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Deputados batem boca durante fala de Cunha no Conselho de Ética

Wladimir Costa disse que Júlio Delgado está 'sujo como pau de galinheiro'. Júlio Delgado disse que 'isso era absurdo' e discutiu com o colega.

 

O depoimento do presidente afastado da CâmaraEduardo Cunha (PMDB-RJ), ao Conselho de Ética nesta quinta-feira (19) foi interrompido durante alguns minutos por um bate-boca iniciado pelo deputado Wladimir Costa (SD-PA), que defendeu o peemedebista e atacou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Integrante do partido do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), um dos mais atuantes aliados de Cunha, Wladimir Costa usou a palavra para dizer que o presidente afastado passou a sofrer “bullying” após a instauração do impeachment. Para o deputado do Solidariedade, não está “comprovado” que Cunha mentiu ao dizer que não possui contas na Suíça.

Após defender o presidente afastado da Câmara, Wladimir Costa começou a criticar Júlio Delgado. Ele afirmou que o deputado do PSB também deve explicações por suspeita de envolvimento nos fatos investigados pela Operação Lava Jato.

“Vossa excelência deveria constituir um bom advogado, de preferência o senhor Marcelo Nobre [advogado de Cunha que está presente à sessão]. Aparentemente o senhor está mais sujo que pau de galinheiro”, disse Wladimir Costa. Júlio Delgado reagiu dizendo que “isso é um absurdo”. Costa chegou, inclusive, a mandar o colega "calar a boca" durante a discussão.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), entrou em cena para afirmar que a comissão era destinada a tratar das acusações contra Cunha, não contra Delgado. Wladimir Costa, então, voltou seus ataques a Araújo: "É porque o senhor é um apaniguado dele".

O presidente do colegiado revidou e pediu respeito. "Vai ter que me respeitar, vai ter que me respeitar, eu estou lhe respeitando", argumentou. A sessão, então, prosseguiu.

Delgado chegou a ser alvo de investigação com base na delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e considerado chefe do cartel de empresas que atuava junto àPetrobras.

Pessoa afirmou que Júlio Delgado era um dos beneficiários no esquema de corrupção e que recebeu dinheiro para campanha. No entanto, na última sexta, o procurador-geral da República,Rodrigo Janot, pediu o arquivamento do inquérito por não ver indícios suficientes de envolvimento do deputado no esquema de propina da Petrobras.

Na época em que o inquérito foi aberto, em setembro do ano passado, Delgado afirmou que não recebeu doação da UTC para a campanha.

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Outra discussão
A maior parte do depoimento de Cunha ao Conselho de Ética transcorreu sem tumulto, mas houve alguns momentos de breve interrupção. O presidente afastado da Câmara expôs sua defesa e negou ter mentido quando disse à CPI da Petrobras que não possui contras na Suíça.

Cunha explicou que usou de forma equivocada, durante entrevista à TV Globo, a expressão “usufrutuário em vida" para se referir aos direitos que teria sobre os recursos administrados pelos trustes. Segundo o presidente afastado da Câmara, o termo correto seria "beneficiário".

Nesse momento, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) interrompeu para perguntar se o termo errado seria “usufrutuário”. O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), pediu para que não houvesse interrupções.

Ivan Valente insistiu na pergunta, e o deputado Laerte Bessa (PR-DF) se virou, gesticulando muito, para criticar a intervenção do deputado do PSOL. Valente respondeu: “Cala a boca, pô. Cala a boca, palhaço!”. José Carlos Araújo cortou o microfone e a sessão prosseguiu.

 

G1

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