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Editorial: Dia das Mães é todo dia

O trânsito de fotos de mães e filhos nas redes sociais começou desde a última sexta-feira, dois dias antes do domingo em que se comemora o Dia das Mães no Brasil. A maioria das imagens mostrava homenagens que crianças produziram na escola. Pedaços de cartolina pintados a dedo, rabiscos e esculturas incompreensíveis – por vezes. Dos adultos, exibiam-se sorrisos compartilhados na intimidade ou almoços especiais. O que ficará de ontem está oculto nesses retratos. Aquilo que vai perdurar por uma vida é impalpável, o resultado da maternagem, do afeto construído entre filho e mãe ou aquela que a substitui. Daquilo que justifica a felicidade verdadeira por se receber um papel como presente. 

Porque a maternidade se faz por questões biológicas. Dar-se com o nascimento da criança após a gestação. O parto acontece, normal ou cesáreo, mais cedo ou mais tarde. O desenvolvimento do indivíduo do mesmo modo: o cronograma de crescimento é quase previsível. O que foge ao padrão é o como; e o como é exatamente a maternagem. Nem sempre a humanidade entendeu a diferença. Há relatos que no século 18 o governo francês fez campanha para que as mulheres se transformassem em mães dedicadas. Até então, ricas contratavam amas pobres para amamentar seus herdeiros. As miseráveis mandavam os seus filhos para serem criados temporariamente por camponesas e 80% dos bebês morriam quando retornavam ao convívio com a mãe biológica. Quem conta é a pesquisadora e filósofa Elisabeth Badinter, em seu livro Um amor conquistado: o Mito do amor materno (editora Nova Fronteira, 1985). 

Mudamos. O aprendizado contemporâneo mostra que a maternagem requer entrega, naturalidade instintiva e persistência. Quando se tem o dom (nem todas têm; e aqui não há juízos de valores), a maternagem é vista na amamentação, no cuidado com a higiene bucal, com a camisa do colégio sem vincos, na escuta do sonho fantasioso do filho, no colo ofertado, na espera pela volta da balada, na busca pela alimentação mais saudável.

Mas a maternagem não é só enfeitada de flores. Enfrenta desafios. Talvez o maior deles seja a imposição de limites para os filhos. Dizia o psiquiatra e educador Içami Tiba, autor de Quem ama, educa e mais três dezenas de livros, que “é a mãe que tem que saber que educar não é criar o filho para si, mas prepará-lo para ter autonomia comportamental, independência financeira e cidadania ética”. O Dia das Mães é todo dia.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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