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Carol Marra festeja carreira no cinema e lamenta: 'Muitas trans se prostituem'

Carol Marra (Foto: Iwi Onodera / EGO)Carol Marra posa para o EGO  (Foto: Iwi Onodera / EGO)

Carol Marra, 31 anos, está em ótima fase profissional. Ela estreia dois filmes no segundo semestre, “Glória graça”, em que interpreta a filha da personagem de Carolina Ferraz e “Berenice procura”, no qual é a principal suspeita de um crime investigado pela personagem de Claudia Abreu. Carol não esconde a felicidade de quem batalhou para conquistar seu espaço e para assumir quem ela é de fato, nas palavras da própria, que é transexual. “Está dando certo né? Estou muito feliz, era isso que eu queria. Mas não queria ser pioneira, queria ser só mais uma”, diz ela, que segue em paralelo a carreira de modelo. Além disso, recentemente ela foi escolhida como embaixadora mundial de uma marca de bebidas.

“Fico é triste de ser a primeira modelo trans a estampar uma campanha mundial de bebidas, a primeira que deu um beijo na TV, a primeira trans na capa da ‘Trip’, a primeira que saiu no New York Times. É legal ser a primeira? Claro que é, mas eu queria ser só mais uma. Cadê as outras? Tem tantas por aí que não tiveram a mesma sorte. Muitas estão por aí se prostituindo porque ninguém dá oportunidade de trabalho digno para ser modelo, atriz e nem mesmo faxineira. Elas estão se prostituindo para ter um prato de comida, vão viver de quê? Eu não queria ser pioneira, queria ser mais uma”, diz ela, que relata ter sofrido mais preconceito no mundo da moda. 

“No meio da moda sempre fui mais excluída. Hoje todo mundo me puxa o saco, acho tão engraçado… Já fui barrada em desfiles. Ali, onde 99% são homossexuais, é onde sofri mais preconceito. Eles me azucrinavam. O mundo dá voltas.”

Carol Marra (Foto: Iwi Onodera / EGO)Carol Marra está estreando nos cinemas
(Foto: Iwi Onodera / EGO)

Carol atriz
Carol trabalhava como produtora de TV quando se apaixonou pela carreira de atriz. “Eu era um bichinho do mato, nunca quis ser atriz, meu sonho era fazer produção de cinema, nunca quis estar à frente das câmeras. Acabou que por acaso comecei a trabalhar como modelo e aí fui convidada para uma participação especial na TV e as coisas começaram a acontecer”, relembra Carol, que estreou na frente das câmeras em “Segredos médicos”, programa do Multishow. “Lá descobri que era isso que eu queria fazer.” De lá, Carol participou de uma série na HBO, fez uma pequena participação na novela “Boogie oogie”, em 2015, e por fim, os dois filmes que ela estreia ano segundo semestre.

“Para ser mulher se precisa de tão pouco…”
No filme “Glória Graça”, a personagem de Carol é filha da Carolina Ferraz,  que interpreta um transexual. “É uma história linda de família. Eu não conhecia a Carolina. Ficamos pouco mais de um mês convivendo diariamente para criar intimidade. A gente fez uma preparação, o bom de cinema é esse, a gente não chega no set e grava, né? Eram deliciosos os nossos encontros, ela cozinhava… Acabou que nos tornamos muito amigas. É mágico, criamos intimidade em pouco tempo, a ponto de nos olharmos no set e uma já saber o que a outra já estava pensando. A Carolina é muito divertida! A gente brincava, falava bobagem… Ela me olhava e falava ‘Nossa, você se senta igual mulher, eu aqui de perna aberta e você de pernas fechadas’, era o oposto! Para ser mulher precisa de tão pouco! Ser mulher não é isso aqui”, diz ela, apontando para a bancada de maquiagem montada no salão Blend, cenário das fotos do ensaio que ilustram essa matéria.

Carol Marra (Foto: Iwi Onodera / EGO)Carol é modelo e atriz (Foto: Iwi Onodera / EGO)

Ser mulher, para Carol, foi um processo de identificação, construção e, já na sua estreia como atriz, desconstrução. “De cara fiz o papel de uma mulher com câncer que retira as mamas e resolve não reconstituí-las porque ela se sente uma guerreira ajudando as mulheres na luta pela vida. Então no set eu não podia usar maquiagem, não podia usar nada, era cara lavada e uma touquinha para parecer que era calva. Ali eu descobri que ser mulher é muito mais do que cabelão, seio, bocão, cílios postiços. Tive de me despir de toda a vaidade feminina que eu construí para me tornar eu mesma, para ser uma mulher. Ali eu descobri que ser ser mulher estava no seu jeito de se portar, estava na sua alma, na sua essência. Me tocou muito esse trabalho. Comecei a me ver e sentir de outra forma. Tanto que agora no dia a dia eu não uso mais nada. Você tem de ser mulher de cara lavada, tem de ser mulher quando se produz”, reflete.

No outro filme “Berenice procura” que Carol estreia ainda em 2016, ela faz o papel de uma dançarina stripper. “Sou a antagonista e vilã. Comecei a malhar pesado para ganhar massa, não podia estar muito magra. Mudei minha rotina alimentar, passei a comer de três em três horas e eu não como nada, não sinto fome. Tive de criar essa rotina”, diz ela, que está atualmente com 60kg. “A Vera Holtz faz o papel da cafetina dona da boate Ponto G e eu faço uma stripper que é como a Satine de ‘Moulin Rouge’. “Ela é maior atração. Só que aí um belo dia chega uma nova de 18 aninhos e ela se sente ameaçada e faz tudo para atrapalhar a outra, rouba… Ela é do mal. Aí acontece um crime e a taxista, vivida pro Claudia Abreu, vai investigar. Minha personagem é a principal suspeita”, adianta.

Agradecimentos: Blend Estética e Beleza. R. Dr. Eduardo de Souza Aranha, 221 – Vila Nova Conceição. Telefone: (11) 3045-3330.

Carol Marra (Foto: Iwi Onodera / EGO)Carol Marra (Foto: Iwi Onodera / EGO)

 

 

 

 

 


Fonte: Ego.globo.com

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