Cine São Luiz recebe filme espanhol com influência dos Irmãos Coen

Protagonista corta a testa ao encostar o rosto em um espelho. Foto: Esfera Filmes/ Divulgação
Protagonista corta a testa ao encostar o rosto em um espelho. Foto: Esfera Filmes/ Divulgação

 
Depois de dez dias com a programação interrompida por causa do festival Cine PE, o São Luiz volta a funcionar normalmente a partir desta quinta com cinco filmes em cartaz. A luneta do tempo e A bruta flor do querer continuam em exibição. As estreias da semana são a animação infantil Asterix e o Domínio dos Deuses (uma engraçada metáfora sobre movimentos como o Ocupe Estelita) e os inéditos A garota de fogo e A segunda esposa.

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Elogiado por Pedro Almodóvar, o filme espanhol A garota de fogo situa-se no limite entre a tragédia e o humor negro. A trama cruza as vidas de uma mulher com transtornos psiquiátricos e de um homem que precisa de dinheiro para cuidar da filha com leucemia. A história é cheia de personagens que parecem sofrer de distúrbios e perversões, sobretudo sexuais.

A garota de fogo tem um estilo que lembra os filmes dos Irmãos Coen pela maneira como situações absurdas de violência são apresentadas a partir de uma sequência de acasos e mal-entendidos, mas o diretor espanhol Carlos Vermut adota uma condução mais contida, com uma frieza que deixa o espectador em dúvida sobre como reagir às surpresas.

Alguns detalhes nos diálogos sugerem uma relação entre o comportamento dos personagens e a identidade cultural espanhola, situada entre a racionalidade e a emoção, ao mesmo tempo em que sinalizam para uma crise de valores simbolizada por atos de corrupção da política e do cotidiano.

A narrativa calculista é por vezes intercalada por canções em alto volume, inversões de montagem e exotismos pontuais, como a mansão de um excêntrico milionário cadeirante que gasta milhões de euros para mulheres realizarem fantasias misteriosas e violentas. O título é uma referência à música La niña del fuego, interpretada por Manolo Caracol, cantor de flamenco, tocada em uma das cenas.

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Por causa da ausência de outras opções, como Cinema do Parque (fechado) e o Cine-Teatro Apolo (sem equipamentos atualizados), o São Luiz tem sido impedido de apresentar uma programação semanal regular por ser obrigado a atender à demanda dos festivais. Isso atrapalha a fidelização do público, que precisa redobrar a atenção sobre a permanência dos filmes em cartaz. Em junho, o espaço será ocupado novamente, a partir do dia 6, pelo Festival Varilux de Cinema Francês.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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