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Da Iugoslávia comunista às portas da Casa Branca

Vesna Bernardic.

Sevnica (Eslovênia), 22 mai (EFE).- Sevnica, uma cidade eslovena de quase cinco mil habitantes, pouco tem a ver com o glamour de Nova York ou as questões políticas de Washington, mas lá tem suas origens Melania, esposa do pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, e possível primeira-dama.

Melania Trump nasceu há 46 anos na então Iugoslávia socialista como Melanija Knavs, filha de Amalija, uma alfaiate que trabalhava numa fábrica local, e de Viktor, membro do Partido Comunista esloveno.

No livro “Melania Trump – The Inside Story: From a Slovenian Communist Village to the White House”, os jornalistas eslovenos Bojan Pozar e Igor Omerza publicaram um documento do arquivo do Partido Comunista, do ano de 1987, no qual Viktor Knavs aparece como um de seus membros.

Algo que negam os responsáveis pela campanha de Trump, um ferrenho inimigo dessa ideologia.

Ser membro do partido naqueles tempos podia significar para uma família humilde certos privilégios e melhores empregos, como o que tinha a mãe de Melanija em Jutranjka, a melhor fábrica têxtil da região.

Desde cedo o contato com o mundo da moda marcou Melanija, que já com sete anos tinha acesso a revistas de países ocidentais, difíceis de conseguir na Iugoslávia comunista.

“Desde pequena ela queria ser estilista. Também gostava de tecer. Fazíamos juntas chapéus, luvas e suéteres” contou à Agência Efe Mirjana Jelancic, amiga de infância da esposa de Trump.

Jelancic, agora diretora da escola primária onde estudou Melanija, assegura que a famosa modelo quase não mudou desde sua época de juventude.

“Sempre teve talento para o desenho e as artes. Teve sempre algo especial, de pessoa sofisticada, com bons gestos e discrição”, declarou, enquanto mostrava fotos da menina Melanija com seus colegas de escola.

Melanija, que mais tarde mudou seu nome para Melania Knauss, e depois acrescentou o sobrenome Trump ao se casar com o magnata, jurou que nunca voltará a Sevnica, se recusa a falar esloveno e mudou tanto que inclusive seu corpo está hoje muito “transformado”, garantiram algumas fontes citadas no livro de Pozar e Omerza.

“Quando eu a conheci não tinha muito busto e agora, de repente, tem peitos enormes”, comenta no livro um dos vários supostos ex-namorados eslovenos de Melania.

O renomado fotógrafo esloveno Stanislav Jerko, que descobriu Melania e a lançou ao mundo das top models, diz que em Liubliana, capital da Eslovênia, “só pode dizer coisas boas dela”.

Jerko conheceu a modelo na época em que ela participava de um projeto em Ljubljana.

“Um dia, no ano de 1987, saí um pouco antes de uma revista de modas. Notei que havia uma moça que estava esperando alguém ali, muito bonita, alta, uma boa figura. Vi nela uma possível modelo fotográfica”, relembra.

Dias depois ele fez sua primeira foto, que ainda hoje guarda com orgulho na qual aparece o brilho próprio de Melania, aos 17 anos.

Assim começou a carreira de uma modelo cuja imagem acabaria aparecendo em capas de revistas como “Vanity Fair”, “Vogue” e “Elle”.

“Quando a vejo hoje na televisão, parece que ela segue muito bonita, uma beleza agora americana”, comenta Jerko.

Os pais de Melania se mudaram em 1995, quando sua filha começava a despontar no mundo da moda. Deixaram o típico edifício comunista e foram para um bairro da elite de Sevnica, inacessível para os jornalistas.

Seguranças particulares advertiram à Efe inclusive que fotografar a casa poderia representar um “ato contra a ordem e a paz pública”.

Donald Trump nunca visitou o lugar onde sua esposa passou a juventude. De fato, o pré-candidato esteve apenas uma vez na Eslovênia, e foi durante algumas poucas horas.

A passagem aconteceu em 2004, quando o empresário pediu a mão de Melania e o casal almoçou com os pais dela em um centro turístico de luxo no lago Bled.

O restaurante do hotel Grand Toplice Bled, onde aconteceu o encontro, ainda exibe as fotos dos célebres clientes.

Em geral, na Eslovênia não há muito entusiasmo por uma possível primeira-dama que parece ter esquecido suas origens e menos ainda por seu marido, que se mostra um político de extrema-direita que os despreza.

Fonte: Bol.com.br

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