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Em despedida, Mercadante diz a servidores do MEC que é pós-graduado em oposição

Para um auditório lotado de funcionários do Ministério da Educação, o ministro Aloizio Mercadante disse que “hoje é um dia de luto para a democracia”, diante do iminente afastamento da presidenta Dilma Rousseff pelo Senado. “Se, não estou dizendo que será, mas se a presidenta for afastada, eu saio com ela imediatamente”, disse o ministro. “Consultei todos os secretários e todos disseram ‘saio com você'”, acrescentou.

Mercadante pediu que dois secretários e os presidentes das autarquias ligadas ao MEC fiquem mais um pouco nos cargos para dar continuidade aos projetos da pasta. O ministro se comprometeu a passar as informações necessárias ao eventual novo titular da Educação para que as ações não sejam paralisadas e disse que vai fiscalizar o novo governo. “Estamos há 13 anos no governo, mas eu tenho pós-doutorado em oposição, eles que se preparem”. Mercadante já foi deputado federal e senador.

Sob aplausos e gritos de “Não vai ter golpe”, o petista chamou o impeachment de golpe por não ter base legal e disse que o processo está sendo articulado desde a posse de Dilma. Segundo Mercadante, parlamentares que apoiam o impedimento da presidenta são contra políticas de inclusão.

“Alguns partidos que hoje querem dar o golpe, na época, eram contra mudanças no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], contra a política de cotas. No mínimo, eles têm que pedir desculpas pelo que fizeram. Se não fossem programas como o ProUni [Programa Universidade para Todos] e o Sisu [Sistema de Seleção Unificada], milhares não chegariam à universidade.”

Em tom de despedida, Mercadante fez um balanço das últimas realizações do ministério, se mostrou bem-humorado e fez até brincadeiras: “Na época do Mais Médicos, fizeram até caixão para mim, para a Dilma e para o Padilha [Alexandre Padilha, então ministro da Saúde]. Não fizeram para o Paim [José Henrique Paim, secretário-executivo da pasta na época] porque ele é muito pequeno”, brincou. O Mais Médicos foi implantado em meio à polêmica e muita resistência da classe médica.

O ministro também contou a história do pai de um funcionário do MEC, pedreiro que aproveitou a Educação de Jovens e Adultos (EJA) para se qualificar como mestre de obras. “Vou acompanhar a formação dele. E fale para ele não se impressionar com as notícias, que a gente volta para o MEC”, disse.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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