Carol Marra vira queridinha do cinema e deseja personagens que não sejam trans: ‘Quero fazer uma mulher comum’

A partir do segundo semestre será possível ver Carol Marra em dois filmes no cinema. Em “A Graça e a Glória”, de Flavio Tambellini, e em “Berenice procura”, de Allan Fiterman, as personagens da atriz são transexuais como ela. Carol, jornalista por formação, que começou a carreira como modelo, não vê uma rotulação de seu trabalho, mas não esconde que já está na hora de alçar voos mais ousados. “Não negaria viver mais um papel de trans, claro. Mas adoraria ter a oportunidade de mostrar minha versatilidade. Quero fazer uma mulher comum, sem maquiagem, contida, por mais que tenha um lado sensual e exuberante”, analisa.

É na sensualidade e exuberância que as personagens de ambos os longas se encontram. Ao lado de Carolina Ferraz, que protagoniza “A Graça e a Glória”, Carol Marra vive uma atriz em fase de descobertas. No filme de Fiterman, que dirigiu “Verdades secretas”, ela é uma stripper com traços de vilania. “Me enfiei numa academia, fiz aulas de dança. Achava importante mostrar um corpo mais forte. Sou empenhada, tenho muita disciplina”, enumera ela, que ganhou elogios do cineasta e em breve aguarda a resposta de um projeto em que poderá se distanciar do universo trans: “Acho que está na hora de dar essa virada”.

Carol Marra: “Minha genitália não pode ser mais importante que meu talento”

Carol Marra: “Minha genitália não pode ser mais importante que meu talento” Foto: reprodução/instagram

No dia 2 de junho, ela estreia “ A teia”, no GNT, como mediadora de um painel de debates. “O meu tema é coragem. Vou contar um pouco da minha história e debater com outras mulheres, ao vivo”. Antes de ser abraçada pelo cinema e pela TV, no entanto, Carol diz que sofreu preconceitos inerentes à sexualidade. “Minha genitália não pode ser mais importante que o meu talento. Sinto que existe mais respeito hoje em dia. Soube me impor”, avalia Carol, que não quer mais tocar no assunto operação para redesignação de sexo: “Sou muito saudável. Não preciso operar nada”.

Desde que surgiu nas passarelas, Carol Marra usa o nome social Ana Carolina Marra na identidade. No passaporte, ainda o nome de batismo. O que acaba em problema na imigraçlão de alguns países. “É constrangedor ter que abrir a carteira e provar que tenho dinheiro e cartão de crédito para entrar em determinado país porque desconfiam que estou cruzando o oceano para me prostituir”, lamenta.

Carol Marra: o cinema a abraçou

Carol Marra: o cinema a abraçou Foto: reprodução/instagram

Por essas e outras, Carol vê com receio a movimentação da bancada religiosa no Congresso que quer tirar dos funcionários públicos trans e travestis o direito de usarem seus nomes sociais, inclusive nos crachás. “Então, como cidadãos temos o dever de pagar impostos, somos obrigados a votar e na hora de ter direitos não temos? Todas as minorias, negros, mulheres, crianças, índios, têm leis que os amparam e nós podemos ser chamados de travecos, apanhar na rua, virar meme em internet e nada acontece? Nunca vou entender como a sexualidade pode incomodar tanta gente”, questiona: “O país está no lixo, saúde e educação cada vez piores e vão se preocupar com o nome que alguém escolheu?”.

Carol Marra como Jéssica, a vilã de “Berenice procura”

Carol Marra como Jéssica, a vilã de “Berenice procura” Foto: reprodução/instagram

Rogéria e Jane de Castro se manifestam

Aos 73 anos, Rogéria nunca trocou seus documentos. Continua Astolfo em todos eles. “Nunca pensei em trocá-los, não tenho problemas com minha identidade. Sou um homem que empresta seu corpo para Rogéria exercer seu lado artístico”, justifica ela, que está preocupada com a intolerância: “O Brasil vive seu maior retrocesso. Político deveria se preocupar em fazer leis que protejam os brasileiros, que melhorem nossa vida. E não em perseguir alguém por sua sexualidade”.

Jane Di Castro também não mudou os documentos. “Por um motivo apenas: tenho alguns imóveis e teria que trocar tudo. Daria trabalho e gastaria um dinheiro nisso”, explica. Jane usa o nome feminino que escolheu no lugar de Luiz na carteirinha do Sinsicato dos Artistas, e vê com muito medo a tentativa de derrubar o decreto presidencial, que autoriza os funcionários públicos a usarem seus nomes sociais: “Enquanto brigam para tirar nossos direitos, deveriam se preocupar com as escolas, em tirar os ladrões do poder. Mas não querem. Acham que o gay não merece ter uma família ou ser alguém com voz ativa. Uma pena que estejamos retrocedendo no tempo”.

Carol Marra e Vera Holtz

Carol Marra e Vera Holtz Foto: reprodução/instagram

Carol Marra e Carolina ferraz: xarás em “A Glória e a Graça”

Carol Marra e Carolina ferraz: xarás em “A Glória e a Graça” Foto: reprodução/instagram

Carol Marra fez aulas de da~ça para viver striper

Carol Marra fez aulas de da~ça para viver striper Foto: reprodução/instagram
Carol Marra e Claudia Abreu

Carol Marra e Claudia Abreu Foto: reprodução/instagram

Fonte: Jornal Extra (http://extra.globo.com)

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *