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Criatividade não livra empresas de problemas

Eles são jovens, qualificados, atualizados. Juntos, respondem por um faturamento projetado de R$ 650 milhões. Divididos em design, fotografia, música, audiovisual e games, pela primeira vez, os empreendedores da economia criativa foram mapeados no estado, em uma pesquisa inédita realizada pelo Portomídia (Centro de Empreendedorismo e Tecnologias da Economia Criativa), do Porto Digital. O levantamento, além de apontar o perfil dos empresários do ramo e o faturamento médio do setor, será usado pelo Porto Digital para definir novas estratégias necessárias para fomentar os negócios.

Entre os gargalos identificados estão a falta de mão de obra qualificada, com 14,1% das respostas, o pouco profissionalismo, com 21,1% das menções, e a dificuldade de distribuição, circulação e divulgação, que recebeu 16,9% das respostas. A escassez de estrutura física dentro da zona expandida do Porto, que tem benefícios de redução de ISS (de 5% para 2%) também foi apontada pelos entrevistados. Mas o problema principal é a falta de financiamento e investidores, que incomoda 34,5% dos empreendedores locais. 

Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, acredita que o estudo poderá nortear políticas públicas para o segmento. “Precisávamos conhecer essas áreas fundo para trabalhar efetivamente nos gargalos e desenvolver as potencialidades locais.” Para Saboya, um dos pontos mais surpreendentes do resultado foi a tributação, que não é considerada uma dificuldade para maioria dos empresários de economia criativa, uma vez que 51% deles se encaixam no Simples. “Com o resultado, conseguimos perceber que o Simples, como uma cobrança unificada, ajudou muito aos empresários de economia criativa”, enfatiza. 

Parte dos problemas apontados no estudo atinge a Mr Plot, case de sucesso dentre as diversas empresas de audiovisual de Pernambuco, com produtos nacionalmente conhecidos, como Mundo Bita. Segundo Felipe Almeida, um dos sócios da marca, o maior problema para os “criativos” é se enquadrar nos padrões tradicionais de crédito. “Tentamos certa vez um financiamento no Banco do Nordeste, mas não conseguimos nos enquadrar porque ou o dinheiro deveria ser usado para comprar equipamentos, que não precisamos, ou para prensagem dos DVDs, coisa que já é feita pela gravadora. Não nos enquadramos porque queríamos dinheiro para divulgação.” 

Outro obstáculo encontrado pelo empreendedor foi falta de espaços viáveis no Recife Antigo. “Os prédios de lá não têm estrutura para comportar uma empresa moderna.” O jeito foi perder o benefício do ISS e se instalar na Ilha do Leite. Apesar das intempéries, a empresa cresceu 200% nos últimos dois anos e se prepara agora para lançar o quatro DVD do Mundo Bita. 

Encontro

Para expor o estudo aos players do mercado e discutir o setor, o Porto Digital oferece amanhã um dia de debates sobre economia criativa na Jump Brasil (na Rua Capitão Lima). Entre os convidados estarão a pesquisadora Lídia Goldenstein, Gabriel Pinto, do Sistema Firjan, Francisco Saboya, Marcelino Granja, secretário de Cultura de Pernambuco, o economista Pierre Lucena, a produtora cultural do laboratório Novas Histórias, Carla Esmeralda, o diretor de TV e ex-MTV André Mantovani e o empreendedor Wagner Martins (301.yt e Cocadaboa). Além disso, haverá exposição cases locais. As inscrições poderão ser realizadas neste link.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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