estatal.

A Eletrobras deve entrar hoje com recurso contra a suspensão da empresa na Bolsa de Nova York. O prazo para publicação do Formulário 20-F venceu ontem. O 20-F é um relatório padronizado que as empresas têm de apresentar anualmente à Securities and Exchange Commission (SEC) – órgão regulador do mercado de ações nos EUA. Com o prazo de 90 dias para julgamento do recurso – período no qual as negociações na Nyse ficam suspensas –, a previsão do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, é que a empresa possa, nesse período, publicar o formulário e sanar as pendências com os órgãos reguladores norte-americanos. Os papéis da estatal recuaram mais de 6% na manhã de ontem.

“A Eletrobras deve apresentar recurso na bolsa de Nova York e esse recurso deve levar de dois a três meses para julgamento. Nesse período, faremos todo o esforço possível para que a investigação possa ser concluída e dê conforto para a auditoria independente assinar o balanço e, no recurso pleiteado, poder voltar com as negociações antes do processo de deslistamento (da bolsa)”, afirmou o ministro Bezerra Filho. Durante o primeiro pronunciamento ao público do setor, o ministro classificou a situação da empresa como “gravíssima” e indicou que uma solução “não depende só do ministério”, mas que ele vai conduzir um debate sobre a situação no governo. Para Bezerra Filho, há um “consenso’ para a venda de ativos da empresa.

Cemig
Mesmo após ter pedido extensão de prazo até ontem, a Cemig também não apresentou o Formulário 20-F à SEC, alegando que não foram finalizadas as investigações em andamento sobre “eventuais descumprimentos de leis e regulamentos na Norte Energia”. Somente após a conclusão das investigações a companhia pretende proceder com o arquivamento, “considerando as restrições da SEC quanto ao arquivamento do 20-F com ressalvas”. Como havia informado anteriormente, a ressalva foi emitida por auditores independentes nas demonstrações financeiras de 2015 sobre o investimento indireto da estatal em Belo Monte. A empresa explicou que a não conclusão das investigações até 28 de março, data da divulgação do balanço, impediu o exame das contas das controladas até aquela data.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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