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Eduardo Cunha diz que "estranha" decisão do STF e vai recorrer

Eduardo Cunha disse “estranhar” a decisão do STF de afastá-lo da presidência da Câmara e que vai recorrer. O deputado declarou ainda que é perseguido pelo governo e que na próxima quarta-feira o país vai “se livrar do PT”.

“Tenho todo apreço e respeito pela Suprema Corte, mas não tenho como não estranhar. Se havia urgência por que levou seis meses?”, disse Cunha na residência oficial da Câmara, em Brasília, a um grupo formado por cerca 50 pessoas, entre repórteres, cinegrafistas e fotógrafos no começo da noite desta quinta-feira (5). 

Na ação ao STF, o procurador Rodrigo Janot elencou 11 pontos que justificam o afastamento de Cunha. Entre os pontos citados por Janot estão a convocação da advogada Beatriz Catta Preta para depor na CPI da Petrobras e as ameaças e ofertas de propina ao ex-relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra Cunha no Conselho de Ética da Câmara.

“Aqueles 11 fatos são absolutamente contestáveis”, declarou Cunha, sem entrar em detalhes sobre as acusações. 

Eduardo Cunha enfatizou o que chamou de “perseguição” por conta do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e que é vítima de uma “retaliação”. “É claro que eu estou sofrendo e vou sofrer uma retaliação por causa do impeachment. É óbvio que tem um processo político por trás disso. O PT gosta de companhia no banco dos réus. Essa reação já era mais do que esperada. Para me trazer ao banco dos réus na companhia deles. “Mas isso vai acabar na quarta, se for da vontade de Deus, para que o Brasil possa se livrar da era do PT, era essa que fez tanto mal ao nosso país”, declarou.

Cunha decidiu só se pronunciar depois do fim da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), na qual os ministros decidiram, por unanimidade, por acompanhar o voto do relator Teori Zavascki pelo afastamento do deputado da presidência da Câmara e sua suspensão do cargo.

O deputado passou o dia na residência oficial, acompanhado de seus advogados. Ele recebeu visitas de aliados políticos, que entraram e saíram da casa a todo instante, mas evitaram falar com a imprensa. O deputado Paulinho da Força (SD-SP) esteve no local pela manhã e novamente à tarde. No fim da tarde, houve queima de fogos perto da residência, mas não se sabe quem foi o autor.

Logo cedo, Teori concedeu liminar (decisão provisória) contra Cunha, atendendo a pedido que havia sido feito em dezembro do ano passado em ação da PGR (Procuradoria-Geral da República). 

Teori argumentou em sua decisão que Cunha não tem condições de ser presidente da Câmara porque há indícios de que ele pode atrapalhar as investigações contra ele na Lava Jato. Cunha é réu no STF acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Teori afirmou que a permanência de Cunha no cargo “além de representar um risco para as investigações penais sediadas neste Supremo Tribunal Federal, é um pejorativo que conspira contra a própria dignidade da instituição por ele liderada”, escreveu.

Linha sucessória

Arte/UOL

O STF deveria julgar mais uma ação, esta movida pela Rede Sustentabilidade, que pede a proibição de que políticos que sejam réus na Suprema Corte possam ocupar posições na linha sucessória da Presidência da República.

A ação pede que nenhum político réu em processo no STF possa estar na linha sucessória da Presidência da República.

No entanto, a Corte decidiu não colocar em votação porque, segundo o relator, não há mais urgência para que a ADPF seja apreciada.

A ação parte da premissa de que, se o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir a Presidência da República por conta do eventual afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT), que enfrenta um processo de impeachment no Senado, Cunha será o próximo na linha sucessória e poderá assumir a Presidência da República caso Temer se ausente do país. A medida, porém, pode ter efeitos ainda sobre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também é denunciado no STF.

Fonte: Bol.com.br

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